28.2.05

O Estranho Conceito de Democracia do Daniel Oliveira

Na sua coluna do Expresso do último Sábado, o Daniel Oliveira, dirigente e assessor de imprensa do Bloco de “Esquerda”, insurge-se contra o facto do Papa ter, alegadamente, comparado o aborto ao holocausto no seu último livro. Estas supostas declarações servem de pretexto para que o Daniel lembre as alegadas omissões e cumplicidades da Igreja no que diz respeito ao holocausto. Para o Daniel, estas novas declarações sobre o aborto são apenas mais uma prova de que este “Papa conservador” pretende voltar a unir trono e altar e de que a Igreja é equivalente aos Talibans.

Esta posição do Daniel fundamenta-se numa série de equívocos e revela um estranho conceito de democracia.

Os equívocos do Daniel

O estranho conceito de democracia do Daniel

Mas o que sobressai do comentário Daniel é um peculiar conceito de democracia.

Numa democracia, se a Igreja considera sua missão "to pass moral judgments even in matters related to politics, whenever the fundamental rights of man or the salvation of souls requires it", não terá esta o direito de o fazer ? Pretenderá o Daniel restringir o direito de expressão de todas as entidades que defendam o direito à Vida ?

E os cidadãos que professam a fé católica serão eles cidadãos de 2ª sem direitos políticos ?

Nas sociedades democráticas todas as propostas são discutidas e avaliadas livremente. Aquele que, em nome do respeito da consciência individual, visse no dever moral dos cristãos de ser coerentes com a própria consciência um sinal para desqualificá-los politicamente, negando a sua legitimidade de agir em política de acordo com as próprias convicções relativas ao bem comum, cairia numa espécie de intolerante laicismo. Com tal perspectiva pretende-se negar, não só qualquer relevância política e cultural da fé cristã, mas até a própria possibilidade de uma ética natural. Se assim fosse, abrir-se-ia caminho a uma anarquia moral, que nada e nunca teria a ver com qualquer forma de legítimo pluralismo. A prepotência do mais forte sobre o fraco seria a consequência lógica de uma tal impostação. Aliás, a marginalização do Cristianismo não poderia ajudar ao projecto de uma sociedade futura e à concórdia entre os povos; seria, pelo contrário, uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização (fonte).