4.12.05

Portugal e a mundividência de esquerda

O caso dos partidos da esfera de poder em Portugal é paradigmático, o PS é um partido herdeiro do socialismo dito democrático e o PSD é um partido que, como o nome indica, se assume social-democrata. Uns e outros são herdeiros da tradição marxista reformista. É verdade que no PSD existem e sempre existiram forças consideradas liberais mas isso não invalida ou apaga a sua filiação social-democrata.###

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O que separa o socialismo democrático da social-democracia é muito pouco, ambas as ideologias têm raízes comuns e a distinção entre elas é pouco clara, foi feita sobretudo pela História, pelo tempo. É precisamente em face da História que podemos dizer que a social-democracia evoluiu para uma maior aceitação do mercado. É geralmente a posição face ao papel do Estado que distingue hoje uma da outra, com os sociais-democratas evidenciando uma maior abertura ao sector privado, no entanto os valores culturais, sociais, a visão global do mundo, continua a ser em larga medida partilhada.

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A conclusão óbvia é que Portugal não tem, desde 1974, qualquer direita de poder, é um país verdadeiramente mergulhado no mais absoluto situacionismo de esquerda proporcionado por 2 partidos irmãos que fazem o papel de dinâmicas opostas, quando o não são. Absurdo porque um partido de inspiração social-democrata, mesmo que com algumas influências liberais, como é o caso do PSD, não é um partido de centro-direita e muito menos de direita; contudo em Portugal passa por tal.

Se os inquéritos aos jornalistas em países onde a distinção partidária esquerda/direita é, ainda assim, mais clara e aceitável, revelam um domínio completo da mundividência de esquerda sobre a informação, no caso português a situação é concerteza mais flagrante pois quantos desses jornalistas que se declaram de direita não se situam na esfera de influência do PSD, partido que é afinal herdeiro de uma tradição de esquerda? E se no Ocidente podemos dizer com segurança que a esquerda controla a comunicação em Portugal poderemos afirmar que quase não há de todo comunicação para lá da esquerda, com todas as implicações que isto tem na sociedade e nos valores que a regem.