13.4.05

Aprender a pescar

Os candidatos RSI são maioritariamente mulheres, com idades entre os 18 e os 30 anos e com habilitações não superiores ao 1º ciclo do ensino básico, um perfil semelhante ao dos utentes do RMG.
Os beneficiários do RMG são na sua maioria do sexo feminino, têm entre os 31 e os 45 anos e 55 por cento apenas possuem habilitações não superiores ao 1º ciclo do ensino básico.
Estamos a falar de pessoas jovens, sem formação. Numa altura em que o choque tecnológico está na frente das políticas de expansão da economia e criação de emprego prometidas por Sócrates, verifica-se que os mais carenciados poderão não ter capacidades para poderem participar deste bravo novo mundo.

Outra das questões tem a ver com vontade de melhorar a própria situação; de ambicionar melhores condições de vida. O mercado de trabalho para tarefas sem necessidade de recorrer a grandes conhecimentos académicos tem sido suprido por imigrantes. Nada de mal nisso. Apenas se revela que existe escassez de oferta de trabalho: não há nacionais quem estejam disponíveis a executar essas tarefas aos preços negociados com a procura (os empregadores). Muitos optam por permanecer fora do mercado de trabalho. A vontade de aceitar trabalhos menos bem remunerados, é esmorecida pela possibilidade de receber o RSI.

Portugal pode estar a criar um grupo enorme de dependentes, que por não terem a formação profissional e a vontade necessária, não estão a aprender a pescar e cuja sobrevivência depende do que é retirado ao cada vez mais repartido e reduzido pescado dos contribuintes.