14.5.05

Portugal, Hoje: O Medo de Existir


  1. Entendo que é um excelente sinal que um livro desta natureza esteja entre os mais vendidos na FNAC. Assim quem o comprou o leia.

  2. Achei o livro extraordinario no sentido em que José Gil escreve o que todos nos de uma maneira ou de outra ja suspeitavamos. Desta nossa “estranha forma de vida” da qual não nos sentimos responsaveis (alguma força exterior nos tolhe) mas pela qual nos sentimos culpados. Acho piada como nos - e julgo que so nos- rejeitamos a responsabilidade e assumimos a culpa (no sentido Biblico)...makes you go huummm??

  3. José Gil comete uma imprecisão. Eu explico: a imprecisão tem a ver com a unica referência a Guterres, diz José Gil que “...”é a vida”...costumava terminar os comentarios e analises de Antonio Guterres...” , ora Guterres disse-o apenas uma vez, por isso julgo que a frase é imprecisa e este facto não é dispisciendo para a analise que o autor faz do metadiscurso.

  4. Além do salazarismo (obvio) como fonte da não-inscrição e do medo, José Gil encontra a continuação da “alma” portuguesa no Cavaquismo (Enriquecei!) e acaba o livro com um ataque cerrado e quasi-justo ao governo de PSL e à apatia generalizada que decorre da não-inscrição, “nevoeiro” ou “sombra branca” em que caimos. Ora se ha época ou governação em Portugal no pos 25 de Abril que é o paradigma da não-inscrição é o guterrismo. Julgo que descrevendo o que este foi e como (não)governou seria o caminho mais rapido para perceber os efeitos recentes dessa “sombra branca”. O medo do confronto, a procura quase obssessiva do consenso, a hesitação, a inveja, a exaltação da mediocridade, a negação da excelência, a culpa, o “é a vida” e todos os outros muros que José Gil vê na sociedade portuguesa estão presentes no guterrismo. Com o devido respeito e consciência da distância intelectual que me separa de José Gil esta ausência parece-me tudo menos desengajada.

  5. Ha ainda outra coisa. Não se pode pedir, nem me parece que fosse essa a intenção de José Gil, que apontasse soluções ou caminhos de saida. Desde logo, porque num livro quase de bolso seria extremamente dificil senão impossivel. Ja se poderia pedir que olhasse os novos sinais, as novas elites que não aparecem nas noticias, mas existem. Ha esta tendência de olhar para os politicos e intelectuais e procurar neles essas elites. So que o mundo mudou e com essa mudança, mudou o lugar das elites como mudou a maneira como intervêm na sociedade. Ha indiscutivelmente novos protagonistas nas empresas, na universidade e na cultura. O proprio Jose Gil é disso um exemplo, este seu grito pode e tera concerteza efeitos duradouros na vida de muitos de nos. A nova geração de gestores em empresas como a Vodafone, Somague, Optimus e outras é muito menos temerosa e dependente do estado. Novos criadores na musica, na arte, na moda até personagens como Mourinho, Figo e Cristiano Ronaldo têm o efeito de abrir brechas no nosso “medo de existir”. A blogosfera, embora “horizontal” tem divulgado uma nova geração de intelectuais desempoeirados, sem complexos de qualquer espécie, sem medo do confronto - de ideias ou outro e com a noção da importância da excelência. Gente como o Luciano Amaral, Pedro Mexia, Vasco Rato, Daniel Oliveira, Rodrigo Adão da Fonseca, André Azevedo Alves, Carlos Carapinha, João Caetano Dias, João Miranda e tantos outros, estão longe desse “medo de existir” tão verdadeiro e tão bem explicado pelo Jose Gil mas que cada vez tem mais tendencia a desaparecer de "dentro" para "fora" e a tornar-nos mais proximos dos "outros".

Li o livro de rajada. Comprei-o por volta das 19 horas de ontem e terminei-o cerca das 2 da manhã. O que significa que o que escrevi acima pode ser um chorrilho de disparates, mas é uma primeira impressão. Voltarei a lê-lo, porque é o tipo de obra que pode mudar uma vida. Aconselhadissimo.


P.S. Houve alturas em que me vi aflito. Por ex: "O entorpecimento é um modo particular de escapar à ausência de si a si, e de si ao mundo." De "si a si"? Isto é um bocado Eduardo Prado Coelho, muito "...entre o mais e o mais." Mas enfim, "é a vida " e hei-de la chegar com mais uma ou duas leituras.
P.P.S. post em stereo ("stereo" com copyright do Irreflexões)

O legado dos défices passados

A dívida pública totalizava 93 880 milhões de euros no final de Abril, informou ontem o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), mais 10,6% do que no mesmo período do ano anterior.

Em relação a Março houve um aumento de 1,2%, no total de 1119 milhões de euros.

(in JN, via Jaquinzinhos)

Tradução: cada um dos dez milhões de portugueses tem uma dívida de 9.388 euros. No final do ano, a verificar-se idêntica taxa de crescimento (1,2%), esta vai crescer para 10.328 euros. Mas, a julgar pela ânsia despesista do governo socialista, espera-se que a taxa de crescimento seja muito maior.

Ora, assumindo uma taxa de juro de 3,5% e Dívida Pública de 100.000 milhões de euros (estamos quase lá), o Estado terá de, em média, cobrar a cada português cerca de 350 euros de impostos só para pagar os juros anuais (3.500 milhões de euros). Por outras palavras, o Estado, para pagar défices orçamentais passados, confiscará à economia o valor de 667.200 salários mínimos anuais (374,70 euros x 14 meses).

E ainda há quem diga que "o défice é um instrumento necessário e fundamental para garantir o crescimento económico pela vias da competitividade nacional". Anteriores governantes pensaram o mesmo. Estamos agora a pagar essa factura!

Verdades complicadas

Paulo Coelho censurado no Irão

MADRID. Cuando Paulo Coelho decidió presentar su último libro , «El zahir», en Irán para así evitar el peligro de ser pirateado, no se imaginó que iba a suceder todo lo contrario: ser silenciado. Según un comunicado remitido por la editorial Planeta, la última novela del escritor portugués [sic] fue retirada de la Feria de Libro que se ha celebrado recientemente en Teherán.
Sinceramente não sei do que trata o dito livro, nunca li Paulo Coelho - não por complexo elitista, pois também nunca li Saramago (sim, para quem estranha, desde já digo que é possível ter uma licenciatura em LLM e não ler Saramago. É que antes dele estão milhares de outros livros que, penso, têm mais interesse para mim) - e, por isso, não sei o motivo da interdição da venda do livro. Mas, se já interditam o Paulo Coelho, então não sei que tipo de literatura por lá eles permitem. Não devem ter muita escolha.

13.5.05

Coisas que nos dão cabo de uma tarde de trabalho #2

Dirigentes do BE: Eles mentem, eles perdem?

...A conclusão que daqui se retira é que dirigentes do BE enganaram o PÚBLICO e, por essa via, os seus leitores. Tal como surge consagrado no nosso Livro de Estilo, perante uma situação desta gravidade decidimos tornar públicas quais foram as fontes que afirmaram uma coisa e fizeram outra e só estas, embora para a notícia tenham sido ouvidos outros dirigentes do BE.

Esperemos que seja uma prática para continuar. "Matéria-prima" é coisa que não falta...

Coisas que nos dão cabo de uma tarde de trabalho #1

Trampolinadas

Teste Político

Vous vous situez à droite.

Aucun parti ne correspond exactement à vos opinions.
Cependant, les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :

1. l'UDF
mais vous accordez moins d'importance au rôle de l'Etat dans le domaine économique et social.
L'UDF est résolument POUR la Constitution européenne.

2. l'UMP
mais vous ne partagez pas la même opinion sur l'importance de la responsabilité personnelle des gens.
L'UMP est en majorité POUR la Constitution européenne.


Sugiro que todos, leitores e insurgentes, o façam.

Leitura recomendada


There's an old folk story that if you throw a frog into boiling water he will quickly jump out. But if you put a frog into a pan of cold water and slowly raise the temperature, the gradual warming will make the frog doze happily. In fact the frog will eventually cook to death, without ever waking up. Will this be the fate of European citizens in the face of the hazards of a new "Road to Serfdom"?

It need not be so. Biologists have tested whether the story of the frogs is true. And they have found out that it isn't. The frogs will jump out long before the water becomes too hot for them.

What do we make out of all of this? The conclusion is clear: Europeans should follow the frogs. Europe needs a change.

Ilógico

Choque

Governo de Sócrates chocado com défice de 7 por cento
Chocante? Mas o deficit não é necessário e fundamental para que o país seja mais competitivo?
Se afinal o líder do PS (e primeiro ministro) não concordar com o líder do seu grupo parlamentar, suspeito que o tratamento a seguir para tão chocante notícia seja o mesmo de sempre: pedir aos contribuintes que paguem mais impostos. Aumente-se as receitas (mais fáceis e rápidas de obter), porque as despesas são sagradas (muito díficeis de baixar, face à falta de coragem política de afrontar os clientes da mesma).
Aguardo para saber se o ministro das finanças tem algum projecto de medicina alternativa.

Constituição Europeia

Coisas que nos dão cabo do dia #1

12.5.05

Pela defensabilidade "em abstracto" do comunismo

É verdade que são duas doutrinas erradas, intrinsecamente erradas, com uma diferença fundamental - Se o comunismo é errado, mas "defensável" em abstracto, a execução no terreno foi o que foi..., já o nazismo não tem ponta, seja qual for, por onde se pegue, e isto não tem rigorosamente nada a ver com distinções ou similiritudes entre racismo e lutas de classe.

É caso para dizer que o Manuel "não aprendeu nada porque não percebeu nada". Por causa deste e de muitos outros "Manuéis", certamente cheios de piedosas intenções, talvez seja mesmo inevitável que os horrores do passado recente, mais cedo ou mais tarde, se repitam.

O deficit é amigo

O défice é um instrumento necessário e fundamental para garantir o crescimento económico pela vias da competitividade nacional. Se se pretende no imediato outra coisa, não contem connosco.
Assim se pronunciou Alberto Martins, líder do grupo parlamentar do PS: nada como expandir os gastos públicos para aumentar a competitividade.
À atenção do ministro das finanças, que se afirmou pela redução da despesa.

Ora aí está

(…)
"A democracy cannot exist as a permanent form of government. It can only exist until the voters discover that they can vote themselves largess from the public treasury. From that time on the majority always votes for the candidates promising the most benefits from the public treasury, with the results that a democracy always collapses over loose fiscal policy, always followed by a dictatorship.
The average age of the world's great civilizations has been 200 years. These nations have progressed through this sequence:
from bondage to spiritual faith;
from spiritual faith to great courage;
from courage to liberty;
from liberty to abundance;
from abundance to selfishness;
from selfishness to complacency;
from complacency to apathy;
from apathy to dependency;
from dependency back again to bondage."
--Sir Alex Fraser Tytler (1742-1813) Scottish jurist and historian



Since most great economic movements are driven by a relatively small portion of any society (even though most participate in the endeavor), I suspect that the apathy of some is enabled by the abundance generated by others and occurs in concert with the “abundance” phase of this quote.
This apathy turns into “selfishness” (by my definition it is those who want something for nothing that make “selfish” a negative term. Those who take care of themselves and their families are selfish, too, but that is a good thing. Their selfish tendencies will often include charity, as that makes many people happy. It is their selfish need to be happy that drives their generosity/charity. I do not think that is these people who are described by the word “selfishness” in the above quote).
It is those who vote for their share of the abundance who never realize that you cannot force productivity/abundance. They take the abundance for granted and expect it to continue whether the producers like it or not.
T. Finney

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Patinhas e atletismo

Direita Goldwater

1.000.000 de pageviews

Cúmulo da elasticidade

"...no Porto, acidente na ponte do Rio Leça em Viana do Castelo."
dois minutos depois
"Repito, no Porto, acidente na ponte do Rio Leça em Viana do Castelo."


Proposta alternativa "...em Lisboa, acidente na ponte do Rio Minho em Vila Real de Sto António."

Hayek em Cannes

Formação?

Portugal afunda-se no índice de competitividade

Como aplicar feng shui na sala de aula


De acordo com a primeira notícia, um dos itens em que Portugal está pior classificado é na formação contínua da mão-de-obra, em 59º lugar.

A segunda respeita ao encontro sobre temas alternativos para professores, já citados em vários blogues como por exemplo neste. No fim da notícia vem escrito isto:

Para participar no encontro, os professores tiveram que pedir dispensa nas escolas ao abrigo de um normativo que lhes permite fazê-lo. Uma das próximas actividades vai decorrer já no início de Junho, uma quinta-feira à tarde, um passeio no Tejo. “Tem de ser assim, porque se for ao fim-de-semana os professores não vêm"



Ora para lá da duvidosa classificação de formação destas iniciativas da organização Pró-Ordem de Professores, esta frase da sua responsável demonstra bem que a responsabilidade da falta de formação contínua está também do lado dos hipotéticos formandos. São poucas as pessoas que consideram a formação uma mais valia profissional dispondo-se a frequentar cursos fora do horário normal de funcionamento, mesmo que isso lhes traga vantagens profissionais. Considerando ainda que os hábitos normais de trabalho dos portugueses são peculiares, incluindo o café a meio da manhã e o lanche a meio da tarde, sabendo também que a organização não é das melhores, não é fácil, especialmente para as pequenas empresas abdicar de horas de um empregado e arcar com custos extraordinários mesmo que isso lhes traga vantagens a prazo.

Errata

Pode citar Hayek e mandar os outros lerem o Oaekshott
Deve ler-se:
Pode ler Margarida Rebelo Pinto e mandar os outros lerem o Hayek
.

As razões de Estaline 2

Tax Freedom Day

As contas do Sr. Ministro

Ministro quer reduzir despesa pública

O ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, quer reduzir a despesa pública em quatro mil milhões de euros até final da legislatura

(...)

Na sua intervenção, o titular da pasta das Finanças disse ainda que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o Governo está a preparar vai ser um pacote de medidas calendarizadas e com objectivos quantificados.


Sublinho que foi da poucas vezes (ou talvez a única) que um ministro afirmou pretender reduzir a despesa pública e não, apenas, o défice. Boa sorte.

11.5.05

%&\#$ que os pariu

E agora a Lear

Clemência!

A taxa única única de imposto

Os gafanhotos

he accused international investors of being "capitalist locusts" who chew up companies and spit them out again.
A crítica teve, dertamente, origem na necessidade de apelar ao voto dos tradicionais eleitores do SPD tendo em conta que correm o risco de perder eleições estaduais que se aproximam. No entanto, deu-se origem a um debate sobre o papel do capitalismo no actual estado da economia alemã (DW):
His criticisms caused an uproar from politicians and the media, and started an intense debate about whether profit-oriented companies and globalization are at fault for Germany's own plague: frighteningly high unemployment.
Do outro lado do debate estão os que apontam o exemplo das economias que há mais tempo implementaram reformas liberalizando a economia, como em Inglaterra sobre a direcção de Margaret Thatcher.

Nós rejeitamos este mundo!

CARTA MUNDIAL DAS MULHERES PARA A HUMANIDADE

Preâmbulo

Nós, as mulheres, marchamos há muito tempo para denunciar e exigir o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres, para dizer que a dominação, a exploração, o egoísmo e a procura desenfreada do lucro que levam às injustiças, às guerras, às conquistas e às violências devem terminar.###

Das nossas lutas feministas e das que as nossas antepassadas protagonizaram em todos os continentes, nasceram novos espaços de liberdade, para nós, para as nossas filhas, para os nossos filhos e para as nossas netas e netos, que, depois de nós, caminharão sobre a terra .

Nós construímos um mundo onde a diversidade é uma virtude e onde tanto a individualidade quanto a colectividade são fontes de riqueza; onde as trocas flúem sem barreiras; onde as palavras, os cantos e os sonhos florescem . Este mundo considera a pessoa humana como uma das riquezas mais preciosas. Neste mundo reina a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz.Nós temos a força para criar este mundo.

Somos mais de metade da humanidade. Damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, divertimo-nos . Nós asseguramos actualmente a maioria das tarefas essenciais à vida e à continuidade da Humanidade. No entanto, o nosso lugar na sociedade continua subvalorizado.

A Marcha Mundial das Mulheres, da qual fazemos parte, identifica o patriarcado como o sistema de opressão das mulheres e o capitalismo como o sistema de exploração de uma imensa maioria de mulheres e homens por uma minoria.

Estes sistemas reforçam-se mutuamente. Eles fundamentam-se e articulam-se com o racismo, o sexismo, a misoginia, a xenofobia, a homofobia, o colonialismo, o imperialismo, a escravatura e o trabalho forçado. Eles legitimam os fundamentalismos e os integrismos que impedem as mulheres e os homens de serem livres. Eles geram a pobreza e a exclusão, violam os direitos dos seres humanos, em particular os das mulheres, e colocam a humanidade e o planeta em perigo.

Nós rejeitamos este mundo!

Erros de análise

Obrigado Lutz?

Abstém-se?

Leitura recomendada

Afinal não

Influências

10.5.05

O planeta não lê manifestos ecologistas

Reductions in industrial emissions in many countries, along with the use of particulate filters for car exhausts and smoke stacks, seem to have reduced the amount of dirt in the atmosphere and made the sky more transparent.

That sounds like very good news. But the researchers say that more solar energy arriving on the ground will also make the surface warmer, and this may add to the problems of global warming. More sunlight will also have knock-on effects on cloud cover, winds, rainfall and air temperature that are difficult to predict.

(link via Greenie Watch)
Um "benefício" do ar mais limpo: aquecimento do planeta. Aguardo protesto dos ambientalistas junto das empresas que investiram milhões de euros em equipamentos "ecológicos"...

Edmund Burke

Dúvidas morais

"É imoral que sejam os trabalhadores no activo que hoje estão a descontar para terem direito às prestações familiares e à pensão que estejam a pagar as contribuições reduzidas de outros", criticou.

O secretário-geral da UGT afirmou que, "se o Estado declara socialmente necessário que haja prestações reduzidas para alguns trabalhadores", então deve ser ele a suportar os seus custos, "por via dos impostos".
Não são, de forma geral, os trabalhadores no activo que suportam as contribuições de quem nunca contribuiu de forma proporcional às prestações que recebe ou ao custo dos serviços públicos de segurança social? Há ou não uma factura que é passada à geração seguinte pela actual organização da segurança social?
Será que João Proença também considera que o adjectivo "imoral" se aplica aqui?

Considera o sindicalista que aumentar impostos não é a mesma coisa que aumentar a contribuição retirada aos rendimentos mensais sobre a designação de contribuições para a segurança social? Não é verdade que ao dar benefícios fiscais (menores contribuições) a certos grupos, o estado se empenha na sua acção de redestribuidor da riqueza, defendida pelo partido e pela associação sindical de João Proença?
Afinal, de que se queixa? De que o estado falha globalmente nessa função de uma forma geral ou só que não beneficia suficientemente quem o sindicalista favorece?

Uma campanha alegre

The Flawed Fast Food Tax

But in this case, it is worth asking which is more gluttonous: the fast food consumers who order combo meals, or the governments, which constantly seek new ways to feed their own insatiable appetites. It’s a shame that those who so often lament governmental attempts to “legislate morality” don’t find anything wrong with the arbitrary taxation of certain legitimate industries and commodities.

In addition, the state’s interest in promoting healthy behavior quickly becomes contradictory when sin taxes are introduced. If such activities really are so harmful, government should not have an economic stake in the continuance of such activities. Indeed, government budgets, in seeking the short-term crutch of sin taxes, can quickly become dependent on them for long-term viability.

(...)

As a rule, governments should not seek quick and temporary fixes to structural budget problems. Sin taxes like the fast food tax are quick fixes that would have serious economic and moral consequences. Government leaders really ought to address their own appetite for spending tax dollars before they try to regulate the appetites of their constituents.

E não se pode suspender o tipo?

Leitura recomendada

The "social market economy" of Ludwig Erhard's Germany has failed. Sixty years after its inception, the economic system that led West Germany out of the pestilence and destruction of wartime planning has finally revealed the inherent weakness of its foundation. It failed because a Bismarckian welfare state cannot be fused with capitalist market order.
O aviso veio do próprio Erhard, que afirmou que o estado não pode distribuir ao seus cidadãos mais do que aquilo que antes lhes retira, descontando ainda os custos da burocracia necessária ao estado providência.

Leitura Recomendada

Valha-nos Deus

Re: A questão do financiamento

As razões de Estaline

O modelo europeu

L'Europe est une idée française qui a été portée par ses pères fondateurs, Jean Monnet et Robert Schuman. La Constitution a largement été inspirée par la France. Elle porte en elle le modèle français. Elle marque une étape fondamentale dans la construction européenne. Nous devons nous en réjouir.


Sou a favor da Europa, mas de uma Europa plural, não a seguir o modelo de um único país.

O medo holandês

Trente-sept pour cent des électeurs néerlandais qui comptent prendre part au référendum du 1er juin sur le traité constitutionnel européen ont l'intention de voter "non", 22% comptent voter "oui" et 41% sont indécis, selon un sondage rendu public vendredi 6 mai.


Mais leitura no Nouvel Observateur.

A escolha é entre Bruxelas e o holocausto

Constituição europeia

Quem não tem cão...

As presidenciais deixaram definitivamente de ser uma aposta de Sócrates, o que para alguns socialistas explica a aceitação do nome de Alegre. E há na direcção do PS quem tema pela performance do deputado. "Se for ele o candidato, levamos um banho desgraçado", admite um alto dirigente partidário.

A questão do financiamento

  • receita da venda de autocolantes para o vidro do carro "vai chamar fascista à tua mãe" (c) : 30%
  • receita obtidas com o estacionamento de veiculos (extorsão): 25%
  • CIA: 20%
  • Mossad: 20%
  • receita da venda dos discos do AAA: 5%
  • 9.5.05

    Uma questão de (in)competência

    Repare que em 2001 Portugal tinha mais de 40% de juizes que Espanha ou França. Tinha três vezes o número de juizes do Reino Unido. Só para lhe dar uma ideia. Em termos de tribunais por 100.000 habitantes Portugal tem um índice de 3,2, em Espanha o índice é de 1,3, e em França é de 0,8. Quer melhores indicadores de que não é preciso mais dinheiro para a Justiça? Isto é como o problema da saúde. Não é preciso mais dinheiro, nem para a saúde, nem para a educação. Há nesses sectores recursos a mais, eles estão é mal geridos. E esta é que é a questão fundamental. Um gestor para a justiça já. É um erro continuar com a ideia que o ministro da Justiça tem que ser um advogado ou um magistrado.
    O actual ministro da Justiça, Alberto Costa, é advogado/político...

    E tu?

    Suspense

    «Recebemos a informação de que a Rússia irá apoiar a candidatura de António Guterres a ACNUR», declarou José Sócrates
    Estas palavras do nosso PM, e os seus contactos em Moscovo, demonstram que se tem empenhado na escolha do líder da Internacional Socialista para aquele cargo. Mesmo não vencendo o processo de selecção e recrutamento da ONU (que funciona à base de cunhas, como se vê - os outros candidatos farão o mesmo de certeza), Guterres pode optar por não tentar a sorte contra Cavaco, dados os resultados das sondagens, embora este também ainda não se decidisse. Será que Cavaco Silva também está à espera da conclusão deste processo de recrutamento?
    Outra hipótese, é que Guterres esteja a construir um currículo do que "poderia ter sido" (mas não foi) e que pretenda com esse currículo valorizar-se aos olhos dos portugueses, de modo a melhor se posicionar face a Cavaco.

    Os cenários da nomeação de Guterres para ACNUR ou da sua decisão de não se candidatar, podem dar origem a uma disputa interna no PS entre os veteranos mais à esquerda e os que maioritariamente apoiaram Sócrates nas directas. Manuel Alegre pode considerar que a manutenção do estado socialista está em causa com as derivas sociais democratas de Sócrates e decidir afirmar-se como candidato. Do lado maioritário, pode haver a vontade de empurrar Vitorino para que se decida a concretizar, de uma vez por todas, as potencialidades que sempre lhe são reconhecidas.

    Lá como cá

    SIR – In India, we have a progressive tax system and a multiplicity of exemptions that distort taxpayers' behaviour the same as elsewhere. However, our system is counter-productive as it also teaches people to avoid and evade taxes and encourages a whole range of activities by taxpayers and taxmen that includes corruption, harassment, intimidation and downright fraud. The last decade has seen the abolition of wealth tax, estate duty and gift tax and a consolidation of tax rates with no adverse effect on tax revenues. Bureaucratic re-engineering of the economy through multiple tax rates is a foolish hope, which is slow in fading. A flat rate for income tax, VAT, customs duty and excise duty would eliminate corruption, encourage compliance, make for better revenues and improve governance.
    Gautman Pingle
    Hyderabad, India

    Atrasados mas sinceros

    Leitura recomendada

    A Europa conseguiu mesmo mobilizar para o financiamento da expansão do seu modelo social uma maior proporção dos seus impostos do que noutras circunstâncias lhe seria possível, graças à protecção estratégica que lhe foi assegurada pelo escudo nuclear e pela capacidade militar norte-americana, nomeadamente durante a Guerra Fria e a ameaça soviética. Daí o interessante paradoxo de terem sido as opções políticas dos EUA - que os europeus normalmente contestam e cujo modelo social, mais individualista e menos dependente do Estado, consideram normalmente inferior - e os seus impostos aplicados na defesa militar do Ocidente, a favorecerem uma maior abrangência do MSE que, por sua vez, os EUA criticam e consideram moralmente errado... É assim que a despesa pública na Europa Ocidental foi crescendo de 30% do PIB no início dos anos 60 (27% nos EUA), acelera para 45% na década de 80 (31% nos EUA) e está na casa dos 50% (33% nos EUA)... "A despesa pública europeia não foi nem é "virtuosa" e criou um mundo de ilusões cuja factura cresce exponencialmente! A Europa continental tornou-se um monstro de direitos sociais e de corporações de interesses. A desresponsabilização, crescente e colectiva.

    Foi na Europa que se gerou, e em Portugal de uma forma mais acelerada, o conjunto de ilusões que nenhum líder europeu quer alertar ou confrontar os seus citoyens para o seu fim próximo! Muito antes da China, do alargamento a Leste, já a Europa e Portugal viviam com produtividades muito inferiores a um mundo em globalização crescente. Sempre olhei para a pompa e circunstância do Tratado Constitucional Europeu como mais um exercício de retórica e de fuga em frente e que, principalmente, produziu um monstro jurídico onde a incompetência e incapacidade dos Estados em tratar os seus verdadeiros problemas se transferisse para a política externa, na procura do "inimigo" que servisse ao embuste que estava em jogo. Convenientemente surgiu a Administração Bush.

    Que a história não se repita (ainda vamos a tempo)

    Dissolução

    Ornitorrico - O Insurgente esclarece

    Leitura recomendada

    Os méritos dos comércio "justo".

    Ornitorrinco

    "(...) este é o único partido da democracia do século XXI"
    Declarações do Grande Defensor da Democracia Portuguesa.

    Relembrar o Exército Vermelho

    8.5.05

    In Utero

    De parasita a ser humano

    Parasita: organismo que vive à custa de outro (o hospedeiro)

    Humano: o género humano
    Do debate político sobre o descriminalização da prática de Aborto (ou o eufemismo Interrupção Voluntária da Gravidez) a única coisa que ouço dos seus defensores - principalmente de bloquistas e comunistas - é que se trata da mulher ter direito ao seu próprio corpo. Do outro lado, mencionam apenas que é necessário proteger a vida humana. Muita retórica. Pouca informação.

    10 semanas, 12, 16. Chutam números esperando que, a todo o momento, alguém grite "Bingo". Discutem semanas sem, no entanto, tocar na questão essencial: quando é que um feto no útero da mulher passa do estatuto de "parasita" a "ser humano"? É este horizonte temporal que, uma vez ultrapassado, concede ao feto o direito à vida.

    No campo pró-vida diz-se que a vida humana deve ser protegida desde o momento da concepção. O Estado, ao autorizar a venda da pílula do dia seguinte, discorda. Logo, presentemente, a lei portuguesa define que o feto humano deixa de ser um parasita no corpo da mulher a partir do segundo dia de gestação.

    Parte da população (vamos esperar pelo referendo para quantificar) defende que 1 dia é pouco. Querem que o Estado alargue o prazo para 3 a 4 meses. Porque não 7 ou 8 meses? Não sei. E, a julgar pela estratégia de comunicação dos políticos pró-aborto, nunca saberei.

    Assim, quando tiver de votar em referendo sobre a questão, terei de escolher o lado dos que não têm voz para se defenderem: o meu voto é NÃO à descriminalização da prática do Aborto. Porém, um cidadão informado decide (e vota) melhor. Espero que a blogosfera pró-aborto possa disponibilizar os factos que me façam mudar esta intenção de voto.

    Double standards

    German neo-Nazi march stopped on WW2 anniversary

    A neo-Nazi march in Berlin was stopped by thousands of anti-fascist demonstrators Sunday after a tense standoff that overshadowed Germany's ceremonies marking the end of World War II in Europe 60 years ago.

    Parabéns, Fritz! (*)

    Re: Todd e Ayn Rand

    Bloco move-se para o centro II

    Expresso: O que representa a Ruptura FER?
    GG: É uma sensibilidade política dentro do BE, na área da esquerda revolucionária, e um dos seus partidos fundadores, tal como o PSR e a UDP.

    Expresso: Porque não tem então a mesma visibilidade?
    GG: A direcção do BE não quer expor que tem uma sensibilidade à esquerda no seu interior, o que revela algum défice democrático. Nós estamos sub-representados na Mesa Nacional, enquanto a ala direita é promovida a cargos nacionais.

    Expresso: Não é uma questão de falta de importância da FER?
    GG: Não. A sensibilidade de Miguel Portas, por exemplo, com excepção do apelido, não tinha mais importância que a minha. É por estratégia política que se privilegia o campo mais à direita do BE.
    Com o crescimento dos votos nos bloquistas aumentará, também, a luta pelo poder. Adivinha-se, a médio prazo, o desmantelamento do Bloco Soviético de Esquerda...