16.7.05

Aguardam-se explicações de Ana Drago sobre os atentados de Londres

ainda não foi ao Parlamento explicar que os atentados de Londres foram consequência de uma carga policial racista sobre um número muito menor de muçulmanos do que se tem dito, os quais, na fuga, deixaram cair talvez umas bombas.

Deslocalização

Lost Highway

Fim de semana com Hank Williams

Os novos servos dos tempos modernos

A propos du modèle français, de nouveau défendu hier par Jacques Chirac : l'emploi public a progressé de 24% entre 1982 et 2003, selon un rapport officiel diffusé lundi. Fin 2003, les fonctionnaires représentaient 5 millions de personnes, soit un salarié sur cinq. Selon les calculs de l'association des Contribuables associés, les Français consacrent 196 jours sur 365 – soit jusqu'au 16 juillet – à financer le secteur public. Ils travaillent donc un jour sur deux pour l'Etat. Commentaire de l'association : «Au Moyen Age, un homme était considéré comme serf lorsqu'il devait payer plus de 40 jours à son seigneur».
A França sempre orgulhosa da sua herança bonapartista.

15.7.05

Vantagem tripeira

O Procurador recomenda

Vou para o Pico

Já não se atura o dr. Soares

A palavra "Al-Qaeda" deve ter sobre si um estranho efeito, porque cada vez que a ouve o dr. Soares entra de imediato em delírio verbal. Mais uma vez, em declarações à SIC, ele repetiu a ladainha da pobreza, insinuando que os terroristas são gente "desesperada" e que vivem "em guetos". Mais do que isso, Soares garantiu que a solução para o terrorismo não pode passar só pela violência, o que pressupõe - já o havia dito há meses - que o Ocidente precisa de "negociar".

(...)

Se a tese da pobreza já é tonta, a tese da negociação, essa, é simplesmente estrambólica. Afinal, o que podemos nós oferecer a Ben Laden em troca do fim dos ataques terroristas da Al-Qaeda? A aniquilação do mundo ocidental? Da mesma forma que a Al-Qaeda é menos uma organização estruturada do que uma rede difusa de pequenas células, também as suas reivindicações são vagas e incertas. Os jihadistas não reclamam nada de concreto - eles exigem a conversão dos infiéis à sua imagem de Deus. O dr. Soares quer negociar com eles? É muito simples vá comprar o Alcorão e comece a deixar crescer a barba.

Ballet Municipal de Lisboa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, decidiu propor o início de conversações à Administração da Fundação Gulbenkian no sentido de tentar encontrar uma solução para o enquadramento e preservação do excepcional legado do Ballet Gulbenkian. Respeitando, como é evidente, a decisão da Fundação de extinguir a sua Companhia de Bailado, Pedro Santana Lopes considera também que, em Portugal, onde existem poucas instituições de referência - nacional e internacional - no campo da cultura e das artes, designadamente companhias de bailado - os poderes públicos não podem assistir com indiferença ao desaparecimento de todo um património de excelência que deve ser preservado, incentivado e devidamente enquadrado. (...)

Nesse sentido, nos últimos dias, Pedro Santana Lopes desenvolveu vários contactos exploratórios para estudar a viabilidade desta decisão nos planos artístico, financeiro e organizacional estando agora disponível para iniciar conversações com o Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
O B.M.L. poderá, assim, juntar-se à Orquestra Metropolitana de Lisboa.

Para os interessados

N.B.

Respeitar a segurança

Há um conjunto de circunstâncias que tem, do meu ponto de vista, deteriorado a imagem da polícia perante a população. A polícia não pode, fardada, desfilar em protesto. E eles fizeram-no. A polícia não deve insultar os membros do Governo. E eles fizeram-no. Ao porem a hipótese de fechar as pontes de acesso a Lisboa, eles sabem que estão a praticar um crime punível pelo Código Penal.
Que respeito podem ter os portugueses por uma entidade que eles pagam e que é a primeira a desrespeitar a lei que procuram fazer cumprir?

Agente Che Guevara

Estavas a pensar que escapavas?

Cavaco Presidente?

Cowboy Capitalism

A nova prioridade nacional

O Presidente da República reúne esta sexta-feira o Conselho de Estado para analisar o momento actual do projecto europeu.


[fonte: TSF]

Está tudo louco

O que é o liberalismo?

El liberalismo es una corriente de pensamiento (filosófico y económico) y de acción política que propugna limitar al máximo el poder coactivo del Estado sobre los seres humanos y la sociedad civil. Así, forman parte del ideario liberal la defensa de la economía de mercado (también denominada "sistema capitalista" o de "libre empresa"); la libertad de comercio (librecambismo) y, en general, la libre circulación de personas, capitales y bienes; el mantenimiento de un sistema monetario rígido que impida su manipulación inflacionaria por parte de los gobernantes; el establecimiento de un Estado de Derecho, en el que todos los seres humanos -incluyendo aquellos que en cada momento formen parte del Gobierno- estén sometidos al mismo marco mínimo de leyes entendidas en su sentido "material" (normas jurídicas, básicamente de derecho civil y penal, abstractas y de general e igual aplicación a todos); la limitación del poder del Gobierno al mínimo necesario para definir y defender adecuadamente el derecho a la vida y a la propiedad privada, a la posesión pacíficamente adquirida, y al cumplimiento de las promesas y contratos; la limitación y control del gasto público, el principio del presupuesto equilibrado y el mantenimiento de un nivel reducido de impuestos; el establecimiento de un sistema estricto de separación de poderes políticos (legislativo, ejecutivo y judicial) que evite cualquier atisbo de tiranía; el principio de autodeterminación, en virtud del cual cualquier grupo social ha de poder elegir libremente qué organización política desea formar o a qué Estado desea o no adscribirse; la utilización de procedimientos democráticos para elegir a los gobernantes, sin que la democracia se utilice, en ningún caso, como coartada para justificar la violación del Estado de Derecho ni la coacción a las minorías; y el establecimiento, en suma, de un orden mundial basado en la paz y en el libre comercio voluntario, entre todas las naciones de la tierra. Estos principios básicos constituyen los pilares de la civilización occidental y su formación, articulación, desarrollo y perfeccionamiento son uno de los logros más importantes en la historia del pensamiento del género humano.

14.7.05

Será que hoje “somos todos israelitas”?

Menger e bolos

NovaVaga

Afonso Costa e o jacobismo anti-clerical e socialista

Social-democracia e conservadorismo: episódios na vida de uma direita confusa

Desburocratização

O primeiro-ministro José Sócrates faz esta quinta-feira a apresentação pública do programa «Empresa na Hora».

(...)

A operacionalização da medida de simplificação deverá tornar possível a um empreendedor - no prazo de uma hora - , entrar numa conservatória de registo comercial, registar uma nova sociedade, obter o número de pessoa colectiva e identificação fiscal e números da Segurança Social, «e, sair da conservatória com a empresa pronta a iniciar actividade»


Aplaudo esta medida do governo mas convém dizer que falta criar um processo idêntico que permita a liquidação de empresas "na hora". Infelizmente a probabilidade de o governo avançar com uma medida como esta, ainda sujeita a inúmeros preconceitos ideológicos, é muito reduzida.

Por que motivo a direita nunca foi liberal – umas sugestões

Afonso Costa e o liberalismo

Soundbites matutinos

  1. Jorge Coelho "gritou" emocionadamente como só ele sabe, durante o seu discurso na apresentação da candidatura de Carrilho, que o PS gosta de Bárbara; que Lisboa gosta de Bárbara.
  2. Francisco Louçã indigna-se com a facilidade com que um "burocrata" decide o fim da companhia de ballet Gulbenkian, com o simples "risco de uma caneta".
  3. Rui Costa caracteriza mais uma contratação benfiquista: o também, até agora, milanês Tomasson. O craque português diz que o avançado dinamarquês tem um "grande sentido de oportunismo".

Democracia e liberdade

[U]m certo vício marxista (...) consiste em separar a economia da política, o que no marxismo foi baptizado com as expressões "infra-estrutura" e "superstrutura". Se a separação tem alguma utilidade académica, já em termos doutrinários parece-me não existir nem dever existir. Dito de forma simples a "liberdade" (independentemente da forma como a definir, o que dava para aí mais uns dez artigos) ou compreende o conjunto das actividades humanas (economia, política e o resto) ou não existe. Assim como restrições sérias à liberdade política permitem definir uma ordem política como não livre, o mesmo o permitem restrições sérias à liberdade económica, até porque (comprovando a interligação de todas as esferas de actividade humana) estas restrições económicas conduzem inevitavelmente a restrições de tipo político. Não foi por acaso que John Locke definiu a "propriedade" como o conceito essencial para a existência de liberdade. Só que, em Locke, a "propriedade" não era apenas a posse de bens, mas um conjunto de direitos, incluindo o direito a essa posse mas também uma série de outros direitos a que chamaríamos "cívicos" e "políticos". Para Locke, a "propriedade" era a esfera individual (material e imaterial) que protegia os indivíduos da interferência estatal. A democracia não tem que coincidir com isto. Um regime democrático pode violar aquela esfera de liberdade e permanecer democrático. Schumpeter, numa famosa elaboração sobre o problema, chegou mesmo a explicar que o socialismo integral (do tipo existente nos regimes comunistas do século XX) podia coexistir com a democracia como a entendemos hoje: a propriedade poderia ser inteiramente pública e, mesmo assim, sobreviver a capacidade dos cidadãos para, de quatro em quatro anos, substituir o Governo. Para tanto bastaria a existência de equipas de pessoal diferentes, dispostas a competir, dentro de um contexto de propriedade inteiramente estatal, em cada ciclo eleitoral pela conquista do poder. Mas é aqui que chegamos ao tal hífen juntando as palavras demo e liberal. Será que um regime deste tipo poderia ainda ser considerado livre? Não creio, e se a democracia ocidental fosse isto, eu não estaria pronto a defendê-la.

Para a existência do tal regime demo-liberal que quero celebrar e defender é essencial a separação entre Estado e Sociedade Civil, e para esta distinção são essenciais a propriedade privada e um mercado onde interagem agentes privados, separados do Estado.

Um Estado absorvendo o conjunto da actividade económica seria um Estado totalitário, mesmo se democrático. Que liberdade restaria quando todas as escolhas de produção e distribuição estivessem politizadas e, consequentemente, dependentes de decisões administrativas? Esse seria um regime tirânico, onde a substituição do Governo resultaria apenas de uma escolha sobre a equipa mais "eficiente" na gestão sem limites do conjunto da vida.

13.7.05

Portfolio da esquerda renovada

Café Blasfémias (2)

Por cá aumentam-se os impostos...

Greece considering Flat Taxation: A Greek newspaper reported on Monday that the Greek government is ‘seriously considering’ a flat (25%) rate of income and corporate tax. This measure would be introduced to replace the current 15%/30%/40% graduated tax system, and would also see a rise in personal allowance from €11,000 p.a. to €13,000 p.a.

Alternância política

Será a democracia portuguesa um regime onde pode haver alternância de políticos, mas não de políticas?
Ao eng. Sócrates, convem que não haja alternativa. Aos portugueses, convinha talvez que houvesse. Porque a “crise” do Estado Social, de que se fala há décadas, não é um acidente, mas decorre da própria maneira de funcionar do Estado Social.(...)E para sair do Estado Social, no âmbito da actual cultura política democrática, o caminho passa quase certamente pelas tradições ditas “liberais”, e mais especialmente pela concepção de um “modelo cívico”, assente na responsabilização dos cidadãos.(...)

Existem, em Portugal, comentadores e autores que usam as tradições liberais como ponto de vista analítico. Não existem líderes partidários que as tenham aproveitado como base de uma acção política. Sem políticos, pode-se, entre académicos e autodidactas, discutir indefinidamente os princípios e vantagens de um outro modelo de sociedade. Nem por isso haverá uma alternativa ao eng. Sócrates.(...)

Há ou não, nos actuais partidos à direita do PS, líderes capazes ou disponíveis para elaborar, dentro desta democracia, um projecto que seja mais do que a viabilização temporária do Estado Social através da venda de património, corte de despesas e aumento de impostos?(...)

Febre do ouro

O preço do ouro deve apresentar uma tendência de subida nos próximos anos, chegando aos 725 dólares por onça, até 2010, devido ao aumento da procura por parte consumidores chineses, segundo as previsões da Merrill Lynch.

Em Dezembro passado, o ouro atingiu um máximo de 16 anos nos 456,89 dólares, e hoje está a ser negociado na bolsa de Londres nos 426 dólares.

(Jornal de Negócios)
Afinal, que valor tem um bocado de papel com figurinhas impressas?

Café Blasfémias

EUA vs China: o negócio da Unocal

AFTER putting up a party-tent for global trade, some U.S. leaders are shocked -- just shocked -- to find that China has come shopping for an American oil company.

The worries come with skimpy rationales, weak history lessons and paler- still economics. The criticizing also misses the boat on free trade: Everyone gets to make a deal in the world market, not just the United States.

(...)

It's time to reduce the fear factor. Buying Unocal is not the same as buying a secret missile system, a vital piece of geography such as the Panama Canal or even an oil "major'' with price-setting powers. The company accounts for less than 1 percent of U.S. oil and gas consumption. Blocking the deal won't save the United States from much except wounded pride.

(...)

Does the United States back free trade, even when it causes pain?

If the bid fails because (...) the Bush administration forbids the deal, the world will question this nation's sincerity in its global trade commitment.

Concorrência fiscal entre concelhos

O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, reclamou terça-feira à noite uma baixa dos impostos municipais, considerando que é tempo de dizer "basta" ao aumento da carga fiscal.

(in Portugal Diário)
As câmaras municipais melhor geridas (i.e. com poucas dívidas) podem atrair investimento, reduzindo os impostos municipais sobre as empresas e particulares.

Danos colaterais?

A explosão de um carro armadilhado matou, [na] manhã de quarta-feira, 24 crianças e um soldado norte-americano.

O atentado suicida visava uma coluna das forças dos EUA na zona sudeste da capital Bagdad, segundo um responsável.

«Recebemos os corpos de 24 crianças entre os 10 e 13 anos», afirmou o responsável, que não quis ser identificado, adiantando que 18 crianças ficaram feridas.
Sem comentários.

Em tempos de guerra ao terrorismo

Quando aparecerem os liberais, digam-me

A questão das farmácias

BBC Terroristicamente correcta

The BBC has admitted re-editing some of its reports on the London bombings in order to remove the word 'terrorist' from its coverage. Tom Leonard (Telegraph) tells us:

"Early reporting of the attacks on the BBC's website spoke of terrorists but the same coverage was changed to describe the attackers simply as "bombers"."

The BBC gives as it reason the desire to avoid the "careless use of words which carry emotional or value judgments". They say the word 'terrorist' is not banned, but their guidelines say its use should be "avoided."

A pergunta do dia

Supervisor ineficaz

Managerial supervision has remained inadequate and results in serious delays in the processing of files, the lodging of inconclusive reports and results that are difficult to identify", a year-long study by the European Court of Auditors (ECA) states.

The study adds that OLAF's investigations are frequently "rudimentary" with "vague" objectives and follow-up operations that gobble up large resources while adding little value.

The paper points out that while OLAF's staff has more than doubled to 390 since taking over from its predecessor, UCLAF, in 1999, the number of investigations taking more than 12 months has crept up from 51 percent to 62 percent in the past two years and that "little progress has been achieved since 1988" with respect to internal investigations in Brussels.

12.7.05

I want us to agree one thing first.

Someone would have been bombed. The jihadist campaign outside the Middle East first started when the omens for an Israeli-Palestinian settlement looked good, not bad. Then, just under seven years ago bin Laden’s people attacked the US embassies (no Bush back then) in Nairobi and Dar-es-Salaam and killed 225 people, the vast majority of them local Africans. That was before 9/11.


David Aaronovitch no The Times Times Online

Recomendado

Censura ou rentabilização da marca?

Aparentemente, o GES pretende «amaciar» o Grupo Impresa e «avisar» a restante comunicação social.
Sabendo-se, como se sabe, que a receita obtida através de publicidade é uma parte vital de qualquer empresa de comunicação social, então percebe-se ainda melhor a manobra – desastrada – do GES.
Refira-se, para terminar, que não sei se o GES tem ou não razão. Dito isto, mesmo tendo razão, o GES perdeu a face ao retaliar pela via financeira e não pelos tribunais. É que tudo isto tresanda a censura encapotada.
A publicidade perde a sua eficácia se, na página ao lado, surgir uma notícia desfavorável à marca anunciada. É por essa razão que nunca haverá um anúncio da Microsoft no jornal Avante!

Ora, se o GES acredita que, no futuro próximo, tais notícias negativas vão continua a ser publicadas, faz todo o sentido a empresa rever a sua estratégia de comunicação. Quem sabe, até poderia alterar o conteúdo da mensagem publicitária e aumentar o volume de publicidade nos referidos órgãos de comunicação social se essa estratégia tivesse uma rentabilidade esperada superior à eliminação total dos anúncios.

Ainda o Euro 2004

E a separação de poderes? (2)

(i) nem sempre será possível a absolvição por falta de provas, por maior que seja a boa vontade de juízes e do Ministério Público; (ii) tanto ou mais penalizador do que a condenação é a humilhação pública da investigação penal e do julgamento a que são submetidas as vítimas; (iii) uma norma penal cuja não aplicação ninguém lamenta, pelo contrário, não merece continuar a figurar no Código Penal, por não cumprir os requisitos mínimos da punição penal, que é a consciência social da punibilidade dessa conduta.
Sobre o texto acima citado, subscrevo os comentários do JPL no seu Crítica Portuguesa.

E depois do choque?

O mito do grande Hub

E a separação de poderes?

O PS congratulou-se hoje com a absolvição de duas mulheres acusadas da prática de aborto, considerando que a lei que criminaliza a Interrupção Voluntária da Gravidez "está desgarrada em relação à realidade social e à consciência jurídica".
Erro do(a) jornalista ou ignorância do deputado Vitalino Canas?

De qualquer forma, a conclusão do referido deputado de que a lei está "desgarrada em relação à realidade social e à consciência jurídica" é absurda. A única inferência possível é processual: as acusadas foram absolvidas por falta de provas.

Novo recorde brasileiro

Por trás da gritaria e do jogo de cena, a CPI dos Correios avança. Ela descobriu, na noite da quarta-feira 6, que o publicitário Marcos Valério, denunciado por Jefferson (PTB-RJ) como o “carequinha falante” que operava o mensalão, era muito mais do que isso. Rastreando a CPMF das contas de dez de suas 18 empresas de comunicação, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram, entre 2001 e 2005, a movimentação de R$ 1,7 bilhão nas contas de Valério e sua mulher, Renilda. Com a varredura nas outras oito empresas, os analistas estimam que o passeio de dinheiro alcance R$ 2 bilhões – o dobro do que PC Farias, segundo a lenda, movimentou no trepidante governo Collor. “É estarrecedor. É a mais monumental lavanderia de dinheiro que este país já viu funcionando”, concluiu o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Mas Valério é modesto.

(in IstoÉ, via Grande Loja)
O que Collor conseguia fazer, Lula consegue fazer maior.

Ainda não perceberam que o problema não é a direita ou a esquerda. É o Estado!

Admissão de incompetência

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, admitiu hoje, em Évora, "falhas" nas condições para ensinar e aprender no ensino básico, prometendo um programa de intervenção a partir do primeiro ciclo.
Haveria esta admissão se os exames, como muitos defenderam, não fossem realizados?

Nota: o "programa de intervenção" será implementado em todas as escolas do país - até naquelas que não concordarem com a eficácia deste!

Show me the money*

O controlo de gastos na administração pública «não é possível porque o Governo não quer», acusa Bettencourt Picanço, presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), em declarações ao PortugalDiário, confrontado com o cenário de redução de despesas do Estado.

«Temos pedido ao Executivo que instale células de monitorização que controlem os gastos das empresas públicas e dos seus recursos humanos. Mas como não existe esse controlo nos serviços, depois vêm as surpresas», como «os desvios e as aquisições directas de muitos milhões», ataca o sindicalista.

Para Bettencourt Picanço, o instrumento essencial para a redução de custos deve incidir no «controlo dos objectivos e despesas de cada departamento, devendo isso ser publicitado, para que todos saibam para onde vai o dinheiro»: «Por exemplo pela internet, podia saber-se onde se gasta mais e menos, para se poder tomar medidas concretas».
* Tradução: "Mostra-me o dinheiro", citação do filme Jerry Maguire.

Coisas boas da França

O canditato anti-investidor

Não estarei muito longe da verdade se disser que a persistência deste modelo tem a ver com a ignorância e a falta de visão estratégica do poder central e a incapacidade e a subserviência das sucessivas administrações autárquicas face a certos poderes e interesses locais. Basicamente um modelo que foi desenhado muito antes do 25 de Abril e que permanece nos seus traços essenciais.
Meu caro João Bárbara, fique a saber que concordo consigo. O modelo actual, em que o estado (central ou municipal) em tudo interfere, trouxe a ineficiência do planeamento central e a possibilidade de os gestores da coisa pública serem influenciados (por meios legais ou não) para satisfazerem os interesses de alguns particulares ou de alguns grupos. No entanto desconfio que o João Bárbara não gosta é de não poder participar nesse modelo; de não poder ser o seu partido (Bloco de Esquerda) a planear como gastar o dinheiro dos contribuintes e a satisfazer os interesses dos (muitos) grupos que apoiam o BE.

Mas o candidato do BE diz mais. Diz que por isso é contra os investimentos da SONAE em Tróia (os munícipes de Grândola saberão da sua opinião?) e contra os investimentos do grupo Amorim em Setúbal. Penso que sendo consequente, também está contra o patrocínio avultado que o grupo Amorim já assinou com o Festroia, permitindo a expansão anunciada das suas actividades. Será contra a compra pelo dito grupo empresarial do antigo "Quartel do 11", para ofertar à câmara com destino a um centro cultural. Será também contra os milhares de postos de trabalho que estes investimentos criarão em Setúbal e em Grândola para não falar nos benefícios que o aumento de oferta e concorrência poderão trazer aos setubalenses.

Ou isso, ou então o candidato do BE é inconsequente.

A obsessão anti-francesa

The Almighty in His infinite wisdom did not see fit to create Frenchmen in the image of Englishmen.

Winston Churchill

Ocorre em Portugal um fenómeno que pode ser preocupante e não é único na Europa: A culpabilização da França por todos os males da Europa e por qualquer instabilidade que, de quando em vez, existe na relações transatlânticas. A censura, a maioria das vezes certeira, peca ao atingir os próprios pilares da cultura e modo de estar francês e quando visa os fundamentos filosóficos da França.

Até há poucos anos atrás a França era Deus na Terra para a sociedade portuguesa dominante. Poucos a punham em causa e político algum a ousava criticar. Depois da longa e forte aliança com a Inglaterra, a França era o modelo social, o modelo político e económico a ser seguido. Estávamos no tempo do mon ami Mitterrand e de Jacques Delors. Era um extremo.

Já nada é assim. A unanimidade desapareceu, mas a sociedade portuguesa (a da blogosfera incluída) deveria ter cuidado em não cair no outro exagero: Uma esmagadora preferência pela cultura anglo-saxónica e o esquecimento total da mais-valia francesa.

Prefiro a cultura anglo-saxónica. Em muitos aspectos revejo-me mais na tradição protestante que na católica. É, no entanto, do domínio público o fascínio que a França e a sua cultura sempre exerceram sobre os ingleses. A Inglaterra admira a França, sempre a estudou, a quis compreender e constantemente esteve a aprender com ela. Esquecer esta complexidade e olhar para a pátria de Sua Majestade, venerando-a como se fosse única, pode não ser a melhor opção e faz-nos correr o risco de deitarmos fora, uma vez mais, muitas das experiências que mais falta nos fazem.

11.7.05

Exame de matemática

Mais de dois terços dos alunos que realizaram pela primeira vez o exame nacional de Matemática do 9º ano chumbaram na prova, revelou segunda-feira o Ministério da Educação.

Dos 84.980 estudantes sujeitos a exame, apenas 24.896 (cerca de 30%) alcançaram uma nota positiva, entre três e cinco valores.
Pelo menos seis possíveis, não exclusivas, conclusões podem retirar-se destes resultados:
  1. o exame era demasiado exigente;

  2. má qualidade dos professores de matemática;

  3. alunos portugueses tem um baixo quociente de inteligência;

  4. não existe, nos alunos, o hábito de testar conhecimentos e, consequentemente, nem a motivação de conseguir melhores notas;

  5. a preocupação em chumbar no exame era reduzida, dado que o resultado apenas conta 25% para a nota final;

  6. o número de alunos dotados nas ciências matemáticas é diminuto (têm outros dons).

London calling

O ladrão diz onde vai gastar o dinheiro

Do investimento total de 4,69 mil milhões de euros previsto no âmbito do Novo Programa de Incentivos à Modernização da Economia (‘Novo PRIME’), 1,5 mil milhões de euros serão de financiamento público, e dos quais 900 milhões de euros são recursos adicionais não incluídos no orçamento inicial do projecto.

Segundo o ‘Novo PRIME’ hoje apresentado na Exponor pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, este projecto tem como propósito realinhar o PRIME com os objectivos do Plano Tecnológico, relançar o investimento empresarial e reforçar a competitividade das empresas nacionais.
Ao privilegiar algumas pequenas e médias empresas com o dinheiro dos contribuintes, o ministro Manuel Pinho fomenta a concorrência desleal e desemprego nos sectores de actividade das empresas não subsidiadas. É que o corte nas despesas públicas e nas taxas de imposto, apesar de ajudarem todas as empresas por igual, não resultam em tantos votos.

É fácil anunciar obra com o dinheiro dos outros. Díficil é vivermos com as consequências desses "investimentos públicos".

Excelente iniciativa

Nem mais...

O Iraque agora é pau para toda a obra. Como a falta de memória e o vírus anti-livros de história cada vez mais difundido, não faltará muito para culpar a invasão e ocupação do Iraque pelos atentados do 11 de Setembro nos EUA.


maradona n'A Causa Foi Modificada.

Leitura recomendada

Direita e Liberalismo

Modernas políticas socialistas do betão

Novo segmento de mercado

Efeitos do terror

10.7.05

Circuito Automóvel da Boavista

BE acusa Rio de brincar aos carrinhos

O Bloco de Esquerda contestou, ontem, a realização do Circuito da Boavista, que "Rui Rio utiliza para colar à sua anunciada recandidatura à Câmara do Porto".

"Nada temos contra os automóveis, mas estamos contra a utilização de dinheiros públicos nestas iniciativas. Aliciam-se as pessoas com pão e circo. Como não há pão, dá-se-lhes circo", afirmou João Teixeira Lopes, do BE.

O BE, embora não veja com bons olhos o "cerco" da Parque da Cidade, sublinhou que "o circuito até poderia merecer o nosso apoio se organizado com dinheiros privados".

Não sei porquê, mas estas declarações do Bloco fazem-me rir. O Bloco de Esquerda é apoiante da iniciativa privada? Isso também se aplicará à "Cultura"? E se não, porquê?

Por um lado, eles lá devem saber do que falam quando referem o circo. Actividades circenses é aquilo a que o Bloco mais nos habituou seja à porta de tribunais, ou passearem de traineira para barcos ao largo da costa portuguesa, lenços palestinianos no Parlamento, etc., etc., etc.

No entanto, esta preocupação com os dinheiros públicos do Bloco é muito selectiva. Nunca os vi protestar contra o apoio que a Câmara de Lisboa de Sampaio e Soares dava, por exemplo, ao Festival de cinema "gay" de Lisboa ou o apoio que essa mesma câmara deu à Fundação Mário Soares (fazer fundações com dinheiro público também eu faço).

O Bloco gosta que os dinheiros públicos financiem as actividades de que eles gostam, a "Cultura", por exemplo. Só que a concepção de cultura bloquista (e esquerdista, em geral) não é muito abragente e dirigida apenas para um público minoritário e elitista. Os bloquistas são tal e qual como Horácio quando dizia "odi profanum uulgus". Se é para muita gente já não estão de acordo. Mas se os dinheiros públicos forem para subsidiar as pessoas "certas", nem que não haja mais ninguém a ver aquilo, então já não gritam ao "panem et circenses".

Não se espantem por eu comparar "cultura" com "eventos desportivos". Tudo depende do conceito de "cultura". Além do mais, Rui Rio disse que o evento estava projectado para ter um ligeiro lucro ou um ligeiro prejuízo (espero que se cumpra o primeiro). Para além da enorme promoção da cidade que o evento criou junto dos entusiastas dos automóveis antigos de competição estrangeiros (sobretudo ingleses), que é gente que quando faz turismo não é propriamente turismo de pé descalço.

Só que recordar aquilo que se passou há 50 anos não será também "cultura"? (seja isso lá o que for). A minha filha mais velha (a mais pequena não tem idade para isso) e os meus sobrinhos (que tiveram a sorte de poder ir) deliraram com o que viram, ficaram maravilhados com os carros diferentes que viram. Deu-lhes a conhecer coisas diferentes daquelas que conhecem.

Virem agora armar-se em defensores dos dinheiros públicos (quando estão sempre prontos a gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, desde que se enquadre na sua mundovisão) e falarem em circo, quando são os maiores criadores de espectáculos circenses políticos é ter lata.

Post scriptum. E eu até não tenho nada quanto à chamada "cultura", afinal até sou de Letras e conheço melhor o neo-realismo literário (e nessa matéria a minha professora até foi a Isabel Pires de Lima) do que o Mises ou o Hayek (espero que os meus colegas insurgentes não levem a mal esta heresia).