17.9.05

A propósito da descredibilização dos políticos

James Buchanan e as escolhas públicas

Democracia e liberalismo

16.9.05

A proposito da sondagem Insurgente

Comunismo, socialismo e social democracia

O caneiro - II

"Amigos Em Portugal" reeditado!

Digitally re-mastered from vinyl, this is a limited re-release of the hard to find import Amigos Em Portugal. 'Amigos..' was released first time around in 1983 is a pre-cursor to one of the great Durutti Column albums Without Mercy although ironically it was supposed to be something more along the lines of something shorter. Recorded over a matter of only a couple of days – such is always the case with Vini Reilly - the album allegedly was supposed to be a single or extended play and Vini was just enjoying the tape time playing many of the current work in progress pieces which later became part of the classical experiment with Music degree students Without Mercy. The newly-formed Portuguese label had the tapes and different a idea! Having heard several versions of events it is safe to at least say it was not quite as expected by either Factory or the band at the time. Most of the tracks here have a beautiful fragility whether just solo guitar instrumentals 'Estoril a Noire' or piano pieces such as 'Wheels Turning' or the piano loop from Without Mercy 'Favourite descending intervals'. Yes... the times when Vini played piano... the years before he believed he was 'an awful and discombobulated pianist' in his own words. It is the second release in a series of limited re-issues from the band on the imprint durutticolumn.com, the first of which Live At The Venue sold out on pre-sale. Three or four other albums of rare or previously unreleased material are planned over the next eighteen months. All will be 1000 copy only pressings.


Ao que sei está disponível (pelo menos) na Piranha (Porto) e Fnac Chiado.

[fonte: Tone Vendor]

Dizer mal é bom, quando com bom propósito

Orçamento, controllers e regras

Uma das ideias novas para combater a tendência para mais despesa é a introdução da figura do “controller”. Apesar de se poder vir a revelar útil, a sua mera criação não afecta como a despesa pública é usada (e abusada). A determinação da despesa, e as consequências da mesma, são muito diferentes numa empresa privada e na máquina do Estado, e logo o enquadramento de um “controller” numa e noutra será também distinta.

Numa empresa privada (normalmente, uma grande empresa), o “controller” está identificado com os objectivos da empresa - contenção de custos, inovação de processo, melhor gestão, como forma de assegurar a sobrevivência da empresa a longo prazo.

No sector público, dificilmente a ideia de sobrevivência será determinante para que os interesses do “controller” estejam alinhados com os objectivos de menor mas melhor gasto público (usando uma frase já usual nestes contextos). É de prever uma rápida aculturação dos “controllers” ao ritmo da máquina burocrática (ao fim de uns meses, o sindicato; depois, a definição da carreira, seguidas dos direitos inerentes à mesma, rapidamente “adquiridos”).

O caneiro

Liberality

Por uma taxa única de tributação

Insólito

o principal resultado destas sondagens é empurrar Cavaco Silva para a candidatura que se calhar não deseja. As sondagens cortam-lhe o caminho da retirada e obrigam-no a entrar na arena.
Excptuando o caso de JMF possuir algum tipo de informação privilegiada (inacessível ao comum dos mortais) confesso que não percebo de onde retira tal conclusão. Nada, nas declarações de Cavaco Silva, indica que não deseje ser candidato. É certo que poderia preferir outro oponente mais fácil de bater. As sondagens têm, no entanto, indicado que porventura Alegre não seria batido com tanta facilidade como à partida se esperava.

Greenspan, the greatest central banker ever

Ciclo de vida do produto

O problema estrutural da candidatura de Soares não é de ordem estratégica. O problema não está no marketing político. Está no ciclo de vida útil do produto: não constitui novidade e, por outro lado, não ilude ninguém. Não faz sonhar. Não dá qualquer tipo de esperança.
PG, boa análise.

Campanhas privadas. meios públicos

Kirzner (III)

Baixa política

Forças armadas e ordem constitucional

15.9.05

Leitura recomendada

Leitura recomendada

História alternativa

Portugal como uma saladinha de polvo

Parece óbvio que o conselho de administração da Galp, presidido por um ex-secretário de estado de um governo socialista (murteira nabo), e o concelho executivo da Galp, presidido por um ex-ministro socialista (fernando gomes), contrataram um escritório de advogados onde, por coincidêndia, trabalha um deputado socialista autor do programa de governo socialista (antónio vitorino) cujo primeiro-ministro (josé sócrates) foi colega deles todos num outro governo (antónio guterres). O que tem isto a ver com o Estado? Nada seus abutres! Nada!

Já venho...

A Política da Catástrofe

Nos Camarões, na década de 1950, Elspeth Huxley encontrou tribos que não acreditavam em acidentes. Todos os seus infortúnios derivavam necessariamente da influência mágica de inimigos pessoais. Estamos cada vez mais parecidos com essas tribos. Não aceitamos a ideia de azar, e muito menos a de risco. Sentimo-nos com direito a tudo, e achamos que o poder político nos pode dar tudo. Por isso, se um furacão nos arrasa a casa e submerge o bairro, a culpa só pode ser do Presidente Bush.

Sandinista - II

Kerry's limousine liberation theology led him into one of the most embarrassing moments of his early Senate career -- his disastrous Neville Chamberlain-style diplomacy with Sandinista leader Daniel Ortega. Shortly after becoming a Senator, Kerry took off for Nicaragua with Tom Harkin on a free-lancing fact-finding tour, the purpose of which was to stymie congressional support for the Contras by "finding" that the Sandinistas weren't such bad guys after all. After Kerry met with Ortega, he returned to Washington waving a promise from Ortega that the Communist leader would moderate his policies. "We believe this is a wonderful opening for a peaceful settlement without having to militarize the region," Kerry said. "The real issue is: Is this administration going to overthrow the government of the Sandinistas no matter what they do? This opportunity puts this to the test." The normally cautious Secretary of State George Shultz was so flabbergasted by Kerry's shilling for Ortega that he denounced Kerry publicly for "dealing with the communists" and letting himself be "used" by Ortega.###

Kerry's diplomacy blew up in his face. As Kerry was reassuring his colleagues that Ortega wouldn't establish Soviet and Cuban bases in Nicaragua, Ortega (a few days after he met with Kerry) was flying to Moscow to arrange a $200 million transfer of Soviet monies to Nicaragua. Kerry's sales pitch for the Sandinistas -- "I see an enormous haughtiness in the United States trying to tell them what to do. Our economic squeeze on them is very sad. The whole population is suffering" -- worked in Congress. It voted against aid to the Contras, even as Ortega was collecting aid from his Soviet bosses.

This angered Republican senators enough that they wondered if Harkin and Kerry hadn't known about Ortega's impending trip to Moscow and just didn't tell their colleagues about it lest the information change the vote. Said one press report at the time: "Liberal freshman Senators John Kerry and Thomas Harkin made a much publicized trip to Nicaragua shortly before the May vote in Congress on U.S. aid for the anti-communist freedom fighters. Insiders say the two senators learned while in Managua that Nicaraguan ruler Daniel Ortega was planning a trip to Moscow to ask for more Soviet support for his communist government, yet the senators failed to mention Ortega's plans, either to the State Department or to their colleagues in the Congress, before a majority in the House voted against aid for the freedom fighters."

It was a revealing episode in Kerry's career. That he still talks about "liberation theology" -- as when castigating the Bush administration for its "ideological and theological hatred" of Aristide -- shows how deeply the culture of class-warfare rhetoric seeped into him. When Kerry calls for "tax fairness for Americans," it is that culture in him which is coming out.

O eterno candidato

Sandinista

"The US no longer rules Latin America!" Mr. Ortega thunders into the dark night. "The Yankees no longer rule Nicaragua!" The small crowd of farmers hoist their black and red Sandinista flags high and chant: "Daniel, Daniel!"(...)
"Conditions are ripe for triumph," says Ortega in a late-night interview in Managua. "We will win, and we will wield great power here."(...)

"The triumph of the Sandinistas will raise the morale of Latin America," says Ortega, tapping into the Bush administration's worst fears of a growing left-leaning, populist, anti-American movement on the continent, led by Cuba's Fidel Castro and Venezuela's Hugo Chávez. "Other countries will say - 'look, that small country got away with it - so can we!' We will spread the revolution." There is an alternative, he whispers, his voice hoarse from weeks of rallies, "to succumbing to the American Empire."(...)
"[President] Bush is the Reagan of these times," Ortega tells a crowd gathered in the scorching sun of Santa Rosa del Pinon, a village in the mountains north of Leon - and immediately segues into tales of days gone by. "Yankee Reagan forbade peace," he rails. "He wanted to bring death and destruction to the region."

She's back!

This September will mark the release of the new Paula Frazer record Leave The Sad Things Behind by Birdman Recordings. Leave The Sad Things Behind is Frazer’s sixth album, her third since coming out from behind the moniker “Tarnation,” that “group” being a revolving cast of collaborators she engaged to record her songs and perform live###

Leave The Sad Things Behind is the most completely realized, thoroughly individualistic statement in the entire Paula Frazer/Tarnation catalogue yet. Those describing Paula and her music always begin with her extraordinary voice and rightfully so: Frazer’s singing makes angelic choirmasters green with envy. At the same time it carries a sensual earthiness with its slight Southern twang, an accent stemming from childhood days singing in her father’s choir at his church in northern Arkansas. Songs like “Watercolor Lines” provide brilliant showcases for her remarkable vocals. “Long Ago” is as deep and movingly written as anything she’s ever done. On the lighter side is the album opener “Always On My Mind” which has the hooks and grooves of Graham Parsons’ Byrds. “Waiting For You” is an epic of longing with a striking, powerful chorus.

On Leave The Sad Things Behind, Paula returned to Prairie Sun Studios in Cotati, Sonoma County where she recorded Tarnation’s Mirador and mixed her Indoor Universe solo outing. The sessions were overseen by longtime producer/friend David Katznelson and featured the solidest band she has ever worked with including Scott Hirsch and James Kim, the rhythm section from SF’s Court And Spark. Also contributing are keyboard player Patrick Main from Oranger, and a host of San Francisco luminaries: Joan Jeanrenaud (ex-Kronos Quartet), members of The American Music Club and Mother Hips among others.

It was in the 80’s that Frazer first moved to San Francisco and began playing with punk-rock vegans Trial, then fembot, and Goths Frightwig. But it was not until Tarnation in the early 90’s that Paula found the format that would bring her voice and songs to world outside San Francisco. With her first recording in this context I'll Give You Something To Cry About -- subsequently re-released by 4AD as Gentle Creatures with some songs re-recorded and other songs added -- Paula’s Tarnation became a cornerstone block in the nascent edifice of Americana music (it was touted by Rolling Stone one of the 25 best Americana records ever). Mirador, the follow-up, found Paula enriching her ouevre with Ennio Morricone darkness and Scott Walker plushness. Mirador was her first work done with co-producer David Katznelson and the last she would use the name “Tarnation” for.

The first work made under her own name was Indoor Universe in 2001, released to overwhelming critical acclaim. With Indoor Universe Frazer’s popularity expanded and solidified in Europe, especially in France where she’s already established a cult following through with touring with Nick Cave and The Tindersticks. Indoor Universe saw Paula’s songwriting maturing while she tinkered with the blend of musical influences she drew from to further perfect her unique musical identity. Spin Magazine said: “Frazer’s voice has the grande-dame grandeur of Oum Kalthoum, the Southern-belle chime of Patsy Cline, and the rococo phrasing of Joan Baez.”

This was followed by A Place Where I Know, a compilation of the best of ten years of home demos released while she was busy writing Leave The Sad Things Behind. Her fans had been clamoring for just this sort of raw and intimate look at Paula’s creative process, which has always begun at home on her trusty four-track recorder.

Paula Frazer is one of those artists that comes around once in a lifetime. She creates music that is immediately timeless and classic. She is a San Francisco treasure.

Tracklisting:
1. Always On My Mind 2. Watercolor Lines 3. Waiting For You 4. Its Not Ordinary 5.Long Ago 6. Leave the Sad Things Behind 7. No Other 8. Taken 9. Funny Things 10. Where Did Time Go


[fonte: Howlin' Wuelf Media, Inc.]

Choque e espanto

Lula e o mensalão

O desporto-rei

14.9.05

Faites vos jeux

Duas providências cautelares contra a Betandwin interpostas pela Associação Portuguesa de Casinos e pela Santa Casa da Misericórdia dão entrada no Tribunal do Porto esta quarta-feira, segundo a edição do Diário Económico.
Mas existe, por exemplo, alguma entidade portuguesa que nos dá a liberdade de apostar quem será o próximo chanceler da Alemanha? No betandwin (necessário activar cookies), Angela Merkel ainda está à frente de Gerhard Schröder!

Que sorte!

Café Blasfémias

Leituras blasfemas

Descubra as diferenças

Estranha cegueira

Leitura sugerida

Momento desportivo

Quanto mais falar...

Barroso drive on absurd EU laws

Elitismos

"My old department chairman's notion that the better students "can pretty much get it without our help" assumes that there is some "it" — some minimum competence — which is all that matters.

People like this would apparently be satisfied if Einstein had remained a competent clerk in the Swiss patent office and if Jonas Salk, instead of discovering a cure for polio, had spent his career puttering around in a laboratory and turning out an occasional research paper of moderate interest to his academic colleagues."

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During my first semester of teaching, many years ago, I was surprised to encounter the philosophy that the brightest students did not need much help from the teacher because "they can get it anyway" and that my efforts should be directed toward the slower or low-performing students.

This advice came from my department chairman, who said that if the brighter or more serious students "get restless" while I was directing my efforts toward the slower students, then I should "give them some extra work to do to keep them quiet."

I didn't believe that the real difference between the A students and the C students was in inborn intelligence, but thought it was usually due to differences in attitudes and priorities. In any event, my reply was that what the chairman proposed "would be treating those who came here for an education as a special problem!"

A few days later, I handed in my resignation. It turned out to be only the first in a series of my resignations from academic institutions over the years.

Unfortunately, the idea of treating the brighter or more serious students as a problem to be dealt with by keeping them busy is not uncommon, and is absolutely pervasive in the public schools. One fashionable solution for such "problem" students is to assign them to help the less able or less conscientious students who are having trouble keeping up.

In other words, make them unpaid teacher's aides!

High potential will remain only potential unless it is developed. But the very thought that high potential should be developed more fully never seems to occur to many of our educators — and some are absolutely hostile to the idea.

It violates their notions of equality or "social justice" and it threatens the "self-esteem" of other students. As a result, too often a student with the potential to become a future scientist, inventor, or a discoverer of a cure for cancer will instead have his time tied up doing busy work for the teacher.

Even so-called "gifted and talented" programs often turn out to be simply a bigger load of the same level of work that other students are doing — keeping the brighter students busy in a separate room.

My old department chairman's notion that the better students "can pretty much get it without our help" assumes that there is some "it" — some minimum competence — which is all that matters.

People like this would apparently be satisfied if Einstein had remained a competent clerk in the Swiss patent office and if Jonas Salk, instead of discovering a cure for polio, had spent his career puttering around in a laboratory and turning out an occasional research paper of moderate interest to his academic colleagues.

If developing the high potential of some students wounds the "self-esteem" of other students, one obvious answer is for them to go their separate ways in different classrooms or different schools.

There was a time when students of different ability levels or performance levels were routinely assigned to different classes in the same grade or to different schools — and no one else collapsed like a house of cards because of wounded self-esteem.

Let's face it: Most of the teachers in our public schools do not have what it takes to develop high intellectual potential in students. They cannot give students what they don't have themselves.

Test scores going back more than half a century have repeatedly shown people who are studying to be teachers to be at or near the bottom among college students studying in various fields. It is amazing how often this plain reality gets ignored in discussions of what to do about our public schools.

Lack of competence is only part of the problem. Too often there is not only a lack of appreciation of outstanding intellectual development but a hostility towards it by teachers who are preoccupied with the "self-esteem" of mediocre students, who may remind them of what they were once like as students.

Maybe the advancement of science, of the economy, and finding a cure for cancer can wait, while we take care of self-esteem.

13.9.05

Diários económicos

MNE, a multinacional do Estado

Portugal vai abrir, em 2006, novas embaixadas na Líbia, Emirados Árabes Unidos, Eslovénia, Malta, Chipre, Estónia, Letónia e Lituânia, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral.

(in PortugalDiário)

Deve fazer parte do plano de contenção de custos do ministério. Quem protestar o congelamento de progressões automáticas de carreira vai passar uns anitos na Líbia.

Precisamos de samurais

O candidato do PS à Câmara de Lisboa, Manuel Maria Carrilho, prometeu hoje duplicar o orçamento aplicado pela autarquia nas escolas primárias e considerou este objectivo uma prioridade do seu programa para a capital.
(...)
O candidato socialista lamentou que do «actual orçamento de 803 milhões de euros apenas 0,8 por cento é usado na área das escolas» e acusou o executivo camarário de Carmona Rodrigues, que se candidata pelo PSD, de demonstrar «desprezo e desinteresse».
Infelizmente o cadidato não referiu onde pretende cortar despesas para financiar esta proposta. Afinal, José Sócrates provou que, em Portugal, eleições vencem-se com promessas de mais (não menos) despesa.

Esta mentalidade despesista não nasceu na classe politica. Ela é alimentada por uma sociedade que ignora os custos de tais promessas. Chega ao ponto de as exigir quando, dia após dia, pergunta "o que vai fazer o Estado para ajudar?". Claro que, depois, não deixa de se queixar do montante de impostos pagos...

Portugal só mudará de rumo quando a população exigir dos políticos menos promessas e mais integridade. Mas falta-lhes iniciativa. Falta-lhes acesso a informação fidedigna. Falta-lhes, sobretudo, exemplos de homens e mulheres que se mantêm fiéis aos seus princípios. Precisamos de samurais.

BlogPulse

O candidato Garcia

É contra eles [Soares e Cavaco], como os grandes dirigentes políticos da miséria, da fome, do desemprego para o povo português e a grande perda da independência para o nosso país, é contra a sua política que o mesmo povo português se tem e se deve erguer. Esta gente expropriou-nos dos nossos sonhos. E agora quer também expropriar-nos da própria República.
Mas é com o coração carregado de mágoa, que Garcia Pereira avança, mais uma vez. De bom grado teria cedido o lugar de candidato, apoiado pelos maoístas, a outra personalidade. Alguém que representasse "uma candidatura democrática e patriótica que poderia e deveria ter surgido".
Quem? Freitas do Amaral, claro...
"Era bom que essa candidatura tivesse surgido. Considero que seria boa", conclui o desapontado líder do PCTP/MRPP.

«Direitos adquiridos»

Os senhores militares dominam o assunto, conhecem muito bem o tema dos «direitos adquiridos». Fizeram, aliás, uma revolução em Abril de 1974 por causa disso. Foram os militares que nos libertaram do regime antigo e acabaram com todos os direitos adquiridos que a sociedade de então mantinha.###

É mais do que legítimo, portanto, devolver-lhes a questão. E lançar o desafio: quem está disposto a liderar uma outra revolução para acabar com os direitos adquiridos deles? E com os dos senhores juizes, magistrados e funcionários judiciais?

Não é Marques Mendes. Não é aquele senhor que substituiu Portas e não recordo o nome. E desengane-se quem espera resposta da esquerda. Os presidenciáveis Louçã e Jerónimo, sempre «anti» tratando-se de fardas, estão indignados, por não deixarem as Forças Armadas desfilar em paz.

E, muito provavelmente, não será também José Sócrates. Que foi tão valente a enfiar as duas mãos em todas as colmeias habitadas por estas «comunidades», como incapaz de aproveitar a oportunidade para mobilizar a nação para algo que ela há muito perdeu: um rumo. Um simples rumo.

(...)

As pessoas perderam o sentido da nação, mas isso não irrita. Preocupa, angustia, desilude. Mas não irrita. O que irrita são os motivos desta crise. Tudo o que está na origem deste ambiente, em que cheira a fim de regime. A Armada em passeata. Tribunais fechados. Sem lhes assistir a razão. Militares e agentes da justiça.

Por mais que desfilem de braço-dado com Louçã, por mais comícios que Jerónimo dedique em defesa dos seus «direitos adquiridos», os senhores militares não têm causa alguma. E mentem descaradamente, quando dizem estar a defender a dignidade da instituição militar.

Treta! Estão a defender a vidinha que os contribuintes lhes garantem - uma vidinha, diga-se, que os contribuintes gostariam mas o país obviamente não permite.


(via Causa Liberal)

José Sócrates dá o exemplo

Nomeação - Primeiro-ministro coloca ex-assessora em Bruxelas
Sócrates abre excepção


O primeiro-ministro assinou um despacho para desbloquear, a título excepcional, a contratação da sua ex-assessora, Maria Rui, para a Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), em Bruxelas, na qualidade de conselheira de Imprensa. Um cargo ao qual Maria regressa passados dois anos, onde deverá auferir cerca de 10 mil euros brutos por mês, de acordo com fontes de Bruxelas, e onde poderá ficar durante 6 anos.

Ele fala verdade. Ele ganha (2)

Controleiros

O segredo do nosso insucesso

A propósito de manifestações

Se não estivéssemos na União Europeia, já tínhamos um golpe militar há muito tempo. Era inevitável, não temos porque não é possível, mas não podemos deixar continuar a correr as coisas. Nesse caso vamos assistir a revoltas, a um mal-estar que passa a ser incontrolável na sociedade portuguesa.
As palavras são de Mário Soares (via TSF), candidato à Presidência da República e, como tal, comandante supremo das forças armadas. Foram proferidas em Novembro passado, quando o governo de Santana Lopes era alvo de todas as críticas, culpado de todos os males que assolavam o país.

Benefícios do comércio livre

Ao longo dos últimos dez anos, a decisão de integrar a China na Organização Mundial de Comércio (OMC) custou entre 80 a 90 mil postos de trabalho em Portugal e mais de um milhão na Europa. Entretanto, as exportações chinesas para a União Europeia quase triplicara, fazendo com que os preços de alguns produtos registassem uma queda de, nalguns casos, 75%.
Esquecem-se sempre dos consumidores!!!

AA: "nenhuma transacção comercial voluntária ocorre a não ser que ambas as partes beneficiem".

Soares, o agitador político

Leitura Sugerida

Ele fala verdade. Ele ganha

While you sleep

12.9.05

A estética da cidadania

Um movimento de cidadãos lisboetas [Fórum Cidadania Lisboa] enviou esta segunda-feira aos candidatos à Câmara de Lisboa 14 propostas para melhorar a estética da cidade, como a preservação das varandas e a demolição de «mamarrachos» como os edifícios da Docapesca.
Uma coisa estes "cidadãos" não percebem: o respeito pela propriedade privada.

Uma das propostas é acabar com os aparelhos de ar-condicionado nas janelas. Que, no entanto, têm uma importante função: aquecem no Inverno e refrescam no Verão...

Será que o bem-estar visual destes senhores se deve sobrepor ao conforto dos moradores de edifícios antigos?

PS: também eu acho que se consegue melhorar a estética da mulher portuguesa se esta usar mini-saia todo o ano. Mas, para quando o projecto-lei?

Kirzner (II)

  • Biografia
    Curriculum Vitae (NYU)
    biografia na Wikipedia

  • Artigos
    "The Economic Point of View: An Essay in the History of Economic Thought" (1960)
    "The Economics of Errant Entrepreneurs" (1987)
    "Fifty Years of FEE - Fifty Years of Progress Austrian Economics" (1996)
    "The Open Endedness of Knowledge: It's the Role in the FEE Formula" (1986)
    "Philip Wicksteed: The British Austrian" (1996)
    "Reflections on the Misesian Legacy in Economics" (1996)
    "The Economic Calculation Debate: Lessons for Austrians" (1988)
    "Mises and His Understanding of the Capitalist System" (1999)
    "El Empresario" (em espanhol)
    "La Escuela Austríaca de economía: presente y futuro" (em espanhol)
    "Producer, Entrepreneur, and the Right to Property" (1974)
    "La función del empresario y el desarrollo" (em espanhol)(1996)
    "Ciencia económica y la moralidad del capitalismo: mito y realidad" (em espanhol)(1996)
    "En defensa del mercado" (em espanhol)(1997)
    "La naturaleza e importancia de la educación económica" (em espamnhol) (1998)
    "La Ley de la Oferta y la Demanda" (em espanhol) (2000)
    "The Use of Labels in Doctrinal History: Comment on Baird" (1990)

  • Entrevistas
    "Between Mises and Keynes"

  • Livros (criticas)
    "The Undiscontible Professor Kirzner" por Roger Garrison (critica a "Essays on Capital and Interest: An Austrian Perspective" de Kirzner)
    "Equilibrium and Entrepreneurship" por Roger Garrisson
    "Competição e Empreendimento" por Miguel Noronha
  • Viscosidade militante II

    PA chairman Mahmoud Abbas visited the former settlement of Dugit in the northern Gaza Strip, where he declared that the Israel did not leave behind any synagogues. "There are no synagogues here," he said.
    "Israel left behind some empty buildings which that are likely to collapse. All the public buildings they left are in danger of collapsing," he said.


    Do lado dos agressores:
    Fearing retaliation, police beef up security around mosques

    A viscosidade militante

    Contradictions do not exist. Whenever you think you are facing a contradiction, check your premises. You will find that one of them is wrong.


    Sempre que as "vitimas" actuam desta maneira, ocorre-me a subserviência viscosa dos defensores dos direitos do povo Palestiniano, a tudo o que cheire a Islão e a inimputabilidade de que fazem gala na violência com que atacam tudo o que é catolico, judeu, protestante ou outra qualquer Fé que não ameaça fazê-los ir pelos ares quando entram no autocarro ou vão a um restaurante. O silêncio ensurdecedor e o lacrimejar da dhimmitude europeia (e a portuguesa de modo particular) àcerca da destruição das sinagogas de Gaza deixa o rasto viscoso e putrefacto das ideologias totalitarias e da servidão cobarde de que esta gente se orgulha.
    Não ha contradições, eles conhecem e desejam a miséria e a desumanidade que defendem.

    Tempo de antena

    Telejornal das 8 da noite de hoje. Por acaso a TV está sintonizada na SIC. Reportagem sobre as «Novas Fronteiras», sessão do PS aberta a independentes e público em geral, para fazer o balanço dos primeiros seis meses de governação.
    Estive lá, do princípio ao fim. E por isso constato que a SIC parece estar sick, doente, enjoada, transtornada, almeriada.... É que a reportagem do telejornal resumiu as «Novas Fronteiras» ao balanço autista de José Sócrates, fazendo auto-avaliação e dando-se nota máxima. E passou rapidamente ao final da sessão - umas imagens da intervenção do Dr. Mário Soares e... já está.
    Qualquer que seja a avaliação que a SIC faça da intervenção de José Sócrates (e tem todo o direito de a fazer negativa - tanto como eu, de a fazer positiva), é demasiado mau profissionalismo ignorar por completo, nem sequer referir, que houve outras intervenções que complementaram criticamente o balanço feito pelo Primeiro-Ministro.
    A isto chamamos liberdade de imprensa. Sem controlo estatal.

    Mas, cara Ana Gomes, vejo que, apesar dos seus protestos, ainda não usou a oportunidade que dispõe de, no seu blog, publicar o seu relato dos acontecimentos ignorados!

    Nota: já agora, não ignore o poder dos links e insira um para o site das "Novas Fronteiras" (está no início deste post).

    Manifestações militares

    A Constituição permite a restrição dos direitos dos militares, «na estrita medida das exigências próprias das suas funções», cabendo à lei a delimitação dessas restrições. Utilizando a lei conceitos relativamente indeterminados -- nomeadamente os de «coesão e disciplina das Forças Armadas» --, é evidente que a invocação desses limites em cada caso concreto necessita de adequada fundamentação.
    Porém, VM ainda não se pronunciou sobre o pedido de esclarecimento do LA-C sobre a inconstitucionalidade da retenção dos estudos da OTA e TGV...

    Zangam-se os compadres...

    A questão entre o PS e o Dr. Manuel Alegre não me diz respeito. Tanto quanto sei houve uma proposta do Primeiro-ministro para nos sentarmos os três a uma mesa e almoçarmos juntos. Parece que o Dr. Manuel Alegre achou que não era útil.
    Manuel Alegre recusa-se a comentar.

    E José Sócrates? Ganha ele alguma coisa com esta zanga entre o seu antigo adversário na candidatura a S.G. do P.S. e o principal apoiante do terceiro candidato?

    Adenda - Alegre acabou por explicar que não foi ao almoço porque Sócrates lhe impunha o apoio a Soares. já se sabe que os almoços não são grátis...
    (Obrigado ao Gabriel pela actualização)

    Are disasters really good for the economy?

    How can it be true that such major disasters often end up boosting growth?

    Part of the answer has to do with the way we measure economic activity. Gross domestic product may rise next year as a result of goods and services purchased to rebuild the affected region, but that does not take into account the $100 billion or more in housing and other infrastructure destroyed by the storm and its aftermath.

    “We measure gross economic activity instead of net economic activity, so everything tends to look like incremental activity over time,” said David Joy, vice president of RiverSource Investments, the asset management arm of Ameriprise Financial.

    The broken window fallacy

    The basic flaw in the logic behind such accounting was attacked a century and a half ago by French thinker Frederic Bastiat who referred to the “fallacy of the broken window.”
    (...)
    “What disasters do is they divert spending,” said McTeer, now chancellor of the Texas A&M University system. “The government is doing good for the affected region, but it’s pulling resources away from all other regions.”

    (na MSNBC, via Causa Liberal)
    Bastiat escreveu o ensaio "What Is Seen and What Is Not Seen" em 1850. Infelizmente, muitos ainda não o leram...

    Governo, autárquicas e presidenciais

    [É] isso que este governo faz. Espectáculo. Tal como o fazia o de Santana Lopes. A música épica. Os anúncios de fim de crise. Os apelos do Ministro da Economia ao investimento privado, como se a função do investimento privado não fosse o lucro de quem investe, mas a prossecução dos fins políticos de um Governo (isto para não falar de que não é por causa de apelos que se investe ou deixa de investir). Tudo um enorme vazio. Que já não espanta. E se espantou no passado, só espantou quem antes esteve a dormir.

    (in Desesperada Esperança)

    Leitura recomendada.

    A Telesur é perigosa!

    Patrocínios privados, divertimentos públicos

    Queremos dar um novo conceito de bem público. A autarquia está a passar para as mãos dos interesses económicos, tomando como por exemplo a Feira de Agosto, onde praticamente todos os eventos são patrocinados pelos grupos económicos.
    Inaceitável! Como se atrevem os capitalistas a pagar o divertimento do povo? E logo na vila morena...

    O jornalismo como propaganda

    A nostalgia europeia

    Resultado (in)esperado

    Indian manufacturers have enjoyed a boom in orders thanks to the European Union's decision to re-impose quotas on Chinese goods, which has backfired spectacularly. ...A poll by The Sunday Telegraph of clothing manufacturers in Tirupur, India's textile hub, found that sales had risen by between 10 and 25 per cent over the past three months.

    Rafael Termes

    O preço do petróleo

    Agassi, o Grande

    Promiscuidade confessada

    Córdova, Granada e afirmações inexactas...

    Córdoba era então [séc. X] a cidade mais próspera e culta da Europa, reunindo os mais importantes pensadores, poetas e artistas à volta da corte.
    É claro que o facto de, também, no séc. X, o Império Bizantino ter atingido o seu apogeu (tinha conseguido bater os árabes na Síria e na Arménia), não entrou em consideração na redacção desta frase. A Europa Ocidental estava ainda a sair de um período complicado da sua história, mas o Império Bizantino, herdeiro do Império Romano do Oriente, continuava a sua marcha vindo directamente da Antiguidade tardia. E, que eu saiba, a sua capital Constantinopla fica na Europa. A afirmação é, no mínimo, imprecisa.###

    O artigo continua entre superlativos e hipérboles aos árabes, sua arte, cultura, etc... (uns merecidos, outros nem por isso), mas os dois últimos parágrafos são mesmo a cereja em cima do bolo (destaques meus):
    Andaluzia, terra de poetas, filósofos, artistas... Terras de memórias imperecíveis da presença árabe. Ainda hoje subsistem na língua portuguesa cerca de seiscentos vocábulos árabes. Arroz, armazém, almofada, laranja, limão, alcântara, almeida, álgebra... são apenas algumas das muitas palavras que usamos no dia-a-dia. A contribuição do conhecimento árabe desempenhou um papel crucial no campo das matemáticas, da astronomia, da agricultura, das ciências náuticas. «É preciso não esquecer que foram os muçulmanos que fizeram perdurar os clássicos da Antiguidade, a cultura greco-latina, traduzindo-os primeiro para árabe. Só mais tarde, a partir do séc. XI, ficaram acessíveis em latim. A Península Ibérica foi a placa giratória a partir da qual a sabedoria antiga se propagou pela Europa, nas diferentes disciplinas», comentou Manuel Gandra. O extremismo era naquela época panágio do cristianismo, basta recordar a Inquisição e as Cruzadas contra os «pagãos infiéis».
    Ao percorrermos a Andaluzia fazemos uma viagem no tempo, que evoca outros locais históricos do nosso país. Córdoba e Granada reavivam memórias de um património árabe que nos é comum. Outrora todos fazíamos parte do grandioso al-Andalus.
    Bem, estes dois parágrafos têm afirmações inexactas e que não respeitam a verdade histórica, para além da última ser verdadeiramente duvidosa. Comecemos pela primeira afirmação destacada por mim.

    A afirmação de Manuel Gandra é pelo menos inexacta pela sua generalização. Se ele se referir ao facto de Aristóteles ou Platão terem sido primeiro traduzidos para árabe e só depois para latim, está certo. Mas, é claro que os autores latinos foram preservados sobretudo pela Igreja na Europa Ocidental, mesmo autores que poderiam, pelo conteúdo das suas obras, serem desprezados. Por exemplo, Catulo (séc. I a.C.), cujos poemas estavam muito longe da moral cristãe e que são mencionados no séc. VII d.C. por Santo Isidoro de Sevilha (Origines 6, 12, 3; 19, 33) ou ainda por Ratherius, em 965 d.C., que declarou formalmente ter lido os seus poemas (Patrologia latina de Migne, t. 136, p. 752). Depois destas referências, o texto mais antigo completo que conhecemos de Catulo data do séc. XIV. Onde foram conservados os sucessivos manuscristos que fizeram chegar até nós estes poemas? Provavelmente nas bibliotecas das catedrais e mosteiros.

    Outro facto, se calhar desconhecido da maioria, é o facto de, por exemplo, Virgílio (séc. I a.C.) não ter entrado na lista de livros proibidos no tempo de Carlos Magno devido à sua eglóga IV em que fala de uma era messiânica (com a vinda de um menino), que fez com que Virgílio fosse conservado no Império Carolíngio (apesar da égloga II). Muitos autores latinos foram lidos na Idade Média, se calhar em maior número do que agora.

    Por isso, a frase peca por uma generalização excessiva que só é verdadeira num número limitado de casos, isto é, em autores gregos. Ainda a este propósito, deve-se dizer que, apesar do contacto dos muçulmanos com a cultura greco-latina, eles jamais a assimilaram. Socorro-me para este ponto do que escreveu Francisco Rodríguez Adrados (universitário espanhol) que escreveu o seguinte (ABC, 14/08/2005, "Choque de civilizaciones? Pues sí"):
    Porque se habla mucho dos los califas ilustrados - Harum al Rashid, Al Mamún, Al Mansur, los fatimíes de Egipto - que hacían traducir al árabe la sabídura griega que luego creció en el mismo mundo árabe (Al Andalus incluido, por supuesto) e pasó a la Cristiandad, en latín o castellano, a través en parte de España. Hubo el notable intento de combinar el Corán con Platón y Aristóteles, paralelo al de Santo Tomás y otros entre los cristianos.

    Quedó en nada. Por qué essos admiradores del Islam medieval (con razón, pero sin ella en sus ataques al Cristianismo), por qué no dicen que esa flor se agostó en el siglo XI, con los selyúcidas, los almorávides, los almohades? los almohades? Que Averroes, un aristotélico, acabó confinado en Lucena, Al Motamid desterrado en África? La concordia entre el Corán y los griegos fue imposible y los filósofos fueron tenidos, más o menos, por heréticos. En Occidente triunfaron, en el mundo musulmán no. Y el islam se volvió impenetrable, esta es la cuestión. La base de todo.
    Para além de que os muçulmanos não fizeram propagar toda a filosofia antiga pela Europa (afinal os textos dos autores latinos estavam disponíveis), também acabaram por não recolher grandes frutos dos autores gregos, pelo menos em alguns campos do saber.

    A segunda afirmação destacada é ainda mais extraordinária pois não é apenas inexacta, é completamente falsa. Em primeiro lugar, precisamos de situar no tempo quer a Inquisição, quer as Cruzadas. A Inquisição foi criada no início do séc. XIII, dirigida contra os heréticos (por exemplo, os cátaros) e o seu papel declinou bastante no séc. XV. Não esquecer que a Inquisição espanhola (e mais tarde a portuguesa) são de natureza muito diferente dessa primeira Inquisição, pois estavam sob controlo apertado do Estado (eram inquisições reais ao serviço do estado) e não da Igreja.

    Em segundo lugar, as Cruzadas iniciaram no final do séc. XI (Jerusalém foi conquistada em 1099). Mas, pode dizer-se que o espírito de cruzada foi antecedeu as próprias cruzadas, com o afluxo de francos à Espanha medieval para ajudar Afonso VII de Castela à derrota de Zalaca (1086) às mãos dos Almorávidas. Ora estes almorávidas, segundo o Dicionário de História Universal de Michel Mourre, "devido ao seu fanatismo intolerante, ao seu rígido ritualismo, provocaram graves prejuízos à brilhante civilização que florescia no princípio do séc. XI" (C.Leitores, vol. 1, pág. 56). Os Almorávidas foram derrubados pelos Almóadas, em 1147, que queriam um regresso às fontes religiosas essenciais do islão, afirmando a crença absoluta na unidade divina, e que acusavam os outros muçulmanos de serem politeístas. Também não haveria muito tolerância por estes lados.

    Por outro lado, a conquista de Jerusalém por parte dos turcos seljúcidas em 1078 tornaram também mais difícil a vida das populações cristãs e judaicas na Terra Santa, bem como as peregrinações que os cristãos ocidentais costumavam fazer.

    Por fim, não esquecer, para aqueles que pensam que as cruzadas foram uma agressão ao islão, que o primeiro agressor for o islão quando conquistou Jerusalém em 636 ao Império Bizantino. Os islão expandiu-se na ponta da espada e foram os muçulmanos quem primeiro atacou os cristãos.

    Por outro lado, há um certo mito quando a propalada tolerância dos muçulmanos para com as minorias que vivem em estados controlados por muçulmanos. Será que ninguém ouviu falar na palavra "dhimmi". Os infiéis, segundo a lei corânica, serão sempre cidadãos de segunda classe que nunca terão os mesmos direitos que os cidadãos muçulmanos. E isso era o que acontecia na Espanha árabe.

    A este propósito aconselho a leitura do texto "Jihad begot the Crusades" (parte I e parte II), de que transcrevo aqui a conclusão:
    It is ahistorical and frankly absurd to separate the Crusades from the anti-Christian jihad wars that antedated and precipitated them. Four and one-half centuries of devastating jihad conquests (i.e., 632-1095 C.E.), and the cruel imposition of dhimmitude on the vanquished, primarily Christian populations, finally engendered a sustained, organized and violent response when Christendom perceived its very survival to be imperiled. Jacques Ellul has characterized the origins and effects of this transformation: [80]

    …the Crusade is an imitation of the jihad. Thus the Crusade includes a guarantee of salvation. The one who dies in holy war (i.e., jihad) goes straight to Paradise, and the same applies to the one who takes part in a Crusade. This is no coincidence; it is an exact equivalent. The Crusades, which were once admired as an expression of absolute faith, and which are now the subject of accusations against the Church and Christianity, are of Muslim, not Christian origin…The nonviolence of Jesus Christ changes into a war in conflict with that waged by the foe. Like that war, this is now a holy war.

    The devastating Islamic institution of jihad must be acknowledged, renounced, dismantled, and relegated forever to the dustbin of history, by Muslims themselves. As Professor Walid Phares, in a frank, astute commentary entitled “Jihad is Jihad”, noted: [81]

    In the Christian world, modern Christians outlawed crusading; they did not rewrite history to legitimize themselves. Those who believe that the jihad holy war is a sin today must have the courage to de-legitimize it and outlaw it as well.
    Na Idade Média o extremismo era apanágio de todos e qualquer outra asserção é pura e simplesmente falsa, para além de demonstrar pouca informação ou desconhecimento sobre o assunto (chama-se "emprenhar pelos ouvidos", toma-se acriticamente como boas as afirmações que a inteligentsia vai produzindo).

    A terceira afirmação destacada não tem qualquer sentido. "Outrora todos fazíamos parte do grandioso al-Andalus". E daí? Outrora não fizemos nós parte do grandioso Império Romano também?

    Também aqui recorro a Rodríguez Adrado:
    De diálogo, alianza de civilizaciones, «todos somos andaluces», poco. Un gran intercambio, sí, de elementos materiales, pero ideológica y socialmente, Occidente e Islam se dieron las espaldas. Lo esencial: el Islamismo jamás se asimiló, como tantos pueblos y religiones, a la tradición greco-romana, la que hizo posible la apertura de Occidente a una nuova sociedad, a una literatura y un pensamiento más abiertos. Jamás. pese a los influjos helenizantes en los siglos del VIII al X u XI, occidentalizantes desde el XIX, en su línea central los musulmanes han mantenido un pensamiento conservador estable, teocrático.
    O que me motivou a escrever esta entrada não foi uma tentativa de diminuir a civilização árabe que esteve presente na Península Ibérica de 711 a 1492 e, que por isso mesmo, teve que deixar influências por estas terras. Mas, se antigamente quase se ignorava a influência dos árabes na península, agora não se pode passar para o outro extremo, isto é o de hiperbolizar a importância dos árabes na península, comparando-os com os cristãos, considerando estes pouco mais do que neandartais. Os árabes tiveram uma civilização brilhante, mas que parou de evoluir, ao contrário da civilização ocidental que aproveitou tudo o que de bom havia nas outras culturas para se desenvolver. E, não nos podemos esquecer, que em Constantinopla estava uma civilização que nada devia aos árabes.

    Artigos como estes parece-me publi-reportagem paga por algum país árabe (o que não acredito) ou apenas, aquela mania muito ocidental, de deslumbramento paroquial perante uma civilização que não a nossa, que, desde de logo, se considera como superior a nossa.

    Ainda mais haveria a dizer sobre este artigo, mas vou-me ficar por aqui.

    11.9.05

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