7.11.05

O dom da vacuidade criminosa

"Porque nós não queremos ver as imagens tão terríveis de Paris e de algumas cidades da França, temos que defender aquilo que é a capacidade de integração, de conviver com o outro, de termos as minorias que se possam exprimir da forma que queiram. Isso faz parte do nosso país, da nossa cultura"

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Provávelmente é uma repetição de alguma coisa que disse antes, mas pronto, a nulidade repetitiva não paga nenhum imposto por enquanto. O que é grave neste tipo de discurso que não é exclusivo do Presidente, muito pelo contrário, é a contradição e a arrumação de pessoas dentro de categorias mais ou menos estanques. “…minorias que se possam exprimir da forma que queiram.” Ou seja o que existe não são pessoas individualmente consideradas, são grupos, culturas, religiões ou etnias. Ao colocar o ênfase no grupo, na etnia ou seja lá a minoria que o Presidente estivesse a considerar, empurra os elementos desse grupo para a diferença e acentua nos outros a ideia que estes são mesmo diferentes e não fazem parte da mesma comunidade. A conclusão óbvia é que ao invés da diversidade com que os arautos desta posição enchem a boca, acentuam-se as diferenças e antagonismos. Em lugar da miscigenação que naturalmente existe entre diferentes culturas que convivem, ganham-se muros. Daqui à hostilidade e ao conflito é um pequeno passo.
Não são as minorias que têm que poder exprimir como quiserem, são as pessoas. Sejam brancas, pretas, cor-de-rosa, muçulumanas, animistas, hindus ou católicas. Tanta retórica àcerca da Europa das pessoas, dos cidadãos, da solidariedade e não saem desta colectivização do indivíduo, não conseguem pensar no Zé, o Ariel, o Mohamed, o Edson, o Kwame, etc. Não, raciocinam o muçulumano, o cristão, o negro, o cigano, o branco. Uma quantidade de não-gente cuja única identidade é a do grupo! Como se tivessem uma tatuagem na testa a dizer: "eu sou negro, cigano, muçulumano, hindu, judeu, etc, etc."
Eu sei que gritar slogans pelos direitos das minorias e escrever artigos inflamados contra a discriminação racial, dá boa consciência e permite-lhes o racismo e a xenofobia perante o indivíduo. Como escreveu e bem a Joana, nem notamos que tratamos mal o empregado negro da oficina, enquanto nos indignamos com as condições em que vivem os imigrantes na Cova da Moura e telefonamos para o Fórum TSF a chamar fascistas aos polícias. A intelectualidade da boa consciência dorme descansada, porque grita pelas etnias discriminadas, mesmo que a Lei as proteja. E num êxtase masoquista fustiga-se de prazer pela expiação da culpa do homem branco, esse criminoso. Enfim, a receita para o desastre.


(ver no Blasfémias, o mesmo assunto.

A Caixa e os sumos

Quanto mais analisamos o desfecho da venda da Compal, que vai ser feita à CGD/Sumolis, mais dúvidas ele levanta. Primeiro, o papel da Caixa Geral de Depósitos. Não é um banco qualquer, que tenha que dar conta apenas aos accionistas dos bons e maus negócios que faz.
Sendo um banco público, com a Administração nomeada pelo Governo, os seus negócios são negócios do país e dos seus contribuintes. E sabe-se que a Caixa tem sido utilizada pelos sucessivos governos para muita coisa à margem do seu objecto social: desde depósito de amigos políticos até veículo financeiro que compra e vende participações em empresas semi-públicas, de acordo com vontades de ocasião e ao arrepio de qualquer lógica económica ou financeira.

Estado Social e Desagregação Social

Mas afinal quanto mais Estado Social é preciso pôr em prática para evitar quer "Paris" quer "Nova Orleaes" (sim, porque também aqui, a população seria precisamente aquela que em média mais recorre ao tal Estado Social americano)?

Creio que a resposta, infelizmente, é que quem está convencido, no plano teórico, de que o Estado Social é benéfico advogará sempre mais intervencionismo e políticas redistributivas, por mais evidentes que sejam as manifestações dos seus efeitos anti-sociais. Por isso mesmo é essencial demonstrar que a falência do Estado Social não se verifica apenas nos insuportáveis custos financeiros que acarreta mas também, e acima de tudo, no plano da desagregação e dissolução da ordem social.

Intenções piedosas e realidade

Relembrando a parábola do Bom Samaritano encontramos nela uma filosofia, um incentivo a essa fraternidade e a essa solidariedade.

Passa pela ideia da Europa das pessoas, culturas e religiões, do abominável “Deus-Mercado” e da globalização selvagem , etc, etc. Enfim, pano para mangas. Sendo certo que sem pessoas não ha mercado, a ideia da solidariedade e de tirar as pessoas da pobreza, sem haver a “guita” que se consegue no “Deus-Mercado”, confunde-me. Julgo que foi Manuela Ferreira Leite que disse que o Bom Samaritano só o foi porque tinha “arame”. Pois. Parece-me, no entanto, que há que buscar exemplos de Bons Samaritanos com menos de dois mil anos e… eureka! Bill Gates!! E escuso explicar.

Rigidez laboral

Um modelo social que assenta na rigidez laboral e nos direitos adquiridos dos insiders exclui necessariamente os que ainda não tiveram acesso à vida activa. Exclui porque é um entrave ao desenvolvimento económico e, portanto, à criação de mais empregos, ou mesmo à manutenção dos existentes, e exclui porque dificulta o acesso, aos empregos existentes, dos jovens do país ou da 2ª geração de imigrantes. O modelo social, tal como existe na Europa continental, é um modelo de exclusão social. E de exclusão a longo prazo, porque o desemprego na Europa continental é, principalmente, de longa duração. Protege obsessivamente os insiders e exclui os restantes.
Joana, no Semiramis.

Gueto

Why Some Riot and Some Work

While Paris burns, Poland does not. Isn’t that strange? The Poles have an unemployment rate which is as high as the unemployment rates in French suburbs. Yet while “angry French youths” burn down their neighborhoods, including their public transport buses and schools, Polish plumbers, construction workers and nurses are too busy to be angry. They travel abroad for several weeks at a time to work in foreign lands. One of the places they go to is France, where they work harder, often delivering better quality and at lower wages than French workers.###

(...)

An obvious solution to the “anger” of the unemployed “youths” in Clichy-sous-Bois and the other burning suburbs of Paris would be to send in an entrepreneur like Mark Brands to offer them the same kind of jobs that he is offering to Poles, Czechs and Greeks. Why doesn’t that happen? Why is there no “invasion” of unemployed workers from Clichy-sous-Bois and similar places? Why do they prefer to burn down schools rather than to follow the Polish example?

Perhaps because despite the so-called poverty and destitution of which they are victims (at least according to the media), the Islamic “youths” of Clichy are the spoiled brats of the West European welfare state. Despite the media talk of “discrimination” (if there is any discrimination of immigrants in Western Europe, it is “positive” discrimination), they get the same generous welfare benefits as other Frenchmen. The West European government handouts are so high that none of the allegedly “frustrated and angry unemployed” are willing to do the kind of jobs that the Poles gladly take. The moral perversion which accompanies socialism has affected Muslims to a larger extent than it has affected people raised in the traditional Christian culture of the West with its stronger sense of individual responsibility -- and even among the latter social welfarism has had devastating effects on traditional morality, which has almost disappeared.

Entretanto nos oceanos...

A equipa do doutor Webster (ver aqui [pdf] o artigo publicado em 16-09 na Science, ou aqui uma interessante e acessível referência), trabalhando os dados das temperaturas medidas por satélite de 6 bacias oceânicas desde 1970 não encontrou nenhuma relação entre o aumento da temperatura superficial, verificado em todas as bacias salvo no Pacífico Sudoeste, e o número ou intensidade dos furacões, que só aumentou no Atlântico Norte. Não parece, portanto, possível sustentar cientificamente uma relação de causa-efeito, tanto mais que o segundo maior aumento do número e intensidade dos furacões se verificou na bacia Pacífico Sudoeste onde não se registou aumento da temperatura do mar.
No Impertinências.

Mais estado, mais dinheiro - II

Não vá o Diabo tecê-las... (via DD):

O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional anunciou hoje, na Maia, que o próximo ciclo de fundos comunitários (2007/2013) irá contemplar verbas destinadas à intervenção em bairros considerados críticos nas áreas de Lisboa e Porto.
(...)estão já em fase de preparação três projectos-piloto, a desenvolver nos próximos dois anos, para os quais estão mobilizados cerca de 25 milhões de euros.

Os Srs. autarcas que não se preocupem com problemas de financiamento, pois não vai haver problemas:

(...)o ministro realçou que na lei do Orçamento para 2006 «o recurso ao crédito para efeitos de habitação social vai ser exceptuado e não conta para o plafond».
«As autarquias poderão voltar às iniciativas de habitação social em força porque não vão ter o constrangimento do limite ao crédito»

Eixo franco-alemão

Entretanto em Portugal...

Mais do que empresas grandes comprarem empresas pequenas, o normal é empresas mais eficientes comprarem empresas menos eficientes. São as leis de Darwin aplicadas aos negócios.

Mas não é assim neste caso. A Compal factura sensivelmente a mesma coisa que a Sumolis, na casa dos 150 milhões de euros.

A diferença é que a Sumolis tem quase três vezes mais efectivos do que a Compal: são 1.200 contra 460, o que mostra bem da produtividade e eficiência de cada grupo. Não admira, por isso, que no ano passado a Compal tenha lucrado 25 milhões de euros e a Sumolis tenha perdido 2,4 milhões de euros.
Paulo Ferreira no Jornal de Negócios

Via Elba Everywhere:
Que sorte o governo PSD/CDS já não estar no poder, senão ainde se viria a especular sobre a ligação entre esta nacionalização e a filiação política do presidente da Compal!!

Entretanto nas Américas...

In a speech lasting more than two hours, Chávez unsparingly criticized President Bush and his policies in the region and said Latin America was uniting against the "imperialism of the north."

"We are creating a great political body in the south, and not only geographically," said the Venezuelan leader, whom U.S. officials have accused of subverting democracy in his country and his neighbors. 'This is the great task of our region, to create a consensus of 'the South' that will bring better lives to all our people.''
Cox & Forkum (via Elba Everywhere)

Pluralismo e multiculturalismo

Os franceses sempre tiveram um problema: como lidar com a diferença? Existe uma incapacidade na cultura política francesa para aceitar o pluralismo. Desde o reaccionário Rousseau ao iluminista Voltaire, existiu sempre um culto pela Unidade. E essa Unidade não sabe o que fazer com a diferença. Em França, tende-se a pensar em tabula rasa. E quando se tenta a tabula rasa muitas vezes, a reacção cultural, inevitavelmente, aparece. A polémica do véu é apenas a última prova da incapacidade francesa para lidar com uma sociedade plural.

(...)

O multiculturalismo aprisiona o indivíduo numa dada comunidade. Os jovens nascem em dada comunidade e são “convidados” a ser apenas membros daquela comunidade. É por isso que Todorov fala em demência identitária. O multiculturalismo é uma tremenda falta de respeito pela liberdade, pela a agência dos indivíduos. O multiculturalista no XXI, tal como o romântico no XIX, quando olha para um indivíduo vê apenas um membro de qualquer coisa. E esta cultura politicamente correcta (atenção, uma invenção mais americana do que francesa; aliás, os melhores críticos do multiculturalismo são franceses) arranca aplausos nas TV’s (só uma pergunta: os repórteres da RTP fazem informação ou ideologia?) e nas escolas de currículo único.
Henrique Raposo, N'O Acidental (via Descrédito)

Mais estado, mais dinheiro

As propostas do presidente do grupo socialista na Assembleia Nacional francesa, para resolver os problemas das populações carenciadas das "cités", não fogem ao receituário tradicional do estado social, pai e mãe de todos quanto se reivindicam discriminados pela sociedade. A mesma sociedade a quem os "émeutiers" destroem a propriedade é a mesma que vai patrocinar a sua discriminação positiva. Via Le Figaro:

La véritable égalité des chances implique de soutenir plus massivement les quartiers déshérités que les autres. Elle exige, par exemple, que leurs écoles aient moins d'élèves par classe, plus de profs expérimentés, plus d'encadrement, plus de crédits. Il ne s'agit plus de distribuer la manne financière à l'aveugle mais de la cibler sur les familles qui cumulent les handicaps sociaux. Ce contrat de remise à niveau doit être clairement établi devant les Français.
De la même manière ne faut-il plus esquiver les difficultés de notre pays à assumer la diversité de sa population. Trop de jeunes, nés en France, titulaires d'une carte d'identité nationale, se sentent étrangers à leur pays. Parce que la société les renvoie à leurs origines, parce qu'elle oublie de leur transmettre ses valeurs de solidarité et de civisme.
C'est pour retrouver ce sentiment d'appartenance nationale que j'ai défendu à l'Assemblée une proposition de loi visant à instaurer un service civique obligatoire pour tous les jeunes Français, garçons et filles. Offrir quelques mois de son temps aux personnes âgées, aux handicapés, aux malades, redonnerait une réalité au brassage social. Il n'est plus possible d'en faire l'économie.

La malaise française

Um fenómeno fascinante, o da pertença de muçulmanos à FN [liderado por Le Pen] em números consideráveis e comparáveis ao da população em geral, especialmente entre os estrangeiros. A explicação, bem plausível, do IFOP:

On constate que la proximité au FN (...) est comparable parmi les Français et les étrangers (un peu moins élevé parmi les musulmans), signe que le discours sécuritaire, la référence aux traditions, la dénonciation de l’establishment mais aussi le refus de toute (nouvelle) immigration peut séduire d’autres personnes que les seuls Français de souche.
(via portugal dos pequeninos)

A revolta dos subsidiados

Num artigo de hoje do Libération, que se queixa de que o “Estado abandonou os bairros sociais (as “Cités”)”, percebem-se três coisas:

a enorme rede de subsídios e financiamentos estatais típicos do “modelo social europeu”.

(...)

a enorme quantidade de pessoas que trabalha nestes programas, associações, ONGs, que são elas próprias um grupo de pressão para o aumento dos subsídios e o alargamento dos apoios estatais, e que, não é por acaso, aparecem nesta crise como as principais vozes “justificando” a “revolta dos jovens”;

e, por último, o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social.
JPP, no seu Abrupto.

Mistura social

o problema-chave [dos motins nos subúrbios de Paris] é identitário, ainda que agravado por dinâmicas de exclusão social. Agravado apenas, porque pobre não tem que ser, automaticamente, delinquente! A sistemática e fácil associação entre pobreza e delinquência, para além de não ter suporte empírico, é estigmatizante. Porém, a pobreza pode facilitar a produção da delinquência e de comportamentos violentos quando está associada à rarefacção dos controlos morais que se tornam efectivos pelo julgamento colectivo. Ou seja, embora as nossas sociedades não sejam comunidades, só são viáveis quando incluem dinâmicas comunitárias de pressão social.
e Paulo Pedroso:
Para ajudar à compreensão do que se passa em França vale a pena ler este [pdf] relatório da sua Inspecção-geral da educação, de 2004, que abordou de modo impressivo e preocupante os fenómenos de intolerância religiosa nas escolas das comunidades segregadas.

Quem pensa que o que está em causa é apenas o comportamento dos jovens islâmicos, engana-se, embora entre estes a gravidade da situação a que já se chegou pareça maior.

Uma das mais importantes conclusões conduz a um apelo à acção promotora da mistura social (e, consequentemente, religiosa) nas escolas. Só surpreende que o apelo já seja necessário e desta forma.

A Cebola

The French police have taken 22 young people into custody after more than a week of riots in a northeastern suburb of Paris. What do you think?
Resposta:
"Well, it's nice to see that Muslim youths are for once turning to rioting and not terrorism."
Nota: "The Onion" é um site humorístico!

Massacres de árabes muçulmanos em Paris - 17/10/1961

Diálogo e prevenção

é fundamental o poder político e a comunidade não perder laços de diálogo com os responsáveis islâmicos que, melhor do que ninguém, são as pessoas mais bem colocadas e preparadas para desmistificar o discurso de redenção dos fanáticos.

Por outro lado, para os nacionais franceses, tendo em conta o peso de algumas forças políticas gaulesas, é de esperar o regresso do discurso xenófobo, que procurará, uma vez mais, instar nos franceses uma visão de ódio aos imigrantes. Como se estes não fossem essenciais para comunidade. Pretendendo, as palavras inflamadas e demagogas, transmitir a ideia do estrangeiro como uma ameaça para a segurança e prosperidade nacionais.

Uma faca de dois gumes. Os fanáticos, de um lado, e os xenófobos do outro. Saber controlar estes dois extremos é de importância capital para a estabilidade social, cultural, económica e política, francesa e europeia.

CMC


e ainda:
Compete ao [Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas] agir de forma preventiva junto das comunidades para evitar que assuntos complexos, eventualmente geradores de conflitos, tenham de vir a ser resolvidos no âmbito dos Assuntos Internos ou da Defesa.

Em Paris estão patentes os resultados dessa não prevenção.

Tivessem feito a monitorização para levantamento dos sinais envolvendo na solução dos problemas as comunidades de onde são oriundos os jovens que vandalizam e aterrorizam principalmente essas mesmas comunidades e hoje seria mais fácil controlar os desordeiros.

LNT

Sociedade xenófoba?

O racismo francês, latente ou explícito, contaminou sempre a sociedade francesa, uma das sociedades mais chauvinistas e xenófobas do mundo, apesar da capa «cultural» e das manias snobs dos intelectuais que gostam de «descobrir» culturas marginais mas, nunca, de as integrar de pelo direito como francesas ou europeias. A integração cultural, falsa, assente em meia dúzia de participações controladas dos estrangeiros «escolhidos», não oculta nem pode ocultar a separação profunda e radical entre o Estado francês e os grupos étnicos que lhe são estranhos, pelos hábitos, as tradições, a pobreza, a ignorância e a cor da pele.

(...)

Paris não é Londres nem Nova Iorque, que acolheram sociedades multirraciais sem fracturas nem degradações tão humilhantes como as que atingem os imigrantes em França. Paris não é, sequer, Berlim. É uma capital de luxo e bem-estar, cercada de arame farpado e favela melhorada.

(Clara Ferreira Alves no Diário Digital, via O Estado do Sítio)
Porém, nos EUA também já houve vários confrontos de larga escala que originaram de semelhantes "episódios" raciais. Exemplos: Watts riots, 1992 Los Angeles riots e 2001 Cincinnati Riots.

UE em queda livre

CONFIDENCE in the European Union (EU) is in freefall across almost every member state, according to the EU’s own opinion poll. The pan-European survey, prepared for the European Commission, also reveals that only one-third of Britons see benefit in continued membership, the lowest in the 25 countries polled.###

Trust in the Brussels commission, the executive branch of the EU, has plunged from 52% to 46% throughout the union. In Britain, the commission is trusted by 31% and distrusted by 38%.

Fall-out from the recent French and Dutch campaigns for the EU constitution referendum has prompted a fundamental rethink across Europe about the future of Brussels, the majority of Europeans believing the European Commission’s budget should be frozen.

The cascade of negative data from the study is the most severe since records began in 1975, according to Taylor Nelson Sofres, the research firm which conducted the survey.

Juventude inquieta

The French Solution: Land for Peace ?

Agenda securitária de Sarkozy

A expressão criminosa da cólera social por jovens adolescentes suburbanos representa não a rejeição do modelo social francês — os jovens violentos das "cités" são precisamente os que ficam à porta da integração nesse modelo; é por isso que, de forma cega mas significativa, atacam alguns dos símbolos dessa integração —, mas o falhanço da agenda securitária musculada conduzida nos últimos anos por Nicolas Sarkozy, o ministro da administração interna dos governos do partido de Chirac.

(...)

Da República, Sarkozy não guardou sequer a retórica da igualdade. Guardou apenas a polícia, e no seu sentido pré-moderno: trata-se de "limpar" os bairros perigosos. Nos últimos anos, retirou das "cités" a polícia de proximidade e apostou tudo na polícia de intervenção, fortemente armada e com uma lógica de confronto. É esse hoje o rosto do Estado francês nos subúrbios difíceis; o resto é corte de subsídios às associações locais, ausência ou degradação visível das instituições públicas de integração social, sobretudo as escolas. O resultado está à vista: um incidente envolvendo a presença da polícia levou à morte de dois adolescentes. Nas "cités", a identificação clara do rosto do inimigo ateou o rastilho dum incêndio enorme que o governo agora vai ter que apagar, sabe se lá com que meios.
Ao ler-se este texto ficamos com a ideia que, anteriormente a Sarkozy, o problema da insegurança era inexistente...

Caos em França

A man who was beaten by an attacker while trying to extinguish a trash can fire during riots north of Paris has died of his injuries, becoming the first fatality since the urban unrest started 11 days ago, a police official said Monday. Youths overnight injured three dozen officers and burned more than 1,400 vehicles.


France sees worst night of violence yet
Attacks overnight were reported in 274 towns, and police made 395 arrests, Gaudin said.

"This spread, with a sort of shock wave spreading across the country, shows up in the number of towns affected," Gaudin said, noting that the violence appeared to be sliding away from its flash point in the Parisian suburbs and worsening elsewhere.

It was the first time police were injured by weapons fire amid signs that rioters were deliberately seeking out clashes with police, officials said.


Police shot at in Paris riots
Youths fired birdshot at police and hurled Molotov cocktails at churches, schools, cars and a daycare centre in an 11th night of mayhem in France.

Ah, pois é

Chinese students at the Roskilde University Centre (RUC) have become so frustrated over the lack of quality of their education there that they have sent Science Minister Helge Sander a letter complaining of being forced into an 'academic ghetto of Chinese people'.
On Monday, Sander was to receive the three-page letter, signed by eight Chinese students enrolled in RUC's Bachelor of Social Sciences programme, complaining over low academic standards, many cancelled classes, too few teachers, and too little economics education.
(…)
Chinese education authorities operate a website, 'Surveillance on Overseas Education', where it posts warnings about substandard educational programs abroad…

Entretanto na Dinamarca (2)

Miss Pearls perguntou-me qual o sentimento aqui dos locais em relação a estes acontecimentos.

Até ter lido no Insurgente, pouco tinha ouvido/lido sobre o assunto, tendo a ideia de que nada de grave se passava. Os jornais online que têm notícias em Inglês não falaram do assunto, sendo que as notícias da última semana predominantemente sobre a detenção de vários suspeitos de um possível ataque terrorista.###

Questionei algumas pessoas sobre o que se estava a passar em Århus, e a ideia que passa é que "não é nada de novo" o sentimento é que os incidentes foram muito localizados e sem grande importância aparente!

Na minha opinião, por muito insignificantes que este ataques tenham sido, são demonstrativos que o problema não está em quem integra, mas em quem não quer ser integrado.

Neste país as regalias dadas são imensas, se têm filhos recebem subsídios, se não trabalham recebem subsídios, têm escolas gratuitas para aprender a língua, etc... Em contrapartida, eles continuam a viver à sua maneira, educando os filhos como se vivessem numa qualquer aldeia dos seus países. Há cerca de um mês uma jovem foi morta em plena rua pelo irmão pq tinha um "caso" com um ocidental!
Estamos em tempo de eleições locais , e em Norrebro(Bairro de Copenhaga habitado maioritariamente por imigrantes e jovens) vêm-se cartazes em àrabe, os candidatos tentam passar a mensagem na língua deles!

Fazer mais pelo imigrantes, aqui é difícil.


(via Miss Pearls)

A realidade não passou por ali

"Comércio Justo": o novo inimigo da liberdade económica

METAMORPHOSIS has been the trademark of the anti-capitalist movement. After each ideological defeat – from the collapse of the Soviet Union to the failure of third-world Marxism to the rise of capitalist India and China – it has changed its name, its tone and its target. Those who cheered on the so-called liberation movements and the rise of a new Marxist Left in the 1960s, the strikes which crippled Great Britain in the 1970s and the Europe-wide anti-Cruise missile protests of the early 1980s, went on, with a new generation of anti-capitalist protesters, to spend the 1990s fighting globalisation. Now the enemies of economic freedom have a new guise. The so-called Trade Justice movement is the latest evolution of the species. It can count on more middle-class do-gooding sympathy than your average anti-capitalist yobbery, which seems incapable of making its point without smashing up a convenient McDonald’s. The modern world’s substitute for rigorous debate – celebrity endorsement – can also be counted on. But it is a peculiar creature nevertheless: a mixture of truth and profound error, which means it will almost certainly dupe gullible European governments


Texto integral aqui.

Comprometedor silêncio

Endoideceram de vez

Prophet cartoons prompt Egypt to cut off Danish dialogue
By The Copenhagen Post
Egypt discontinues dialogue with Denmark on human rights and discrimination because of cartoon dispute
A Danish newspaper's decision to print cartoons of Muslim prophet Mohammed have caused a diplomatic crisis between Denmark and Egypt, national broadcaster DR reported on Thursday.
Egypt's ambassador in Libanon, Hussein Darrar, told news service AFP that Egypt had decided not to continue its dialogue with Denmark on human rights and discrimination.
The Egyptian ambassador in Denmark requested, along with ten other ambassadors of Muslim states, to meet with Danish Prime Minister Anders Fogh Rasmussen to discuss daily newspaper Jyllands-Posten's decision to print twelve caricatures of the prophet, an act considered blasphemous by many Muslims.
Rasmussen refused to meet with the ambassdors, saying that if they thought he had any power to influence what a national newspaper did and printed, the essence of Danish democracy had been lost on them.
Egyptian Embassy Councillor Mohab Nasr Mostafa Mahdy said he had not seen for himself what Darrar told reporters, but that he was certain it was based on the information Darrar had received on the matter.
'The Egyptian ambassador in Denmark has said that the case no longer rests with the embassy. It is now being treated at an international level. As far as I have been informed by my government, the cartoon case has already been placed on the agenda for the Islamic Conference Organisation's extraordinary summit in the beginning of December,' Mahdy said.

Des Etrangers au service de la France

The Union of Islamic Organisations of France issued a fatwa ordering young Muslims to calm themselves and to meditate

Integração - II

"(...)la France devient une société multiculturelle, même si elle refuse de se l'avouer. Le "melting-pot" de l'intégration, qui a transformé des générations d'Espagnols, d'Italiens et de Portugais en bons Français—en apprenant à leurs enfants à réciter des leçons d'histoire sur "Nos ancêtres les Gaulois"—a beaucoup plus de difficultés à assimiler les vagues d'immigrés arrivés après la guerre, du Maghreb, de l'Afrique subsaharienne et d'autres pays non européens.(...)
Une large proportion des immigrés et de leurs enfants arrivés après la guerre sont originaires d'Algérie ou d'autres anciennes colonies d'Afrique du Nord. Alors que la première génération de ces travailleurs immigrés comptait revenir au pays, leurs enfants ont vécu dans une sorte de "no man's land" culturel, déchirés entre leur pays d'accueil, qui ne les acceptait pas vraiment, et leur pays d'origine, que la plupart n'avaient jamais vu. "Leurs parents ne voulaient pas s'intégrer, affirme le sociologue Jean Viard, du CNRS. Mais leurs enfants sont nés ici, ils ont appris le français, ils n'ont jamais rien connu d'autre. Ils sont pris entre deux feux." Aujourd'hui, en tant que citoyens à part entière et électeurs potentiels, de nombreux enfants issus de la deuxième, voire de la troisième génération, réclament la place qui leur revient et l'égalité des chances que leur doit la République.###
La majorité de cette population est concentrée dans des banlieues et les grands centres urbains comme Lyon ou Marseille. Ces regroupements ont entraîné la création d'enclaves qui ressemblent beaucoup à des ghettos. Par ailleurs, de fortes migrations et un taux de natalité élevé ont fait de l'islam la deuxième religion en France. Ces banlieues ouvrières à forte composante immigrée ont engendré une culture spécifique (...)
"Les dix prochaines années, prédit Bernard Cathelat, sociologue, verront l'avènement du multicommunitarisme. Nous n'avons pas les mentalités ni les institutions adéquates pour être une société multirégionale et multiculturelle. Ce n'est pas seulement un problème d'immigration, mais aussi régional, notamment en Corse et au Pays basque. Nous allons payer le prix fort de tous ces siècles de centralisation. Le grand danger pour la société française est l'implosion en microgroupes sociaux."

A Europa em guerra

The notion that Texas neocon arrogance was responsible for frosting up trans-Atlantic relations was always preposterous, even for someone as complacent and blinkered as John Kerry. If you had millions of seething unassimilated Muslim youths in lawless suburbs ringing every major city, would you be so eager to send your troops into an Arab country fighting alongside the Americans? For half a decade, French Arabs have been carrying on a low-level intifada against synagogues, kosher butchers, Jewish schools, etc. The concern of the political class has been to prevent the spread of these attacks to targets of more, ah, general interest. They seem to have lost that battle. Unlike America's Europhiles, France's Arab street correctly identified Chirac's opposition to the Iraq war for what it was: a sign of weakness.###

The French have been here before, of course. Seven-thirty-two. Not 7:32 Paris time, which is when the nightly Citroen-torching begins, but 732 A.D. -- as in one and a third millennia ago. By then, the Muslims had advanced a thousand miles north of Gibraltar to control Spain and southern France up to the banks of the Loire. In October 732, the Moorish general Abd al-Rahman and his Muslim army were not exactly at the gates of Paris, but they were within 200 miles, just south of the great Frankish shrine of St. Martin of Tours. Somewhere on the road between Poitiers and Tours, they met a Frankish force and, unlike other Christian armies in Europe, this one held its ground "like a wall . . . a firm glacial mass," as the Chronicle of Isidore puts it. A week later, Abd al-Rahman was dead, the Muslims were heading south, and the French general, Charles, had earned himself the surname "Martel" -- or "the Hammer."

(...)

Battles are very straightforward: Side A wins, Side B loses. But the French government is way beyond anything so clarifying. Today, a fearless Muslim advance has penetrated far deeper into Europe than Abd al-Rahman. They're in Brussels, where Belgian police officers are advised not to be seen drinking coffee in public during Ramadan, and in Malmo, where Swedish ambulance drivers will not go without police escort. It's way too late to rerun the Battle of Poitiers. In the no-go suburbs, even before these current riots, 9,000 police cars had been stoned by "French youths" since the beginning of the year; some three dozen cars are set alight even on a quiet night. "There's a civil war under way in Clichy-sous-Bois at the moment," said Michel Thooris of the gendarmes' trade union Action Police CFTC. "We can no longer withstand this situation on our own. My colleagues neither have the equipment nor the practical or theoretical training for street fighting."

What to do? In Paris, while "youths" fired on the gendarmerie, burned down a gym and disrupted commuter trains, the French Cabinet split in two, as the "minister for social cohesion" (a Cabinet position I hope America never requires) and other colleagues distance themselves from the interior minister, the tough-talking Nicolas Sarkozy who dismissed the rioters as "scum." President Chirac seems to have come down on the side of those who feel the scum's grievances need to be addressed. He called for "a spirit of dialogue and respect." As is the way with the political class, they seem to see the riots as an excellent opportunity to scuttle Sarkozy's presidential ambitions rather than as a call to save the Republic.

(...)

If Chirac isn't exactly Charles Martel, the rioters aren't doing a bad impression of the Muslim armies of 13 centuries ago: They're seizing their opportunities, testing their foe, probing his weak spots. If burning the 'burbs gets you more "respect" from Chirac, they'll burn 'em again, and again. In the current issue of City Journal, Theodore Dalrymple concludes a piece on British suicide bombers with this grim summation of the new Europe: "The sweet dream of universal cultural compatibility has been replaced by the nightmare of permanent conflict." Which sounds an awful lot like a new Dark Ages.

6.11.05

Insucesso escolar

Enquanto a França arde...

Episódios de violência transformam hábitos do carioca, que antecipa horários de volta para casa e evita se deslocar à noite.

Via Jornal do Brasil

A violência está cada vez mais banalizada deste lado do Atlântico. Na última sexta-feira, um conhecido relatou um assalto cinematográfico no Centro do Rio de Janeiro, à uma e meia da tarde. O meliante, em plena calçada, colocou o revólver no peito de um senhor de idade. Pediu a carteira, contou o dinheiro, colocou no bolso, agradeceu e foi embora tranqüilamente. A sociedade brasileira está assimilando a violência como se fosse a ordem natural das coisas. Triste.

Mundo Moderno

Islamismos em casa

Quem tem islamismos em casa não atira pedras aos furacões dos vizinhos.

Reconquista

I love the smell of the media in the morning

Kadhafi a affirmé la disposition de son pays à aider Paris à dépasser ces événements regrettables

Paris e Gaza

IT is a French revolution in rioting - a war of attrition where the enemy is almost impossible to detect and the weapon is a Molotov cocktail.

Their targets are cars, buses, schools, nurseries, gyms, warehouses and brasseries across Paris and in other cities.

Comparisons with the Gaza Strip are impossible to avoid.


French unrest worsens
On the 10th night of mayhem, about 1 300 vehicles were torched across France overnight on Saturday and 349 people were arrested.

The night before, 900 vehicles were set alight and 250 arrests were made.


French urban unrest hits new high
Urban violence scaled new heights in France as gangs of youths torched cars, shops and firms in the 10th straight night of violence in poor suburbs of Paris and provincial towns, despite heavy police reinforcements.

Prime Minister Dominique de Villepin was to meet police on Sunday afternoon and teachers from tough neighbourhoods to discuss how to respond to youths who have defied all appeals for calm from top officials and exasperated residents.

(...)

Accused of stoking passions by calling troublemakers "scum", Sarkozy has ignored calls to quit. A survey published on Sunday indicated his public image was holding up, even if many disapproved of his strong language.

Villepin also has ambitions to be the right wing's presidential candidate in 2007 and has tried to position himself as a much more consensual figure than Sarkozy. The effect on the crisis on his ratings is still unclear.

Multiculturalismo, republicanismo e caos

Jihad

L' Iran a demandé à la France de respecter les droits de l'Homme

Uma solução política...

  • "authorities now say the rolling nightly riots are being organised via the Internet and mobile phones, and have pointed the finger at drug traffickers and Islamist militants."

    [Daily Telegraph]

  • "Government officials have held a series of meetings with Muslim religious leaders, local officials and youths from poor suburbs to try to calm the violence.

    The director of the Great Mosque of Paris, Dalil Boubakeur, one of the country's leading Muslim figures, met Prime Minister Dominique de Villepin on Saturday and urged the government to choose its words carefully and send a message of peace.

    [Associated Press]

  • Jean-Louis Debre, mayor Evreux and speaker of the lower house of parliament, told France Info radio: "To those responsible for the violence, I want to say: Be serious… If you want to live in a fairer, more fraternal society, this is not how to go about it."

    [Associated Press]

  • On Saturday morning, more than 1,000 people marched through one of the worst-hit suburbs, Aulnay-sous-Bois. Local officials wore sashes in the red, white and blue of the French flag as they filed past housing projects and the wrecks of burned cars. One white banner read, "No to violence."

    [Daily Telegraph]
Funcionou em 1940...

Gasoline bomb-making factory in Evry south of Paris

Intifidada chega ao centro de Paris

Ten nights of urban unrest that brought thousands of arson attacks on cars, nursery schools and other targets from the Mediterranean to the German border reached Paris where at least 28 cars were burned overnight in the French capital, government officials said Sunday.

(...)

At least 918 vehicles — including those in Paris — were burned during the 10th night of violence, said the Interior Ministry's operational center tracking the violence. There was no word yet on damage in Paris to shops, gymnasiums, nursery schools and other targets which have been attacked around the country.

What a lovely way to burn

Equivocos

“Ayn Rand, for one, thought that the only rational behavior is egoism, and books aiming at increasing personal wealth (presumably at the expense of someone else’s wealth) regularly make the bestsellers list.”
Ao juntar o “rational egoism” de Rand com “increasing personal wealth (presumably at the expense of someone else’s wealth)”, o autor mostra que não leu o seguinte trecho do discurso de John Galt em Atlas Shrugged:
"I swear by my life and my love of it that I will never live for the sake of another man, nor ask another man to live for mine."
Ayn Rand na voz de Galt.
Porquê “presumably at the expense of someone else’s”? Aliás em toda a obra de Rand, ela condena quem aumenta o seu poder, riqueza, bem estar, etc à custa de outrem. Os exemplos são mais que muitos, a começar por Peter Keating, personagem de Fountainhead. Mas parece-me que esta frase de Pigliucci comporta outro tipo de preconceitos sobre a obtenção de riqueza.
“Rand would object that establishing double standards, one for yourself and one for the rest of the universe, makes perfect sense.”

Isto é exactamente o contrário de tudo o que Rand defendeu. A base do pensamento de Rand é que há absolutos, não admite o relativismo moral e condena veementemente qualquer double-standard. É fácil verificar isto quase em cada página, em cada frase escrita em qualquer dos seus livros e artigos.
“…nature red in tooth and claw evokes images of “every man for himself,” in pure Randian style. In fact, Herbert Spencer popularized the infamous doctrine of “Social Darwinism” (which Darwin never espoused) well before Ayn Rand wrote Atlas Shrugged.”

O equívoco nesta frase é fazer equivaler o “every man for himself” de Rand com “…nature red in tooth and claw…”, quando o que está escrito é o que já transcrevi acima do discurso de John Galt. Daí concluir o que escreve Pigliucci parece-me no mínimo abusivo.
“On the other hand, it would also provide Ayn Rand with an argument that most humans are simply stupid, because they don’t appreciate the math behind the game.”

Isto vem a propósito da cooperação. Por todo o Atlas Shrugged são defendidas formas de cooperação. O refúgio de Galt, Midas, Rearden, etc é cooperação, tal como os esforços de funcionários de empresas (ver trabalhadores da Rearden Metal), de caminhos de ferro e entre diferentes empresários (ver fornecedores da Taggart) . A diferença do que Rand escreveu para o que dizem tais especialistas, é que para ela a única forma admissível de cooperação é voluntária e construtiva. Em todo o livro ataca a cooperação dos poderosos (Governo, empresas monopolistas, cientistas corruptos e outros pequenos poderes) quando a sua finalidade é protegerem-se da concorrência, abusar do poder monopolista, desresponsabilizarem-se e no caso do Governo favorecer alguns em detrimento de outros através da redistribuição (cooperação compulsiva) e impor a autoridade pela violência.
“And the emerging picture is one of fairness—not egotism—as the smart choice to make.”

Fairness – aplauso Randiano.
Egotism – lá está. Pigliucci não leu Rand, senão saberia que em “The virtue of selfishness”, ela faz a distinção clara entre dois conceitos: egotism e egoism. No caso deste autor começa o artigo com egoism e acaba-o com egotism. Desonesto.
Rand subscreveria o primeiro artigo cujo título é: "Why cooperate? It's a pleasure, says Emory study"
Se cooperar é um prazer, se contribui para a felicidade das pessoas, pois cooperem, diria.
Conviria ler Rand antes de lhe imputar ideias que ela não defendeu, mas é demasiado vulgar e há demasiados exemplos do medo de lhe reconhecer honestidade e coragem.

Não há incompatibilidade entre monarquia e liberalismo

5.11.05

Não há razões para preocupação

Intifada francesa alarga-se

Marauding youths torched nearly 900 vehicles, stoned paramedics and burned a nursery school in a ninth night of violence that spread from Paris suburbs to towns around France, police said Saturday. Authorities arrested more than 250 people overnight — a sweep unprecedented since the unrest began.

For the first time, authorities used a helicopter to chase down youths armed with gasoline bombs who raced from arson attack to arson attack, national police spokesman Patrick Hamon said.###

(...)

With 897 vehicles destroyed by daybreak Saturday, it was the worst one-day toll since unrest broke out after the Oct. 27 accidental electrocution of two teenagers who believed police were chasing them. Five hundred cars were burned a night earlier.

In a particularly malevolent turn, youths in the eastern Paris suburb of Meaux prevented paramedics from evacuating a sick person from a housing project, pelting rescuers with rocks and torching the awaiting ambulance, an Interior Ministry official said.

A nursery school was badly burned in Acheres, west of Paris.

The town had previously escaped the violence, the worst rioting in at least a decade in France. Some residents demanded that the army be deployed, or that citizens band together to protect their neighborhoods. At the school gate, Mayor Alain Outreman tried to calm tempers.

"We are not going to start militias," he said. "You would have to be everywhere."

Unrest, mainly arson, was reported in the northern city of Lille, in Toulouse in the southwest and in the Normandy city of Rouen. It was the second night that troubles spread beyond the difficult Paris suburbs.

(...)

The persistence of the violence prompted the American and Russian governments to advise citizens visiting Paris to steer clear of the suburbs.

In Torcy, east of the capital, looters set fire to a youth center and a police station, which were gutted, city hall said. An incendiary device was tossed at the wall of a synagogue in Pierrefitte, northwest of Paris.

A police officer at the Interior Ministry operations center said bullets were fired into a vandalized bus in Sarcelles, north of Paris.

Firefighters battled a furious blaze at a carpet warehouse in Aubervilliers, on the northern edge of Paris.

Arthur Seldon: um liberal à moda antiga

Arthur Seldon died on October 11 at the age of 89. Few outside policy wonk circles will have heard of him. He may thus merit the title of the most influential person most people have never heard of. For he was behind the intellectual sea change that led to both Thatcherism and Reaganism. As such he merited obituaries in the New York Times, The Times, The Daily Telegraph and The Guardian as well as appreciations from think tanks like the Adam Smith Institute, and it's that latter that gives a clue as to why was indeed so influential.###

The story was told to me only a couple of weeks ago by Madsen Pirie of the ASI. Sir Anthony Fisher, having made his fortune in introducing broiler chickens to the UK (sort of a Frank Perdue for his times) got to know Friedrich Hayek and expressed an interest in going into politics in order to contribute to the ongoing debate as to how and where the country was going. Hayek convinced him that influencing the debate, providing the ideas, was a better way of wielding such influence and so the Institute for Economic Affairs was formed. Seldon was the editorial director and Ralph Harris (now Lord Harris) the general one. Seldon had been educated by both Hayek and Lionel Robbins at the LSE in the 1930 and had also taught there after the war.

(...)

Remember, when he and Harris started out in the '50s, both the Conservatives and Labour thought that the Health Service should be exclusively provided by the State, with what private provision was left a mere hangover from an earlier time. The school system was just beginning to be made comprehensive, with parental choice being removed. The "commanding heights" of the economy were nationalized or about to be (steel, coal, shipbuilding, car manufacturing and so on) and it was thought by all that this should continue to be so. Government should micro-manage the economy, to the extent of deciding how much money each individual could take out of the country when on holiday. In everything, the bureaucrat in his office knew better than the individual knew themselves about themselves and their family.

I might also point out that the Liberal Party of the day was so sidelined that at one point their entire number of MPs could fit in one London taxi....each with their own seat.

The Thatcher Revolution of course made a difference but it is the ideas themselves that have lasted much longer. It is the current Labour Government that is bringing academic selection and parental choice back into schools, insisting that private companies be allowed to bid for work from the National Health Service, privatized the Air Traffic Control system.

To have, as the phrase goes, not so much won the game as to have pulled the board, the place of conflict, over to your ground is a grand and great achievement in politics, one showing how much more influential one can be when proposing ideas rather than a specific electoral program.

Irão

Saudades de Merquior

"O cerne do argumento liberal é a velha lição de Montesquieu: não basta decidir sobre a base social do poder – é igualmente importante determinar a forma de governo e garantir que o poder, mesmo legítimo em sua origem social, não se torne ilegítimo pelo eventual arbítrio do seu uso. Na raiz da posição liberal se encontra sempre uma dose inata de desconfiança ante o poder e sua inerente propensão à violência. Por isso, o primeiro princípio liberal é o constitucionalismo, isto é, o reconhecimento da constante necessidade de limitar o fenômeno do poder. O mundo liberal é uma ordem nomocrática – uma sociedade colocada sob o império da lei, onde todo poder possa ser experimentado como autoridade e não como violência."

José Guilherme Merquior, em: O Argumento Liberal. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.

Um dos maiores expoentes da intelectualidade brasileira, José Guilherme Merquior nos deixou muito cedo. Nasceu em 1941 e faleceu em 1991. Dentre seus livros, concentrados principalmente em temas de crítica literária, estética e filosofia política, destaco: Liberalism old and new; A Natureza do Processo; O Marxismo Ocidental; Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin; O Argumento Liberal; O Estruturalismo dos Pobres e Outras Questões; From Prague to Paris: a Critique of Structuralist and Poststructuralist Thought.

Por quem dobram os sinos

"Quem dera aos neoliberais contemporâneos terem força suficiente para revitalizarem a corrente, que aos poucos, neste novo século, dá os últimos esbracejos, depois das políticas do actor que foi Presidente e da Dama de Ferro entrarem em declínio."
Sendo certo que, com grande pena nossa, já não podemos contar com as valiosas contribuições dos saudosos Ronald Reagan e Margaret Tatcher, a verdade é que o sucesso das suas políticas contribuiu para a revitalização (e não para o declinio) do liberalismo. A profusão e influência dos think thanks de cariz liberal tem crescido significativamente desde os anos 80 do século passado. Verifica-se, aliás, que a adopção de agendas liberais (ou, no mínimo, liberalizantes) atinge inclusivamente os velhos partidos socialistas que, com poucas excepções, têm vindo a abandonar a defesa do falido e inoperante welfare state. Já nem a alegação de supostos "véus da ignorância" parece desculpar a defesa do intervencionismo estatal.

NIMBY

Entretanto, na Dinamarca...

Perfeitamente integrados no modelo social europeu...

Bad Moon Rising

4.11.05

Ainda sobre cooperação e civilização

A não perder

Integração

(...) e assim nós vemos que o acto dum estrangeiro viver toda a sua vida debaixo doutro governo, e de gozar os seus privilégios e protecção, não obstante estar ele obrigado, mesmo em consciência, a submeter-se à sua administração, tanto quanto o está qualquer estrangeiro naturalizado, não o constitui súbdito ou membro dessa república. Nada, senão uma convenção positiva, pacto, ou promessa expressa, pode fazer o homem um membro ou súbdito de uma republica

In "Segundo Tratado sobre o Governo", John Locke, Cap. VIII, ponto 122.

Ao que parece, os jovens envolvido nos motins em França são descendentes de imigrantes. Os seus antepassados sairam dos seus países em busca de vida melhor (como todos os emigrantes, como tantos milhões de portugueses). As comunidades em que se foram instalando mantiveram-se fechadas à vida da sociedade que os acolheu, excluindo a mistura cultural, política, religiosa ou de outra qualquer índole com a restante sociedade. As políticas de preservação da multiculturalidade também contribuiram para acentuar essa separação.
Perante este quadro, é fácil verificar que estes cidadãos, segundas e terceiras gerações de descendentes de imigrantes, não se sintam devedores de respeito perante as leis que governam os países onde vivem e os laços que unem esse país como uma sociedade. No entanto, é ao governo da sociedade que repudiam, ao contributo dos impostos dos cidadãos dos quais se mantêm afastados, que demandam responsabilidades e recompensas, enquanto pelas suas práticas geram a destruição das suas propriedades e atacam as suas vidas. Onde está a sua demonstração clara de quererem pertencer à "república"? Sem essa, que deveres têm os restantes cidadãos para com eles, que reivindicações podem ser feitas ao governo e que autoridade pode ele ter para impôr as leis?

Governo Dinamarquês põe modelo social em causa

"We are tired of being oppressed. We are tired of the police raiding our parents. We are tired of the police stopping our cars, and raids us in public and damages our honour.»

"We are tired of the police beating up our friends, like they did this afternoon", screams the younf man with his face covered.

He calles himself 100 percent palestinian, born in a refugee camp in Lebanon, 19 years ago, and is now unemployed in Denmark.

"The police has to stay away. This is our area. We rule this place"


As torres de betão nos suburbios de Aarhus, autênticos bunkers à Le Corbusier (o génio!!), a falta de jardins, creches, apoio do Estado, de empregos e perspectivas de futuro. Ah! O futuro, o futuro...o hospital e a escola gratuita e o cheque do daddy state ao fim do mês, e o Corão, não esquecer o Corão, essa obra literaria magnifica, fonte da Lei, do Direito, da exaltação da escrava, da lapidação da adultera, da mutilação feminina, do suicidio assassino e da Pacificação humana final.

Sinais de fumo (4)

Uma sociedade que olha o seu próprio vazio é o retrato desta França fragmentada por noites de motim. Desta vez não é “lá na América” onde é suposto que tudo aconteça mas no coração da Europa civilizada. Agora, depois de anos de sinais de alarme ignorados chega a crónica de uma crise anunciada. Que ninguém faça ares de surpresa. A história da violência urbana nos arredores de Paris já tem pelo menos duas décadas de existência. O estranho é como conseguimos viver, nestas nossas cidades e sociedades organizadas, neste convívio podre com a exclusão, fechados nos pequenos perímetros das nossas vidas privadas. Não ameaçados, tudo ignoramos. Lá como cá os brandos costumes do comodismo mais cego, mais insustentável, sempre regressam para acertar contas.

Temos e teremos, também cá, aquilo que merecemos. A proporção inédita que começa a tomar o fenómeno dos motins nocturnos de Paris é o retrato da nossa própria falência, da nossa incapacidade em produzir sociedade - e também cidade, porque o urbanismo também passa por aqui.
[a barriga de um arquitecto]

Sinais de fumo (3)

Em 1995 o realizador de cinema Mathieu Kassovitz contou-nos a história de Said, Vinz e Hubert, três jovens de uma periferia parisiense que acorda numa manhã em sobressalto devido às torturas sofridas por um jovem de 16 anos num interrogatório policial. A história acaba mal. Agora, morreram dois jovens electrocutados depois de uma acção policial e a pradaria urbana incendiou-se.


Esse belo e trágico filme intitulado O Ódio é uma crónica da permanente guerra civil travada por jovens desintegrados, desempregados e empurrados para a criminalidade com as forças policiais que podia ter sido feita dez anos antes. Ele é apenas mais uma abordagem criativa desta tragédia francesa que antecipa aquilo que um dia pode propagar-se a outros países.

O que está a passar-se em Paris já antes se passou. Paris é um permanente regresso ao passado nesta matéria da violência urbana e também não é por acaso que a França é um dos países europeus onde a extrema-direita fascista maior expressão institucional tem. Há duas décadas que os governos franceses de esquerda e de direita não conseguem dar respostas consequentes na integração das vagas de emigrantes que entraram no país. Há duas décadas que a política francesa oscila entre a defesa e a recusa, ambas radicais, de um modelo social utilizado como arma de arremesso nas barricadas ideológicas de cada tribo. Há duas décadas que a política francesa não sabe como enfrentar o crescimento explosivo do desemprego, da criminalidade, do gigantismo imobiliário em bairros dormitórios, horríveis e labirínticos, que cresceram nas periferias das grandes cidades. Há duas décadas que jovens marginalizados pela crise económica e por uma sociedade em crise de valores estão em guerra com forças policiais abandonadas à sua própria sorte.
E, durante estas últimas duas décadas, qual a solução adoptada? O modelo social europeu ou o liberalismo???

Sinais de fumo (2)

o modelo social europeu pode ser mantido durante décadas à custa de paliativos contra a exclusão e o desemprego até que a situação se torna insustentável. Quando o sistema atinge o limite, como a via económica para o enrequecimento está bloqueada, o radicalismo político é a única válvula de escape do descontentamento.
João Miranda, no Blasfémias.

Double-standards politicamente correctos e padrões islamo-nazis

A Danish experiment in testing "the limits of freedom of speech" has backfired - or succeeded spectacularly - after newspaper cartoons of the Prophet Mohammed provoked an outcry.
Thousands of Muslims have taken to the streets in protest at the caricatures, the newspaper that published them has received death threats and two of its cartoonists have been forced into hiding.
The ambassadors of 11 Muslim countries called on Anders Fogh Rasmussen, the prime minister, to take "necessary steps" against the "defamation of Islam".

Disse o PM Rasmussen:
"I will never accept that respect for a religious stance leads to the curtailment of criticism, humour and satire in the press," he said.


Andres Serrano devia experimentar fazer uma foto, do Corão mergulhado em urina. Ou cerveja que talvez fosse o suficiente para a brigada do PC desatar aos gritos e a arrancar os cabelos.

Send in the Marines

Sinais de fumo

Os incidentes entre a polícia e jovens de um bairro da periferia de Paris são indícios da ausência de autoridade e de uma sociedade que excluiu.

Como aquele bairro da capital francesa, as grandes urbes europeias também têm bairros com problemáticas semelhantes. Portugal não é uma excepção. Este ano já houve o episódio recambolesco do "arrastão". Alarido que alimentou algumas manchetes.

Nunca é de mais questionar, e o assunto torna-se premente, ainda que seja latente, pelo menos enquanto novo caso não rebentar e assustar a sociedade: terá sido feito algo, desde do Verão, para combater os guetos, autênticos espaços de exclusão?

A resposta é conhecida, pois sem fumo, ninguém dá pela ardência que se vai espalhando, consolidando e, de vez em quando, brotando.
(CMC, no Tugir)

Nota: imagem copiada d'O Acidental.

Passividade em Paris (2)

Na mesma noite em que dois jovens morreram electrocutados em circunstâncias que permanecem nebulosas (mas de que logo se responsabilizou a polícia), um homem de 50 anos era morto ao pontapé por delinquentes perante a passividade de dezenas de pessoas. O presidente da câmara local entendeu dever acorrer ao funeral dos jovens, mas ignorou o da vítima do banditismo. Este gesto contém uma clara mensagem política que valoriza a suspeição, não provada, sobre um eventual exagero da polícia, e desvaloriza o vandalismo mais bárbaro.

O imenso falhanço da "integração" reside exactamente nestes tipo de equívocos, nesta total confusão de valores. Se se aceita e justifica os que vivem desafiando a lei, acaba-se no caos. E se não se promovem os valores da tolerância e do trabalho, acaba-se na segregação. Pior só acrescentando um clima político inquinado, como aquele que a França vive.
José Manuel Fernandes, Público (via tomarpartido)

Profissionais da informação

De novo, o noticiário das 13 horas da RTP1 transformou-se numa versão "noticiosa" de um panfleto do Bloco de esquerda, a propósito dos incidentes de Paris. De novo, é pena que o texto das notícias não esteja disponível em linha, para que todos possam julgar. Já não basta o modo como se tratou o Katrina, nunca rectificando as informações falsas que foram dadas, coisa que todos pediram (e bem) para ser feito com o "arrastão", mas que ninguém exige quanto ao Katrina. Agora é uma "interpretação" do que acontece em Paris inteiramente conducente à justificação da violência.

(...)

Por que razão é que eu tenho como contribuinte que pagar os exercícios de propaganda política de um grupo de senhores jornalistas que são maus profissionais e que nos querem apascentar?

(Abrupto, via Miss Pearls)
Provavelmente semelhante falta de profissionalismo também acontece nos restantes canais de televisão. Mas, esses, não tenho de continuar a pagar por eles quando desligo a TV!!!

Reverse psychology

[Os] mais liberais envaidecem-se atribuindo causas [dos distúrbios de Paris] ao "sistema social europeu", fazendo de conta que estes problemas não estão a surgir quando o mesmo sistema social está a ser posto em causa na França, tal como já surgiram nos seus amados países anglo-americanos.
Pois claro, a culpa é do liberalismo do Governo francês...

Passividade em Paris

A poucos quilómetros de Clichy-sous-Bois, e quase à mesma hora em que dois adolescentes desta cidade morriam electrocutados numa central sob alta tensão, pensando fugir a um controlo de polícia, Jean-Claude Irvoas assinou o seu decreto de morte.

Este francês de uns 50 anos passava pela cidade de subúrbios de Epinay-sur-Seine. Ia com a mulher e a filha no carro, e nem sequer estava a trabalhar. Mas, na Rue de Marseille, reparou num candeeiro público, que tinha sido instalado pela empresa onde trabalhava. Toda cidade deve ser equipada com o mesmo modelo de lampadário, mas naquele momento Jean-Claude Irvoas queria tirar uma fotografia desta primeira instalação, para o seu trabalho.

Assim que saiu do carro com a máquina fotográfica na mão, dois homens novos atacaram-no. Irvoas deu um safanão num deles, e colou-o ao chão. Um terceiro jovem surge então. Os três vão espancar até à morte este pai de família, em frente da mulher e da filha dele, aterrorizadas.

No café mesmo em frente ao local da agressão, havia uns trinta homens. Ao lado, uma mercearia estava apinhada de mulheres a fazerem compras. Mas ninguém interveio. Ninguém "viu nada". Só a gravação vídeo do crime por uma câmara de segurança de um banco permitiu reconstituir com exactidão o que aconteceu.

Os jornalistas que se deslocaram a Epinay-sur-Seine foram ameaçados e "expulsos" pelo mesmo bando que aterroriza os habitantes e que não admite intrusões no seu território.
(Público, via GLQL)

De excluídos a selvagens

António Esteves Martins, um particular ódio de estimação meu, começou a sua intervenção caracterizando "os jovens" como um grupo de excluídos, condenados ao desemprego por serem estrangeiros, o que provocava o caldo de cultura onde qualquer coisa pode despoletar a violência.

De seguida, iniciou a sua conversa com um emigrante português (vereador naquela zona). Referiu-se às notícias de que estariam portugueses envolvidos nos tumultos. Aí, Esteves Martins, sempre ele, diz que tais notícias não fazem sentido. Tudo porque a comunidade portuguesa, "que nunca causou problemas", não se iria associar a "um grupo de selvagens".

Hienas, ovelhas e avestruzes

According to prosecutors Friday, the 56-year-old woman was unable to get off a bus targeted by a Molotov cocktail late Wednesday in the northern Paris suburb of Sevran. She was allegedly doused with petrol by one youth, then others threw a flaming rag on her. Rescued by the driver, she was taken to hospital with severe burns to 20 percent of her body.
Protestam contra a miséria, a discriminação e provocação policial,…
Those responsible are groups of young Muslim men, the sons of families from France's former Arab and African colonial territories, who have said in interviews that they are protesting economic misery, racial discrimination and provocative policing.
… acabam com umas centenas de empregos…
Arsonists set fire to five businesses in the Seine-Saint-Denis region north and east of Paris city centre, completely destroying a large warehouse containing carpets and flooring material at the Garonord industrial zone near Charles de Gaulle airport
….e com os meios de transporte de outros pobres. Enquanto isso…
At Trappes to the southwest of Paris a spectacular fire gutted a bus depot, with 27 vehicles inside destroyed. Witnesses told Europe 1 radio that flames shot 50 meters (150 feet) into the air with repeated explosions.
…a cabeça do avestruz já está tão enterrada que mal se vê o pescoço.
Paris mayor Bertrand Delanoe of the opposition Socialist Party warned on Europe 1 against hasty conclusions being made "between one religion, Islam, and a few extremists" and the range of criminal networks in the down-trodden suburbs.

Maio de 1968

"Em Paris, os baderneiros fluíram para o Quartier Latin, levantaram barricadas, viraram e incendiaram carros, e jogaram garrafas incendiárias na polícia que tentava restabelecer a ordem. Os estudantes eram estimulados por radicais da classe média, principalmente Jean-Paul Sartre e sua amante Simone de Beauvoir, Michel Foucault, Jacques Derrida e Julia Kristeva. Esses intelectuais, - e mais os políticos esquerdistas como François Mitterrand e Pierre Mendes-France -, saudavam os estudantes como "libertadores" que estavam ensinando aos mais velhos uma lição cultural. Um dos poucos a manter a cabeça no lugar foi Raymond Aron, que denunciou a coisa toda como uma grande tolice, uma 'insensatez perniciosa'."

Fonte: Cobra Pages

"the riots have been caused by France’s failure to implement Marxism"

Dominique de Villepin: A "perfectly organized" riot