Desafios
Caro João, eu não tenho por hábito meter a foice em seara alheia, mas como já são tantos os desafios (nomeadamente de Timshel e João Galamba) e ultimamente dirigidos aos Insurgentes, no plural, também gostava de fazer uma "perninha". Dás-me licença?
Ora bem, se não se importarem, e sem querer parecer demasiado picuínhas (até porque para isso já cá temos um), eu gostava de pedir um ponto de ordem nestas discussões conceptuais. É que andam para aí misturados demasiados conceitos grandes demais.
Por exemplo, a discussão entre esquerda e direita já é complicada por si só. Escusam de a embrulhar ainda mais com questões religiosas. Deixem-me dar apenas dois exemplos que podem ajudar a trazer alguma luz para esta discussão -- nomeadamente para a suposta ligação necessária entre esquerda e cristianismo. No que toca ao mercado livre, por exeplo, se para o cristianismo não é indiferente ser-se calvinista ou católico (vejam-se os argumentos de Weber, Novak, Muller, etc), também para a esquerda, por exemplo, não será indiferente ser-se ou não marxista (Veja-se o movimento New Democrat e New Labour). Se no meio disto tudo ainda querem misturar argumentos sobre teoria de justiça, mercado, Stuart Mill e liberdade negativa... Bom, não sei bem que vos diga...
É claro que podemos sempre mandar um monte de poeira para o ar e dizer que a liberdade negativa é muito querida dos individualistas de direita, mas que quem a melhor formulou foi o Mill, que dizem que é de esquerda, da mesma esquerda que é internacionalista mas que ataca violentamente a globalização e que por isso se aproxima das direitas nacionalistas que são ferozmente protectoras e, como tal inimigas do comércio livre... etc, etc, etc...
Alguém se lembra dos "terribles simplificateurs"?...
por Pintoff @ 3/11/2005 11:34:00 da tarde

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