31.12.05

Soares e a propaganda

Livros: as minhas escolhas de 2005

Mais um a fazer copy-paste, gravar

Coisas boas que me invadiram o iPod em 2005

Os meus destaques: personalidade internacional de 2005

Os meus destaques: personalidade nacional de 2005

Ranking BlogPulse: especial fim de ano

Fechando o ano

"Oito pessoas morreram e pelo menos 48 ficaram feridas hoje em conseqüência de uma explosão em um açougue na cidade indonésia de Palu
(...)
a explosão aconteceu no interior do açougue, dedicado à venda de carne de porco. A carne suína é proibida para os muçulmanos, por isso a clientela era composta fundamentalmente por cristãos.

A polícia isolou a área da explosão, na qual há uma igreja e uma casa usada como matadouro de porcos em frente ao açougue."

Explosão de bomba mata 8 e fere 48 na Indonésia. Agência EFE via Terra.

Claro, não devemos esquecer-nos de que os fundamentalistas são na realidade os cristãos, que recebem ordens expressas do Vaticano, a "última ditadura da Europa Ocidental", para espalharem o terror pelo mundo.

Ironias à parte, 2005 foi um ano marcado pelo terrorismo e por desastres naturais. Com relação ao terrorismo, a campanha de atribuição às vítimas do papel de culpados ganhou mais força no mundo inteiro. Não poderia ser diferente, diante dos ditames do Kanun politicamente correto.

Os desastres naturais, por sua vez, também foram utilizados para fins de ativismo político, através da intensa campanha para transformar teorias científicas em mera sabedoria convencional.

Será que 2006 será diferente? Tenho cá as minhas dúvidas...

Blogosfera internacional: os meus destaques

Blogosfera nacional: os meus destaques (à direita)

(adenda) Prémio "Planeta Agostini"

O A3 do liberalismo agradece emocionado

Melhores Blogs e Alguns Sites

De Portugal:

Aforismos e Afins

Blue Lounge

My Guide to your Galaxy

Portugal Contemporâneo

A Casa de Sarto

Do Brasil:

Lata Mágica

Blog da Santa

Paulo Roberto de Almeida

Despoina Damale

Se Liga!

Destaco, ainda, alguns sites que muito me inspiraram em 2005:
Mídia Sem Máscara

Centro de Estudios Públicos (CEP Chile)

Olavo de Carvalho

Tech Central Station

Fareed Zakaria

30.12.05

Os meus destaques

Não ha contradições (so de termos)

2005

Mensagem para a Paz

"Basta pensar naquilo que aconteceu no século passado, quando aberrantes sistemas ideológicos e políticos mistificaram de forma programada a verdade, levando à exploração e à supressão de um número impressionante de homens e mulheres, exterminando mesmo famílias e comunidades inteiras.
(...)
Bem vistas as coisas, o niilismo e o fundamentalismo relacionam-se de forma errada com a verdade: os niilistas negam a existência de qualquer verdade, os fundamentalistas avançam a pretensão de poder impô-la com a força."

BENEDICTUS PP. XVI, "NA VERDADE, A PAZ"

Blogosfera internacional: os meus destaques

Comunicado de fim de ano do Grande Timoneiro

Choque de gestão

O fim da Bolívia?

Judging by its voters' behavior Bolivia, which has a population of 9 million, seems interested in remaining South America's poorest country. The country is both a major producer of coca and a loser in all its wars (most of which it started) against its five neighbors. In many ways it is a black hole in the heart of South America, which is precisely what makes it strategically important and explains Ernesto "Che" Guevara's having chosen it to jumpstart a communist revolution throughout the continent. Other than coca, Bolivia’s only major resource is the natural gas in the lowland departments of Santa Cruz, Beni and Tarija.###

But this is not just a case of a country that was polarized between two opposed ideological approaches and two very different leaders simply letting the people decide. Just like his mentor Chavez, the author of two failed coups against elected governments in Venezuela, Morales' idea of democracy is "If I win, fine; if not, 'the people' will bring me to power anyway" – as was demonstrated by his direct involvement in the overthrow of two constitutional presidents in the last three years by mob action. Morales election will make what remains of Bolivian democracy a charade. It will also revive a disturbing memory of Chile in 1970, when Salvador Allende was elected with a third of the vote but interpreted that as a mandate for revolution – which is precisely what Morales does.

(...)

And then there is Washington. Morales' destruction of democracy in Bolivia has been tolerated by the Bush administration for years. Hence the absence of any serious reaction when mobs led by Morales overthrew constitutional presidents Gonzales de Lozada and Carlos Meza, even though Morales' promised legalization of coca will made a joke of America's decades-old efforts to control and limit coca production in South America. Morales claims a historic right to cultivate coca because the Incas did it – except that even the Incas controlled production. In Bolivia, it was never cultivated in the Chapare – that was a 1980s development, far from "traditional," led by the likes of Morales and openly intended to make big money from cocaine, not from Indians chewing the leaves. Interestingly, when a military junta under Garcia Meza in 1980 got rich from drug trafficking, it was labeled "fascist," but now that Morales is openly proclaiming his intention to do basically the same thing, he calls it "progressive" and "traditional."

Blogosfera nacional: os meus destaques

Cem anos de solidez


"L'Opium des intellectuels" (Raymond Aron)

Os tempos são diferentes, as ameaças à liberdade também, mas os ensinamentos de Aron permanecem tão actuais e essenciais como o aforismo de Robert Musil: "nowadays only criminals dare to harm others without philosophy."

Bom ano de 2006.

Freitas questiona se Europa deve ter Constituição

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, considera que o projecto da Constituição Europeia "já não tem viabilidade" e defende a refundação do processo que levou ao texto constitucional, chumbado em referendo pela França e Holanda. O titular das relações externas questiona mesmo se a Europa deve ter uma Constituição.

(...)

Freitas do Amaral, apont[a] para um "tratado que unifique, simplifique e torne acessível" aos cidadãos europeus a "arquitectura" da UE.

Precisamente o que era a intenção inicial do projecto, entretanto desvirtuada, criticou o titular das relações externas "Em vez de se cumprir o mandato que tinha sido dado pelo Conselho Europeu, foi-se muito para além dele e fez-se um texto enorme, confuso, cheio de anexos, com centenas de páginas, que ninguém tem pachorra para ler, que não diz nada ao cidadão europeu." Para o MNE, a resolução do impasse nesta matéria poderá passar por um texto que represente "um denominador comum, um pouco menos ambicioso".
Resta saber se esta é a opinião do governo português ou "apenas" a do seu MNE. Recordo que ainda há poucos dias José Sócrates tinha dado o seu aval à ideia de "relançar" o projecto constitucional europeu.

[fonte: Diário de Notícias]

A confusão de Bolonha

O chamado processo de Bolonha é uma imposição burocrática que visa tornar compatíveis entre si os sistemas de ensino superior dos Estados europeus e permitir – alegam os governos – a mobilidade académica e profissional. Mas este processo é inútil. Como sabem todos aqueles que estão dentro do ensino superior, o facto de não existir até agora essa compatibilização dos sistemas nunca impediu os interessados de tirar cursos de graduação ou pós-graduação noutros países, de dar aulas nesses países, de ter projectos de investigação internacionais, etc. Também não é a falta de compatibilidade dos sistemas que impede os interessados de encontrar trabalho no estrangeiro. Os obstáculos à mobilidade sempre foram os do desconhecimento da língua e das características próprias dos outros países e, sobretudo, a preferência que os países dão aos seus nacionais no acesso à educação e ao trabalho. Nada disso mudará com Bolonha.

Uma função essencial do Estado

Em declarações publicadas na edição desta sexta-feira do Diário Económico, o secretário de Estado garantiu ter transmitido à organização «o mesmo apoio financeiro» do Estado que ficou acordado para esta mesma edição – três dos cinco milhões de euros necessários para financiar os 100 quilómetros de competição em solo português. Um acordo que cobre assim as próximas duas edições da prova, com partida garantida de Portugal.
Pelas minhas contas os apoios dos contribuintes do Estado irão somar 9 milhões de Euros. Sem dúvida, o Lisboa-Dakar é uma "prioridade nacional".

[fonte: Diário Digital]

Um bom ano de 2006

"Trust me" government asks that we concentrate our hopes and dreams on one man; that we trust him to do what's best for us. My view of government places trust not in one person or one party, but in those values that transcend persons and parties. The trust is where it belongs--in the people. The responsibility to live up to that trust is where it belongs, in their elected leaders. That kind of relationship, between the people and their elected leaders, is a special kind of compact.

Ronald Reagan, ‘Time to Recapture our Destiny’, proferido a 17 de Julho de 1980.


Que o ano de 2005 termina à beira da depressão é uma ideia que, de tão repetida, já todos aceitam. O governo pede sacrifícios e mostra-se esperançado em 2006. O povo anseia por dias melhores e, naturalmente, espera que o dito governo resolva, fazendo o que tem a fazer. Fora isso há uma enorme letargia que nos invade.

As dificuldades que vivemos resultam do excesso de Estado, traduzido em demasiada despesa que nos tira os rendimentos e os postos de trabalho. O ano 2005 demonstra, no entanto, algo mais que o país ainda não está pronto a reconhecer. Que o problema está no próprio governo e não, ao contrário do que este pretende fazer crer, no país. Senão vejamos: Ao défice das contas públicas, o Eng. Sócrates respondeu com aumento de impostos. Contra a estagnação económica, avança com a OTA, o TGV e um novo vazio que por aqui e acolá se ouve que é o virmos a ser ‘um país de eventos’; tudo projectos que aumentarão a despesa e o referido défice. Se por um lado Sócrates disse precisar de dinheiro para cobrir o défice, por outro pretende utilizar esse mesmo dinheiro para pagar obras públicas de proveito duvidoso. 2005 foi o ano do saque e, como muito bem referiu Alberto Gonçalves, a figura do ano foi a de urso que fizemos de Janeiro até agora.

Não é o país que está em crise. É o Estado. Mais precisamente o Estado Social que nos afoga na sua própria lama. 2005 demonstrou-nos isso. Quando daqui a um ano soubermos que o défice se mantém e o esforço foi em vão, 2006 pode bem vir a ser um ano de mudança. Todo o discurso político é no sentido de ‘dar’ confiança aos portugueses. Quando estes não a ‘receberem’, mas a ganharem, estará dado o primeiro passo.

P.S.: A todos os leitores d’O Insurgente desejo um bom ano de 2006 e que, nos próximos meses, deixando de ter medo de viver à margem do paternalismo que nos impõem, consigamos ser donos do nosso próprio destino.

O esplendor da democracia palestiniana (III)

Dozens of Palestinian policemen, angry at the growing lawlessness in the Gaza Strip, have stormed the southern border crossing at Rafah, officials say.

The police, backed by gunmen from the Fatah faction, blocked access to the crossing with Egypt and forced European Union monitors manning it to flee.
[fonte: BBC News]

O Estado, esse grande empregador

Em menos de um ano de governação, o Executivo já mexeu nas administrações de 24 empresas, reguladores e institutos da área económica. Até 2006, a lista vai aumentar e chegar às 30 com as mudanças já anunciadas nas administrações da EDP e da PT, e previstas em empresas como a TAP, Carris e STCP, cujos órgãos sociais estão em funal de mandato.
Depois venham dizer que os "jobs for the boys" são exclusivo dos governos de direita/esquerda (riscar o que não interessa).

[fonte: Jornal de Negócios]

Sobre o arranque pouco promissor de David Cameron

David Cameron, newly elected leader of the Tories, has got off to a wonderful start, as I am sure readers will agree. He has signed up Sir Bob "give us yer fokkin' money" Geldof to advise on world poverty; Zak Goldsmith, the environmentalist, has been also approached to advise on how to save the planet, and in a recent masterstroke, Oliver Letwin, a Tory MP, opined that the Tories should be concerned with redistributing wealth.

(...)

All that remains is for Cameron to steal Labour's old Clause Four promising nationalisation of the means of production, distribution and exchange. Then on to victory!

Religião, liberalismo e teorias da conspiração (2)

O Papa Woytila reforçou os laços da Igreja com o catolicismo tradicional na Europa, fazendo pelo caminho uma revolução política a partir da Polónia para o Centro e Leste da Europa, e incentivou o catolicismo em terras de missão, na sua função de Papa viajante. Morrendo diante de nós como morreu, falou também a sociedades cada vez mais de velhos e doentes, como é a nossa. Valorizou na Igreja os factores de continuidade, o catolicismo popular, o culto mariano, o papel das comunidades tradicionais, da família, do ensino. Gerou assim uma aproximação da Igreja ao homem comum que fora iniciada por João XXIII no concílio Vaticano II.

Bento XVI parte deste legado e parece, num primeiro olhar, voltar-se para a Europa, para a terra onde Pedro e Paulo construíram a "sua" Igreja, e onde, as sociedades dos dias de hoje são sociedades assentes na "família terrestre" e não na "família celeste" e por isso dependem da felicidade terrestre e não da celeste. Aqui o "espírito de missão" e a evangelização encontram um tipo de dificuldades muito diferentes das de fora da Europa, ou das de outros tempos europeus. Mas a sensação da perigosidade do mundo "lá fora" criou um ambiente favorável ao retorno a uma identidade cultural, na qual a Igreja tem um papel histórico e quer ter um papel actual.

É verdade que o cardeal-patriarca de Lisboa preveniu, numa missa recente, que o "cristianismo não é uma doutrina", o que se compreende para os homens de fé. Mas, para os que não a têm, Ratzinger está a contribuir para que, pelo menos como "doutrina", ele entre nas nossas reflexões. É o sinal de um "assalto" aos intelectuais, como há muito tempo a Igreja não tinha conseguido fazer.

29.12.05

O esplendor da democracia palestiniana (II)

Nei municipi dove Hamas si è insediata già si vedono i segni di un nuovo stile: le impiegate cristiane abituate a stringere le mani a tutti sono tenute a distanza dai nuovi eletti, secondo cui questo contatto fisico viola i principi islamici.

Nel programma generale di Hamas c’è anche l’imposizione di una tassa speciale a tutti i non musulmani residenti nei territori palestinesi, chiamata al-jeziya. È una tassa che ricalca quella applicata nell’intera storia dell’islam ai dhimmi, i cittadini di second’ordine ebrei e cristiani.

Intervistato da Karby Legget su “The Wall Street Journal” del 23-26 dicembre, il capogruppo di Hamas al consiglio comunale di Betlemme, Masalmeh, ha confermato: “Noi di Hamas intendiamo introdurre questa tassa. Lo diciamo apertamente: diamo a tutti il benvenuto in Palestina, ma a patto che accettino di vivere sotto le nostre regole”.
Como se pode ver, para o Hamas, os não-muçulmanos são seres inferiores e têm que pagar por isso. Em segundo lugar, mandam às malvas o multiculturalismo (mesmo que o árabes cristãos sejam também palestinianos, existam na Palestina antes dos muçulmanos e partilhem, em numerosíssimos aspectos, a mesma cultura, apenas sendo de diferente religião, não sendo por isso imigrantes que chegaram recentemente à Palestina).

Juan de Mariana

Juan de Mariana foi um liberal e um percursor dos clássicos e é, também, entre outros, um excelente exemplo para contrariar os fanatismos obscurantistas que pretendem reduzir a instituição que é a Igreja Católica, a sua História e os homens que a fizeram, nas perseguições da Inquisição.

O melhor na comunicação social portuguesa em 2005: Diário Económico

Golpes baixos

A direcção do PS equaciona a saída de Manuel Alegre do partido, devido à actual situação de «enorme crispação» existente entre o histórico socialista, candidato à Presidência da República contra a vontade do partido, a direcção de José Sócrates e o grupo parlamentar rosa.

Religião, liberalismo e teorias da conspiração

Rank with fear

Anteontem, depois das declarações de Cavaco Silva a este jornal, gerou-se uma tal onda de queixinhas e de indignações que qualquer cidadão seria levado a suspeitar de que alguma coisa estaria errada. Está. O que está errado é o clima de medo em que querem transformar estas eleições. Esta pobre estratégia populista parte do princípio que os portugueses são um bando de medricas ou de crianças que é preciso proteger a todo o custo de perigos imaginários e de tragédias improváveis. Esse medo é que é perigoso - é o medo da democracia, no fundo. Em todas essas queixinhas que se ouviram durante o dia (com aquele ar escandalizado das virgens velhas das peças de Lorca) não se viu uma ideia, um combate, uma prova de que Cavaco estava errado. Limitaram-se a aparecer em bicos de pés, lembrando "a tragédia" e "o perigo" que rondam a vida dos portugueses, esses ignorantes que deram a vitória a Sócrates e se manifestam por Cavaco.

Ora, o que a candidatura de Cavaco (para temor de soaristas e de cavaquistas) vem fazer, no fundo, independentemente de si mesmo, é interromper um ciclo conservador onde o "republicanismo" se sobrepõe aos "valores republicanos" e onde as manobras de bastidor são sempre mais importantes do que a clareza das ideias que se exprimem. Ao acusarem Cavaco de todas as ignomínias apenas porque ele se limitou a sugerir uma medida da mais elementar eficácia governativa (que ninguém discutiu, de resto), os seus adversários apressaram-se a acenar com banalidades e com a existência de "indícios", mostrando claramente o seu jogo a aposta no medo.

A penosa campanha eleitoral em curso, longa de mais, mostrará até ao fim esse tom de dramatização e de perseguição populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. Não o medo de Cavaco, mas o medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. De dedinho espetado, indignado, esse medo é que é perigoso e reaccionário. E, além do mais, pretende fazer dos portugueses gente sem discernimento ou inteligência.

Francisco José Viegas, "O medo é que é perigoso", Jornal de Notícias, 29-12-2005 [via Pulo do Lobo].

Em que ficamos?

Dos planos quinquenais

(…)entrepreneurial habit of mind cannot be implanted through training or education. It is something possessed and cultivated by an individual. There are no entrepreneurial committees, much less entrepreneurial planning boards.
(…)
There are thousands of reasons why entrepreneurship should never take place but only one good one for why it does: these individuals have superior speculative judgment and are willing to take the leap of faith that is required to test their speculation against the facts of an uncertain future. And yet it is this leap of faith that drives forward our standards of living and improves life for millions and billions of people. We are surrounded by faith. Growing economies are infused with it.


Não se pode ensinar a perguntar: "Porque não?"

Umbigos opacos

Subsidiar a competitividade...

O Governo criou hoje um grupo de trabalho para a criação de uma Sociedade Financeira para o Desenvolvimento (SOFID) e que se destina a apoiar investimentos em países em vias de desenvolvimento.(...)
Segundo Pedro Silva Pereira, no Orçamento do Estado para 2006, o Governo reservou uma verba de "271 milhões de euros para o apoio às políticas de cooperação".
(...)o grupo de trabalho que cria a SOFID "é constituído por um presidente e por um representante dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, Finanças e Administração Pública e da Economia a Inovação, bem como por um representante dos bancos portugueses".
(...)segundo a resolução hoje aprovada, no capital social da SOFID o Estado terá uma posição de accionista maioritário e, após a criação da instituição financeira, Portugal colocar-se-á "numa situação competitiva igualitária" face a outros países europeus.

Mas... Então não há falta de dinheiro!? E porque é que o estado vai criar uma nova instituição financeira? Não chega o grupo CGD?
Será que começam a faltar sítios para onde nomear mais alguns..., enfim..., "rapazes"?
E como é que o governo acha que estes subsídios/financiamentos ajudarão à competitividade do país?
Ao mesmo tempo, o PRIME quase perdeu o acesso aos fundos comunitários, por falta de projectos aprovados. No entanto, os adeptos do planeamento central, continuam a achar que conseguem guiar os agentes económicos para objectivos por si estabelecidos - quão omniscientes se acham!

[Ver o comunicado do conselho de ministros]

Megalomania?

space is an essential part of the great European project.
Jacques Chirac a propósito do lançamento do primeiro satélite do sistema Galileu.

Ganhar força lá fora

As candidaturas comentam o ocorrido

Politizando a ciência...

"Este artigo tem como objetivo principal mostrar como a mídia contribui para a politização da ciência, transformando-a em instrumento de ativismo para correntes ideológicas e afastando a investigação científica de sua verdadeira natureza. Ao mesmo tempo, ilustrarei através de dois exemplos (Supercondutividade e Teoria da Evolução) como a ciência, pelo menos da maneira como ela é feita hoje em dia, em seus patamares mais fundamentais sustenta-se sobre conceitos definidos aprioristicamente.
(...)
Afirmar que uma teoria é um fato, portanto, é uma maneira sutil de identificar com a realidade aquilo que se testa mediante a própria correspondência com a realidade. Em outras palavras, desvirtua-se a testabilidade e as pessoas são induzidas a acreditarem que a atividade científica produz verdades definitivas. Os resultados de pesquisas científicas passam a ser aceitos cegamente pelas pessoas, quase como 'dogmas', e são repetidos como se fossem mantras do palpiteirismo politicamente correto."

Claudio Téllez, "Os 'Fatos' da ciência"

Artigo publicado no Mídia Sem Máscara, baseado neste post.

Legalizar a prostituição ?

  • “Two adults enter a room, agree a price, and have sex. Has either committed a crime? Common sense suggests not: sex is not illegal in itself, and the fact that money has changed hands does not turn a private act into a social menace. If both parties consent, it is hard to see how either is a victim.”

    (Um argumento que será partilhado por muitos dos Insurgentes.)

  • "to provide more control over criminal behaviour and to ensure that women were protected from violence and exploitation." Outro argumento do mesmo tipo será a protecção da saúde pública."
Este dois tipos de argumentação foram utilizados para justificar a liberalização da prostituição em países como a Holanda, a Austrália (nalguns estados), a Alemanha e a Suécia.

Acontece que os objectivos acima referidos não foram atingidos. Antes pelo contrário:
"organised crime, including trafficking, flourishing in both localities, and the illegal layers of the industry continuing to accommodate women who are funding drug addiction.” ... several licensed brothels ... used trafficked women. In legalised regimes, street prostitution continues, under-age girls are recruited, and local communities are unhappy to have what The Economist admits “may be a grubby business” under their noses.
Nestes casos é habitual argumentar que o que está em causa não é a liberalização em si mas a forma como esta foi implementada. Serão os entraves colocados ao livre funcionamento do mercado pela regulamentação estatal que são responsáveis pelos maus resultados conseguidos. No entanto, neste caso, uma das experiências de liberalização aproxima-se do ideal do 'laissez faire' e os resultados não são melhores.

E, para além disto, existem um conjunto de factos que fazem pensar:

  • "Common characteristics of prostitutes as outlined in a British Government discussion paper include: high levels of physical and sexual abuse in the family; poor school attendance and time spent in care; homelessness and having run away from home; drug use – as many as 95 per cent of those in street-based prostitution are believed to use heroin or crack. Women like this are not free agents. Nor are those who, from a young age today, are groomed by people exploiting the opportunities of the internet."

  • "the vast majority of women do not want to be in the trade. Only five per cent willingly sell sex and the rest have been forced into it, says Ms Cuerdas. Her figure tallies with research in San Francisco which found that 89 per cent of women in prostitution wanted out but were trapped by violence, addictions and hopelessness.(10) The Scottish Parliament report notes that 79 per cent of prostitutes in the Netherlands want to get out".

  • “It is clear from research that men increasingly seek out prostitutes for reasons of domination rather than for sexual gratification...They seek out prostitutes because it gives them an experience of total domination and control of a woman for a specific period of time.”...Ultimately the relationship is unequal because the physical dominance of the male always has the potential for force and violence."
Talvez seja este conjunto de motivos que tenham levado a Suécia, após 30 anos de liberalização da prostituição, a voltar a criminalizar a "compra de sexo".

Apresento de seguinda o artigo de onde retirei estas citações. Quaisquer dados empíricos adicionais que eventualmente contradigam ou suportem as conclusões apresentadas são bem-vindos.###

The ultimate free market: selling herself
By Carolyn Moynihan
Thursday, 08 December 2005
Can there be anything wrong with transactions made between consenting adults, no matter how degrading? MercatorNet investigates arguments for legalised prostitution.
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What is the price of a woman? In London a man may buy the services of a prostitute for £150 to £400, depending on what he wants from her. But this is not only a question about the price a woman may put on her sex. Increasingly it refers to the price her pimp has paid for the girl herself – body and soul, so to speak.(1)

Under-cover investigations by Britain’s Sunday Telegraph have revealed that a young woman may be bought in eastern Europe for as little as £1300. Criminal gangs run a modern slave market in which girls are lured from impoverished post-Communist countries with promises of jobs as waitresses, dancers or au pairs – or simply bullied into leaving home. They are beaten and raped and kept in cellars before being on-sold to prostitution rackets in London and other destinations. Up to 6000 women are said to have been brought to Britain and forced into the sex trade in recent years. About 1500 traffickers were arrested there last year.(2)

In Germany, where prostitution has been legalised, brothel owners and prostitute collectives are excited by the prospect of a business boom when the World Cup is held in their country next year. “We expect some great revenues,” says an official of the Hydra prostitute advice centre in Berlin. But women’s groups, church leaders and trade unionists have warned that thousands of women – as many as 40,000 – could be smuggled in from eastern Europe for the series, many of them coerced into prostitution or duped by criminal gangs. Football leaders seem unconcerned.(3 ) Already there are an estimated 500,000 such women in western Europe.

A similar trade involves women from Southeast Asia and Latin America who are trafficked to Japan, Australia, China, Hong Kong and elsewhere. The International Labour Organisation estimates that there are 12.3 million people enslaved in forced or bonded labour at present and that about 2.4 million are victims of the trafficking industry, whose annual income is worth about $10 billion.(4) According to a new report, at least half of these would be victims of forced prostitution.(5)

A legitimate form of commerce?

Of course, not all prostitutes are trafficked. But the question forced on us by the new slave trade is, how free are all the others? Do the “cellar girls” of Macedonia represent a completely different “industry” to the usual prostitution scene, or do the two exist on a continuum, one preparing the ground for the other?

According to the influential British magazine The Economist they are completely different and the attempt to link them is a ploy to reimpose moralistic laws on a legitimate form of commerce, which it describes in the following way: “Two adults enter a room, agree a price, and have sex. Has either committed a crime? Common sense suggests not: sex is not illegal in itself, and the fact that money has changed hands does not turn a private act into a social menace. If both parties consent, it is hard to see how either is a victim.”(6)

Only puritanical moralising and unrealistic law-making prevent this “pure” form of the sex market with its freely consenting adults from becoming the norm, the paper argues.

Many governments seem to agree. Putting (puritanical) morality to one side, the Netherlands and the Australian state of Victoria, for example, have legalised brothels – subject to licensing – and given prostitutes the opportunity to be unionised, tax-paying workers like everyone else. Street soliciting remains illegal, although the Netherlands has experimented with tolerance zones.

Failed experiments
Admittedly, the rationale for these moves was not laissez-faire economics but to provide more control over criminal behaviour and to ensure that women were protected from violence and exploitation. On those grounds, at least, legalisation has failed.

A report for the Scottish Parliament in 2003 states: “Neither of these aims seems to have been achieved, with organised crime, including trafficking, flourishing in both localities, and the illegal layers of the industry continuing to accommodate women who are funding drug addiction.” It was estimated that up to 200 were “under contract” in Victoria [Australia] at any one time, and several licensed brothels there had used trafficked women.(7) In legalised regimes, street prostitution continues, under-age girls are recruited, and local communities are unhappy to have what The Economist admits “may be a grubby business” under their noses.

The trouble, says the paper, is that reforms have not gone far enough. Requirements like the registration of prostitutes spoil the free market model. With a completely laissez-faire approach, “[b]rothels would develop reputations worth protecting. Access to health care would improve – an urgent need, given that so many prostitutes come from diseased parts of the world.” Abuses such as child or forced prostitution should then be treated as the crimes they are – nothing essentially to do with prostitution.

This vision of “brothels with brands” standing aloof from the criminal world appears to have materialised in Berlin, where a €5 million brothel has just opened in 3000 square meters of a refurbished warehouse. The four-story building will accommodate up to 100 prostitutes and 650 male clients. Its owners will demand that its “sex workers” provide their tax numbers and proof of permission to work in the European Union. Oh, and how lucky that the main World Cup venue is just three train stops away. “Football and sex belong together,” opines the brothel operators’ lawyer. Nice bit of branding going on there.(8)

Modern slavery

But it takes more than work permits, tax numbers and marketing slogans to make women in the sex trade free. The evidence, in fact, suggests that a free prostitute is a contradiction in terms, a fantasy existing only in the libertarian mind of The Economist and its fellow travellers. Prostitution is a form of slavery and trafficking has only made that obvious.

It is true that most prostitutes are not trafficked, but most of them now are immigrants – more than 90 per cent in Spain, which is currently debating the problem. Trying to escape poverty, women enter such countries more or less legally and cannot find other work. Spanish trade union leaders say the women work in virtual slavery and they want the trade legalised and regulated in order to protect women and their rights as workers.(9)

The Spanish Feminist Party agrees about the slavery but disagrees about the solution. A representative, Silvia Cuerdas, says legalising prostitution is the same as legalising sexual abuse because the vast majority of women do not want to be in the trade. Only five per cent willingly sell sex and the rest have been forced into it, says Ms Cuerdas. Her figure tallies with research in San Francisco which found that 89 per cent of women in prostitution wanted out but were trapped by violence, addictions and hopelessness.(10) The Scottish Parliament report notes that 79 per cent of prostitutes in the Netherlands want to get out.

Even without trafficked women and immigrants, women in the sex trade typically come from backgrounds which severely limit their freedom. Common characteristics of prostitutes as outlined in a British Government discussion paper include: high levels of physical and sexual abuse in the family; poor school attendance and time spent in care; homelessness and having run away from home; drug use – as many as 95 per cent of those in street-based prostitution are believed to use heroin or crack.(11) Women like this are not free agents. Nor are those who, from a young age today, are groomed by people exploiting the opportunities of the internet.

Searching for domination

And what of the “clients”? Are they free men looking for an equal with whom they can have some simple sex? On the contrary, a recent pastoral document from the Catholic Church states: “It is clear from research that men increasingly seek out prostitutes for reasons of domination rather than for sexual gratification. In social and personal relationships they experience a loss of power and of masculinity and are unable to develop relationships of mutuality and respect. They seek out prostitutes because it gives them an experience of total domination and control of a woman for a specific period of time.”(12)

One international survey showed that there are men who prefer “young and unfree persons because they are more docile”.(13) Ultimately the relationship is unequal because the physical dominance of the male always has the potential for force and violence.

Who, really, is the woman who sells her body? The pastoral document referred to above says unequivocally she is a victim. “She is a human being, in many cases crying for help because selling her body on the street is not what she would choose to do voluntarily. She is torn apart, she is dead psychologically and spiritually. Each person has a different story, mainly one of violence, abuse, mistrust, low self-esteem, fear, lack of opportunities. Each has experienced deep wounds that need to be healed. What are they looking for? They seek relationships, love, security, affection, affirmation and a better future for themselves and for their families. They want to escape from poverty and lack of opportunities and they want to build a future.”

Legalisation does not help them achieve freedom but condones their exploitation. Recognising this, Sweden has turned its back on three decades of legalised brothels and massage parlours and criminalised the buying of sex. The selling of sex has been decriminalised with the aim of motivating women to get out of the trade without risking punishment. Ample funds have been made available for exit strategies, including drug and alcohol treatment, and for education of the public. The law, which sends a clear message to men and boys that recourse to prostitution is unacceptable, is supported by 80 per cent of people in opinion polls.(14)

For some time now developed countries have looked to Scandinavia for models of sexual enlightenment and liberation. It would pay the liberal West to keep looking that way. If Sweden can see that when a woman puts a price on her body she is not free – in any way – then perhaps the rest of us can.

Hoje de manhã ultrapassei o Carlos Sousa

Nos jornais

Stern was an Ivy League graduate when he went to his first union meeting. He went, he says, because pizza was being served. The class struggle, like God, moves in mysterious ways.

George Will, sobre Andy Stern, sindicalista dirigente do SEIU (Service Employees International Union).

Para continuar a alimentar o "monstro"

Fernando Lanhas e a invenção do mundo

Porque o saber não tem idade, e consigo, com a sua longa e jamais interrompida lição de vida e de obra, o saber já não é simples acumulação de dados e de informação, vastos que sejam, mas antes o que só raros atingem, mas de que todos beneficiam quando o aproximam. O que Fernando Lanhas nos traz, e isso sobretudo lhe queremos agradecer, é essa outra dimensão, inefável e mais alta: a sabedoria.
[excerto do Elogio a Fernando Lanhas por Bernardo Pinto de Almeida por ocasião da atribuição do grau de Doutor Honoris Causa ao primeiro]

Ann Coulter, Bush e a celebração do "Kwanzaa"

President Bush's 2005 Kwanzaa message began with the patently absurd statement: "African-Americans and people around the world reflect on African heritage during Kwanzaa."###

I believe more African-Americans spent this season reflecting on the birth of Christ than some phony non-Christian holiday invented a few decades ago by an FBI stooge. Kwanzaa is a holiday for white liberals, not blacks.

It is a fact that Kwanzaa was invented in 1966 by a black radical FBI stooge, Ron Karenga, aka Dr. Maulana Karenga. Karenga was a founder of United Slaves, a violent nationalist rival to the Black Panthers and a dupe of the FBI.

(...)

In one barbarous outburst, Karenga's United Slaves shot to death Black Panthers Al "Bunchy" Carter and Deputy Minister John Huggins on the UCLA campus. Karenga himself served time, a useful stepping-stone for his current position as a black studies professor at California State University at Long Beach.

Kwanzaa itself is a lunatic blend of schmaltzy '60s rhetoric, black racism and Marxism. Indeed, the seven "principles" of Kwanzaa praise collectivism in every possible arena of life -- economics, work, personality, even litter removal. ("Kuumba: Everyone should strive to improve the community and make it more beautiful.") It takes a village to raise a police snitch.

When Karenga was asked to distinguish Kawaida, the philosophy underlying Kwanzaa, from "classical Marxism," he essentially explained that under Kawaida, we also hate whites. While taking the "best of early Chinese and Cuban socialism" -- which one assumes would exclude the forced abortions, imprisonment for homosexuals and forced labor -- Kawaida practitioners believe one's racial identity "determines life conditions, life chances and self-understanding." There's an inclusive philosophy for you.

(...)

Kwanzaa was the result of a '60s psychosis grafted onto the black community. Liberals have become so mesmerized by multicultural nonsense that they have forgotten the real history of Kwanzaa and Karenga's United Slaves -- the violence, the Marxism, the insanity. Most absurdly, for leftists anyway, is that they have forgotten the FBI's tacit encouragement of this murderous black nationalist cult founded by the father of Kwanzaa.

Now the "holiday" concocted by an FBI dupe is honored in a presidential proclamation and public schools across the nation. Bush called Kwanzaa a holiday that promotes "unity" and "faith." Faith in what? Liberals' unbounded capacity to respect any faith but Christianity?

A movement that started approximately 2,000 years before Kwanzaa leaps well beyond merely "unity" and "faith" to proclaim that we are all equal before God. "There is neither Jew nor Greek, slave nor free, male nor female, for you are all one in Christ Jesus" (Galatians 3:28). It was practitioners of that faith who were at the forefront of the abolitionist and civil rights movements. But that's all been washed down the memory hole, along with the true origins of Kwanzaa.

Leituras

Bons blogs de esquerda

Queima de fogos... e de arquivos!

Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

No Brasil, é costume soltar fogos para comemorar qualquer coisa que seja. Ainda não consegui identificar, por exemplo, quem é o bestavizinho que se diverte atirando petardos pela janela, em horários escolhidos aleatoriamente, aqui no condomínio onde moro.

Para as comemorações de Ano Novo, algumas toneladas de pólvora serão queimadas no Rio de Janeiro, fato que não me incomoda, já que pretendo ficar quietinho em meu apartamento, bem acompanhado com alguns litros de vinho tinto, com as janelas bem fechadas e as orelhas devidamente tampadas.

Este ano, além da queima de fogos de artifício, estamos fechando 2005 com um incêndio no edifício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em Brasília:
"O ministro da Previdência e Assistência Social, Nelson Machado, afirmou nesta terça-feira que o maior prejuízo provocado pelo incêndio no prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Brasília, foi no andar onde ficam os documentos com informações de receita previdenciária, dívidas de empresas e autos de infração. Segundo Machado, o pagamento dos benefícios não será comprometido, mas a perda de processos relativos a devedores do INSS afetará a aplicação de multas, a cobrança e a detecção de fraudes."

Fogo no INSS destrói processos de devedores, via Portal Terra.

Aliança austríaca transatlântica

Sobre os herdeiros políticos de Marcello Caetano

Feliz Ano Novo?

"Votos de Ano Novo? Ora, façam-me um favor! Quem pode fazer votos de que tudo o que está acontecendo pare de acontecer, de que tudo o que não acontece, mas deveria, comece a acontecer? O Brasil não precisa de um milagre. Precisa da mais extraordinária conjunção de milagres que se poderia imaginar. E milagres, mesmo individualmente, jamais acontecem quando os possíveis interessados estão pedindo exatamente o contrário."

Olavo de Carvalho, "Feliz Ano Novo? Que cinismo!"

(via Mídia Sem Máscara)

No artigo, o autor explica bem com foi o ano de 2005 no Brasil, qual é a atual situação brasileira e explica por que não devemos esperar muito para 2006...

28.12.05

O intermediario

the shortest distance between two points is not a straight line--it's a middleman
- Ayn Rand na voz de Kent Lansing em The Fountainhead

Leitura

Patético

os retalhistas chegam a aumentar em 70% o preço das frutas e legumes
###Neste caso fica-se com a ideia que o retalhista compra ao produtor (outro assunto ainda) por 10 Eur (+IVA) e vende por 17 Eur (IVA incluído). Assim, ao preço final há que deduzir 12% do imposto resultando uma margem bruta de comercialização (sobre o preço de venda) de 30%. Ridículo, se considerarmos que frutas e legumes são produtos perecíveis e que nunca se consegue vender 100% do que se comprou. Considerando ainda despesas, impostos, etc, esta margem é o suficiente para qualquer pequeno retalhista falir ao fim de três meses.

Diz-se na mesma noticia:
o patamar entre o produtor e o consumidor era responsável pela formação de 70% do valor do produto
Parece mais plausível. Assim, o retalhista compraria a 10Eur (+IVA) para vender a 33,34Eur (IVA incluído). Deduzindo o IVA (3,56Eur), resulta uma margem bruta de comercialização de 58%. Esta margem bruta de comercialização num quilo de maçãs não é nada de outro Mundo. Considerando ainda que o pequeno retalhista compra a intermediários (que também detêm uma margem), em que ficamos?
O que resta é a indignação de Maria Antónia Figueiredo que é livre de não comprar frutas ou legumes na mercearia ou no hipermercado e ir directo ao produtor. Aliás, nada impede ninguém de o fazer se achar que os intermediários praticam margens excessivas. Pelo tom indignado e panfletário das notícias e da dita senhora (ouvi-a na Rádio Bagdad hoje de manhã), a melhor solução seria abrir uma mercearia, porque aparentemente é um negócio com lucros astronómicos e de enriquecimento fácil. O caso dos hipermercados é completamente diferente, até porque o modelo de negocio não é baseado nas margens, mas, entre outras coisas, na rotação do produto e mereceriam um estudo separado. Metê-los no mesmo saco que as mercearias ou outros retalhistas é no minimo falta de honestidade.

P.S. Só por curiosidade, o que faz o estado para receber 12% do valor de todas as maçãs vendidas?
P.S. II Os retalhistas e intermediários não recebem subsídios porque chove muito ou porque chove pouco e ainda pagam o PEC.

The Ideology Selector (2)

Re: Para mais tarde recordar [2005]

Recordar é viver...

O esplendor da democracia palestiniana

Dozens of masked Palestinian gunmen took over election offices in the Gaza Strip, exchanging fire with police and demanding spaces for the ruling Fatah Party's military wing on a list for Jan. 25 parliamentary elections.

(...)

In another blow to efforts by Palestinian leader Mahmoud Abbas to restore order to the chaotic territory after Israel's summer pullout, three British citizens were kidnapped at the Rafah crossing from Egypt into Gaza on Wednesday. Palestinian security spokesman Adnan Barbach said the three were British citizens. It was not known who abducted them.###

(...)

Such activity by gunmen has become increasingly common in the West Bank and Gaza in recent months, underscoring growing lawlessness in the Palestinian territories. Wednesday's violence highlighted the rising chaos within Fatah itself, adding the demands for participation of the Fatah-affiliated armed group, Al Aqsa Martyrs Brigades, to an already volatile mix of competing interests.

(...)

Israel's recent withdrawal from Gaza has enabled militants to reach launching grounds closer to Israel, bringing southern towns within rocket range.

Ser ou não ser

Uma das coisas que me tem intrigado nesta campanha eleitoral, é o frequente uso da palavra "crispado" para classificar Cavaco Silva. Basta, aliás, fazer uma busca no Google com as palvras "crispado cavaco" para encontrar 579 referências.
Mas afinal, sendo "crispado", o que é, melhor, como é Cavaco?
Recorro outra vez à internet. No Priberam surge:
sing. part. pass. de crispar; do Lat. crispare; v. tr.; enrugar; franzir; encrespar; enclavinhar; v. refl.; contrair-se, enrugar-se.
Então e se fôr "crispação" (aponta-se, por vezes, o risco de Cavaco vir a criar muita)? Encontrei 859 referências no Google. E o que é?
derivação fem. sing. de crispar; acto ou efeito de crispar; contracção involuntária de certos músculos; enrugamento causado pelo frio ou pelo vento.
Bom, após esta pequena investigação, inclino-me para a possibilidade de os seus adversários estarem preocupados com algumas rugas que apresente e com a possibilidade de essa sua condição contagiar quem o rodeia - o país inteiro, aparentemente.
Curioso. É que me parece que a preocupação com o encarquilhar político do país, com o risco de franzir os anos que se avizinham, era melhor dirigida para as candidaturas de esquerda, baseadas em ideias que poderão significar um futuro ainda mais contraído para Portugal.
Já se acusassem Cavaco de ser capaz de encrespar alguém, creio que se refeririam aos que tanto se irritam por não o conseguirem crispar.

2005, factos e figuras

Os sucessivos governos bem podem mover esforços para estabelecer padrões de ambição e grandeza. Sem uma população igualmente esclarecida e “mobilizada”, não vale a pena. É como dar pérolas a porcos. Ou estádios a moscas. Donde a figura do ano também não ter sido o sr. Bono, o eng. José Sócrates, Lance Armstrong ou o Papa. A figura de 2005 foi aquela que os portugueses fizeram perante o saque altruísta e impune dos dinheiros públicos a que se chamou, por eufemismo, Euro’2004. Uma figura de urso, aliás imbatível ano após ano.

SIm, mas aposto que ninguém consegue ter 99% como o Saddam!

The Ideology Selector

Che Messenger

Conservative counterintelligentsia

Forças de bloqueio

O setubalense Mário Nogueira queria ser candidato à presidência da república. Louvável intenção de um cidadão que queria dedicar-se ao serviço público.
Infelizmente, apesar de afirmar ter 8.000 assinaturas, não conseguiu que as juntas de freguesia lhe enviassem as certidões que as comprovavam (segundo ele, por culpa dos CTT e das greves nas autarquias).
O que me parece mais grave são estas outras afirmações do ex-candidato a candidato (via RSO):
«A lei parece não ser igual para todos», reclamou a dada altura, quando o TC lhe terá explicado que «as assinaturas dos movimentos independentes vão ser totalmente analisadas, enquanto se pressupõe que as dos partidos estão todas correctas».
A ter existido tal explicação, pode-se mesmo pôr em causa o processo em curso. Será, talvez, tempo de acabar de vez com a recolha e certificação de assinaturas pelas juntas de freguesia. Mantendo o actual sistema, priveligiam-se os apoiados pelos serviços dos partidos (as famosas máquinas partidárias, habituadas a estes processos burocráticos) e limita-se uma maior participação cívica. Já agora: porquê e para quê deve o estado saber que um determinado cidadão apoia a candidatura de outro?

Ebenezer Scrooge era um bom patrão

Don't believe all of that bah-humbug that Ebenezer Scrooge was an unfair and uncaring employer.
It can be argued, a UNLV professor says, that the Charles Dickens' character from the Yuletide classic "A Christmas Carol" paid a fair wage and provided decent benefits, at least for the era when the story takes place -- the early 19th century.###
(...)The arguments supporting that Scrooge was a fair employer, Weinstein says, include:

* He paid his accountant Bob Cratchit 15 shillings, six pence, a week -- a prevailing wage of the early 1800s for a small business such as Scrooge & Marley.

* Although Scrooge complained about it, he gave Cratchit Christmas Day off with pay at a time long before most employers gave their workers holidays off.

* Although Scrooge was concerned that he was wasting a lump of coal by allowing Cratchit to put it in the office furnace to keep warm, many businesses at that time, "especially the factories where children were forced to work," did not even have furnaces.

* Although readers might feel sorry that Cratchit had to work by candlelight, there was little Scrooge could do about that because Thomas Edison's lightbulb was still about 75 years away from being invented. Candlelight was the only way to work after it got dark in the days long before the 40-hour workweek became the norm in the workplace.

Weinstein also noted that while readers are saddened that Cratchit's son, Tiny Tim, is dying and his father cannot afford health care for him, "health insurance was an alien concept in those days."

Leituras recomendadas

[I] Pode o presidente da República impôr uma determinada política ao governo?
[II] Pode o presidente interferir na orgânica do governo?
[III] Pode o presidente da república propôr (impôr) leis à Assembleia da República?
[IV] Pode o presidente forçar a demissão de um ministro?
[V] Pode o Presidente da República organizar congressos de oposição ao governo?
[VI] Pode o Presidente da República usar viagens de estado para dar apoio a amigos fugidos à justiça?
Tentem pensar um pouco nas respostas antes de irem ver o que o JM escreveu...

Soares, o agricultor

Mário Soares está "furioso" com os restaurantes portugueses que não apostam na comercialização dos produtos nacionais. "Hoje comemos toda a ordem de frutas, de todos os países, em vez de comermos os nossos próprios. Eu fico furioso quando peço pêras ou maçãs e não há. Mas há papaia e outros frutos desse estilo. É uma pena que seja assim", disse o candidato a Belém, durante uma visita ao Alentejo.

Soares saiu ontem em defesa da agricultura nacional em Monte do Trigo, no concelho Portel, onde andou de todo-o-terreno pelos caminhos sinuosos que circundam o empreendimento de Alqueva, para tentar mostrar como "valeu a pena" a aposta no chamado "Alentejo verde", que reivindicou para os seus governos.

"Foi uma luta imensa", sublinhou, garantindo que "sempre" apostou na agricultura, mesmo contra os pareceres "de muitos economistas ou economicistas que achavam que a agricultura é para esquecer", sustentando que hoje o resultado está à vista. "Vamos ter aqui muito regadio, muito boa agricultura. Agora é uma questão de a poder comercializar e sermos capazes de vender os nossos produtos e de os consumir internamente."


Conslusões:
(1) Soares quer impor os seus gostos aos dos restantes portugueses
(2) Para Soares, a viabilidade económico dos projectos não lhe interessa para nada. Primeiro constroi-se. Depois logo se vê se se consegue fazer alguma coisa "daquilo".
(3) Soares (ainda) acredita que "o futuro de Portugal é a agricultura".
(4) É defensor da autarcia.

[fonte: Diário de Notícias]

Substituição de discriminações?

"Apresento a minha demissão devido à minha impossibilidade moral de unir pelo casamento casais homossexuais, pelo que não posso aplicar esta lei", anunciou, ontem, o juiz António Alonso, da região de Madrid.

"A lei está feita para que todos aceitem o casamento homossexual e que todo aquele que não esteja de acordo abandone o seu cargo", acrescentou.
O governo espanhol entendeu que deveria permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A respectiva lei foi aprovada pelo parlamento, estando pendente um recurso apresentado pelo PP sobre a sua eventual inconstitucionalidade.

A minha questão está relacionada com a fronteira entre os imperativos morais e os imperativos legais. Este juiz (admitindo que age de boa fé) confrontado com um conflito entre uns e outros, não vendo maneira de fazer cumprir a lei e ao mesmo tempo manter a sua integridade moral, tomou a única solução que lhe era possível: eliminou o conflito, demitindo-se.

Sendo que uma das razões para a legalização dos casamentos homossexuais terá sido a sua não discriminação, será que obrigando todos os juízes a cumprir a lei não se estará a discriminar os juízes que, por imperativos morais/de consciência, não possam/consigam realizar os ditos casamentos? Por exemplo, em Portugal, existia a figura objector de consciência perante o serviço militar obrigatório. Será que não deveria o Estado Espanhol ter tido a preocupação de arranjar um estatuto semelhante para juízes objectores de consciência perante os casamentos homossexuais?

Abandon all hope

David Cameron sought to outflank Labour last night by recruiting Bob Geldof, the anti-poverty campaigner and pop star, to help to form Conservative Party policy.

Geldof, who organised last summer's Live8 rock concerts and served on Tony Blair's Commission for Africa, will act as a consultant to the Tories' new policy group on globalisation and global poverty.
[fonte: Daily Telegraph]

27.12.05

Coisas que so as ondas fazem II

Coisas que so as ondas fazem

Os media e o Iraque

Os mortos têm prazo de validade

Human rights organizations estimate that more than 300,000 people, mainly Kurds and Shiite Muslims, were killed and buried in mass graves during Saddam's 23-year rule, which ended when U.S.-led forces toppled his regime in 2003. Saddam and seven co-defendants are now on trial for the deaths of more than 140 Shiites after a 1982 attempt on Saddam's life in the town of Dujail, north of Baghdad [fonte].
Afinal de contas, depois de noticiar as patifarias que os malvados judeus andam a fazer, sobra tão pouco espaço.

Além disso, ainda não acreditamos que Saddam Hussein não conseguiu mesmo anexar o Kuwait, ou "Kuweit", ou lá como raio é que aquilo se chama (repare no título da notícia)...

Leitura recomendada

(intervalo publicitário)

As expectativas dos candidatos

Com já aqui tinha referido, apenas as candidaturas que consigam 5% dos votos beneficiam da subvenção estatal [1]. A subvenção total é equivalente a 10.000 salários mínimos mensais [2]. Deste total 20% são distribuidos equititativamente por todos os candidatos que consigam atingir 5% dos votos. Os restantes 80% são distribuidos de forma proprorcional pelos que cumprem o requesito anterior [3].

Baseando-me na legislação e nos orçamentos das candidaturas presidênciais, através do valor previsto subvênção estatal, procurei extrapolar as expectativas de votação de cada uma das candidaturas [4]. Apresento-os por ordem descrente da percentagem de votos estimada.

Candidatos% de votos estimada

Cavaco Silva

50%

Manuel Alegre

24.5%

Mário Soares

24.5%

Francisco Louçã

9%

Jerónimo Sousa

6.5%

Manuela Magno [5]

5%

[1] nº2 do Artigo 17º da Lei 19/2003 de 20 de Junho

[2] nº4 do Artigo 17º da Lei 19/2003 de 20 de Junho

[3] nº1 do Artigo 18º da Lei 19/2003 de 20 de Junho

[4] Fiz ainda a premissa adicional que a soma dos votos dos restantes candidatos não ultrapassará 1% dos votos.

[5] No caso de Manuela Magno, ressalvando a hipótese do erro ser meu, os votos nos candidatos não elegíveis para a subvenção estatal necessita ser, pelo menos 17%!!!

Grau zero reloaded

Fontes de financiamento das candidaturas presidênciais

CANDIDATOSPRIVADOSESTADOPARTIDOS

Manuel Alegre

40%

60%

0%

Garcia Pereira

100%

0%

0%

Manuela Magno

11%

89%

0%

Carmelinda Pereira

65%

0%

35%

Luís Guerra

100%

0%

0%

Cavaco Silva

55%

45%

0%

Francisco Louçã

10%

78%

12%

Jerónimo Sousa

3%

32%

65%

Mário Soares

19%

30%

51%

Nota: Apenas beneficiam da subvenção estatal ("Estado") os candidatos que atingirem 5% dos votos expressos.

[fonte: Tribunal Constitucional ]