Baixa política
Cheguei quase no fim (e talvez melhor fosse ter chegado muito para lá do fim). Apesar do atraso, lá tentei ouvir o que os senhores candidatos à CML tinham para me dizer.
Ainda me lembro de quando eu assistia aos debates televisivos (e também aos tempos de antena, confesso) com o mesmo entusiasmo com que os meus amigos viam os jogos de futebol. Hoje os tempos são outros. Dou por mim a ver futebol e é com algum sacrifício que me tento ficar sossegado no sofá enquanto ouço aqueles senhores vociferando na televisão. Faço-o quase como se cumprisse um dever cívico que julgue indispensável à minha humilde condição de cidadão eleitor.
Mas, há limites para tudo.
Hoje vi um tipo verdadeiramente execrável. Um sujeito que, segundo dizem, é professor de filosofia. Alguém que, talvez até por isso mesmo, deveria ter um especial cuidado com o tratamento das ideias e o dever, não menos especial, de rigor e honestidade intelectual.
Não é nada disso que me apetece denunciar – até porque cada vez percebo menos esta politiquice e cada vez me interesso menos por ela. O que me apetece denunciar é a falta de decência.
Já nem falo de níveis mínimos de educação, de civilidade ou de urbanidade, mas de pura e simples decência. O comportamento de Manuel Maria Carrilho no debate de ontem, transmitido pela SIC-Notícias, não deve ser tolerado numa sociedade que se pretende decente – como eu ainda acredito que Lisboa seja.
Se continuarmos a tolerar comportamentos deste calibre, sobretudo em combates políticos a este nível, faltamos ao respeito para connosco próprios.
Costumava-se dizer que quem não se sente, não é filho de boa gente. O Professor Carmona Rodrigues revelou virtudes estóicas ao aguentar pacientemente aquele comportamento ultrajante. Terminado o debate e finda a emissão, levantou-se e dirigiu-se ao seu adversário de mão estendida para o cumprimentar. Este, na última alarvidade da noite, levantou-se e virou-lhe as costas. Carmona Rodrigues deixou então escapar aquilo que certamente ia na alma de muitos lisboetas: “Grande ordinário!”
por Pintoff @ 9/16/2005 01:45:00 da manhã

<< Blogue